Vendas a retalho interrompem "rally" de Wall Street. Investidores procuram obrigações
A estagnação nas vendas a retalho, sinal de que o motor económico dos EUA está a arrefecer, levou os investidores à procura de refúgio nas obrigações norte-americanas. Fed tem caso reforçado para cortar nos juros já na próxima reunião.
Os principais índices norte-americanos encerraram a sessão desta terça-feira divididos entre ganhos e perdas, num dia em que os investidores reduziram a exposição às tecnológicas e redirecionaram o seu capital para obrigações dos EUA. Com as vendas a retalho no país a estagnarem em dezembro, os mercados estão mais otimistas em relação ao futuro da política monetária da maior economia do mundo, apontando agora para a possibilidade de existirem três alívios de 25 pontos base em 2026.
O S&P 500 caiu 0,33% para 6.941,81 pontos, enquanto o tecnológico Nasdaq Composite cedeu 0,59% para 23.102,48 pontos. Já o industrial conseguiu manter-se acima dos 50 mil pontos e acelerou 0,10% para 50.188,14 pontos, beneficiando de uma rotação das ações tecnológicas para setores cíclicos. Já os juros das "Tresuries" norte-americanas a dez anos cederam 6,3 pontos base para 4,139%, atingindo o valor mais baixo em cerca de um mês.
Depois de em novembro terem registado um avanço substancial de 0,6%, as vendas a retalho nos EUA acabaram por estagnar em dezembro - um movimento surpresa para os investidores, que antecipavam um salto de 0,4%, deixando assim a maior economia do mundo num caminho de menor crescimento do que antecipado. Uma economia mais fraca pode dar argumentos à Reserva Federal (Fed) norte-americana para cortar as taxas de juro já na próxima reunião, mas também pode deixar os investidores apreensivos em relação à vitalidade daquele que é o motor da economia do país.
"Parece que houve menos impulso por parte dos consumidores nos últimos meses de 2025 do que se previa anteriormente - um ponto de partida menos encorajador para as estimativas de crescimento para 2026", observa Vail Hartman, da BMO Capital Markets, à Bloomberg. Estes dados precedem a divulgação do relatório de criação de emprego de janeiro, nesta quarta-feira, que acabou por ser adiado devido a um "shutdown" parcial no governo dos EUA.
Os economistas preveem que tenham sido criados 68 mil postos de trabalho em janeiro - o maior aumento em quatro meses. A taxa de desemprego deve manter-se estável nos 4,4%, mas os investidores também vão estar atentos à revisão anual dos dados da criação de emprego, que deverá revelar uma redução no ano até março de 2025.
Ao mesmo tempo, a época de resultados nos EUA dá agora o "sprint" final. Entre as cotadas que apresentaram contas esta terça-feira, o Spotify disparou 14,75% depois de o gigante do streaming ter projetado lucros operacionais de 660 milhões de euros para o primeiro trimestre deste ano - comparado com os 652,3 milhões que o mercado antecipava. A diferença explica-se, em grande parte, por um aumento no número de utilizadores e dos preços.
Por sua vez, a Coca-Cola caiu 1,49% após ter falhado as previsões dos analistas referentes ao quarto trimestre de 2025 e ter projetado um crescimento pouco expressivo para este ano. Já a S&P Global afundou 9,71% depois de as suas estimativas de resultados para 2026 terem desapontado os analistas.
Fora dos resultados trimestrais das empresas, as ações da Paramount, da Netflix e da Warner Bros também estiveram ao rubro. A empresa liderada por David Ellison elevou a oferta pela Warner e anunciou que está disposta a pagar a taxa de rescisão de 2,8 mil milhões de dólares que o estúdio centenário acordou com a gigante do streaming caso o acordo acabe por não chegar a bom porto. Em reação, as ações da Paramount aceleraram 1,50% e as da Warner cresceram 2,17%. Já as da Netflix ganharam 0,91%, sugerindo que os investidores que estavam mais céticos em relação a esta compra podem estar satisfeitos com a proposta mais aliciante da rival que detém a CBS.
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