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Preocupações com Angola travam subida do BPI em bolsa

As acções do BPI chegaram a valorizar mais de 3% durante a sessão, mas encerraram inalteradas. Os receios em relação a Angola estão a ofuscar os resultados divulgados na última sessão.

Miguel Baltazar
Patrícia Abreu pabreu@negocios.pt 28 de Janeiro de 2016 às 16:44
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As acções do BPI encerraram inalteradas, depois de terem chegado a ganhar mais de 3% durante o dia. Apesar da reacção inicial positiva dos investidores aos resultados, o banco aliviou parte da subida com os analistas a manifestarem-se preocupados em relação à falta de um entendimento para reduzir a exposição ao risco de Angola.

Os títulos do BPI encerraram estáveis em 1,02 euros, mas chegaram a valorizar um máximo de 3,24% para 1,053 euros. O banco esteve a valorizar pela terceira sessão consecutiva, sustentado pela divulgação de lucros de 236,4 milhões de euros no último ano, um resultado que compara com prejuízos em 2014.

O banco anunciou esta quarta-feira, 27 de Janeiro, que fechou 2015 lucros que ficaram acima das previsões do CaixaBI. O banco de investimento da CGD – o único banco que reportou as previsões para os resultados do BPI – estimava que a entidade liderada por Fernando Ulrich (na foto) apresentasse "um resultado líquido positivo de 194,8 milhões face a uma perda de 163,6 milhões no exercício de 2014".

Tal como o banco de investimento previa a actividade doméstica terminou o ano com sinais positivos. O BPI fechou 2015 com um lucro de 93,1 milhões de euros (comparáveis aos 289,7 milhões de euros de prejuízos) em Portugal.

Angola gera preocupações

Ainda assim, Angola continua a ser a principal fonte de rentabilidade da instituição bancária. Representa 57% do resultado, com o BPI a receber um contributo de 135,7 milhões de euros do BFA em 2015, uma apropriação 16% superior ao contributo recebido um ano antes.

O banco liderado por Fernando Ulrich adiantou ontem que recusou a oferta de Isabel dos Santos para comprar 10% do BFA, com os accionistas do BPI a continuarem sem chegar a um entendimento em relação à forma como o banco vai reduzir a exposição a Angola. Uma questão que, segundo o Haitong, vai continuar a pesar nas acções.

"A visibilidade em relação a uma solução do BPI para o seu risco de concentração em Angola continua baixa", destaca o analista do Haitong, Filipe Rosa. Num comentário ao facto de o BPI ter recusado a proposta de Isabel dos Santos, o especialista realça que "a solução vai mais provavelmente depender de uma desconsolidação do Banco do Fomento de Angola (BFA)".

Já o CaixaBI diz que, mais do que os resultados, "o tema principal para o BPI continua a estar relacionado com os desenvolvimentos futuros associados à solução das questões relacionadas com a ultrapassagem do limite dos grandes riscos em Angola".

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