Wall Street dividida entre queda das tecnológicas e impulso da indústria. AMD afunda 17%
As bolsas norte-americanas terminaram a sessão sem um rumo definido, enquanto os "traders" se continuam a desfazer dos títulos das "big tech". Avanços entre EUA e Irão impediram maiores quedas.
Wall Street está de novo dividida entre ganhos e perdas. Esta quarta-feira, as tecnológicas arrastaram o Nasdaq Composite a perdas superiores a 1%, numa altura em que os investidortes continuam a desfazerem-se destes títulos, enquanto outras empresas surgem como ativos mais seguros em tempos de maior incerteza. Os analistas consideram que os "traders" procuram agora empresas que vão beneficiar do crescimento económico do país.
Neste contexto, o S&P 500 perdeu 0,51% para 6.882,73 pontos, enquanto o tecnológico Nasdaq Composite afundou 1,5% para 22.904,58 pontos. Em contraciclo, e a beneficiar do desinvestimento em "tech", o industrial Dow Jones subiu 0,53% para 49.501,3 pontos.
Apesar das quedas, as ações reduziram as perdas, já que as negociações nucleares entre os EUA e o Irão parecem continuar no caminho certo. Dois representantes de ambos os países têm encontro marcado para esta sexta-feira a fim de definir o acordo nuclear - apesar de os EUA terem abatido um drone iraniano nas últimas horas.
As ações ligadas ao software continuam em queda livre. “As ações de empresas de software estão a ser dizimadas pela preocupação com a possibilidade de a inteligência artificial canibalizar os seus negócios”, disse Bret Kenwell, da eToro, à Bloomberg.
“No entanto, embora as implicações a longo prazo ainda sejam um tanto desconhecidas, muitas dessas empresas continuam a gerar crescimento sólido de lucros e receitas, e as expectativas dos analistas para essas métricas continuam a subir”, acrescentou, dizendo ainda que estas ações se aproximam do nível de "sobrevenda".
Espera-se, no entanto, uma recuperação do setor. “Trata-se de uma rotação, não de uma ruptura”, disse Mark Hackett, estratega-chefe de mercado da Nationwide. “O setor de tecnologia está a recuar enquanto as ações cíclicas e defensivas sobem, e embora a volatilidade de terça-feira tenha chamado a atenção, os dados apontam para uma redefinição técnica, não para uma rutura fundamental".
Entre os principais movimentos de mercado, a Advanced Micro Devices (AMD) afundou mais de 17% depois de a previsão de vendas da fabricante de chips não ter satisfeito os investidores. É um sinal de que a empresa não está a conseguir avançar na área de IA como alguns em Wall Street previam.
Com a queda das "big tech", a Nvidia tombou 3,4%, a Meta Platforms 3,2%, a Alphabet - que apresenta esta quarta-feira contas trimestrais - caiu 2,16% e a Tesla recuou 3,8%. A Amazon, que faz o reporte de resultados trimestrais esta quinta-feira, tombou 2,36%.
A Eli Lilly & Co. subiu 10% após ter dado uma previsão de vendas otimista para o ano.
Já a Uber Technologies caiu 5,4% depois de as perspetivas de lucro por ação ajustado ter ficado abaixo das estimativas.
A Novo Nordisk, cotada também no NYSE, caiu 6%, depois de o CEO ter dito que as vendas dos seus produtos farmacêuticos não vão melhorar este ano e que a situação da empresa vai "piorar antes de melhorar".
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