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Caixabank BPI corta preço-alvo da Galp em 21% devido a longo-prazo desafiante

Os analistas do banco de investimento optaram por reduzir o preço-alvo da petrolífera portuguesa, mas mantiveram a recomendação. Os desafios que o setor enfrenta a longo-prazo em termos de sustentabilidade podem travar o crescimento.

A Galp, liderada por Carlos Gomes da Silva,   é a empresa com maior ponderação no PSI-20, com um peso superior a 12%.
Miguel Baltazar
Gonçalo Almeida goncaloalmeida@negocios.pt 15 de Junho de 2020 às 13:15
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Os analistas do CaixaBank BPI cortaram o preço-alvo da Galp Energia de 15,20 euros para 12 euros por ação, devido aos desafios que todo o setor petrolífero em geral - e a empresa portuguesa em particular - enfrenta no longo-prazo para conjugar as regras de sustentabilidade e crescimento dos negócios, segundo a nota.

Este corte de 21% para os 12 euros por ação representa, ainda assim, um retorno potencial de 10% face ao fecho da sessão da última sexta-feira, fixado nos 10,80 euros por ação. Apesar de terem reduzido o preço-alvo, os analistas do banco de investimento optaram por manter a recomendação inalterada em "Neutral".

"O crescimento vai desacelerar de forma geral, enquanto o atraso de projetos chave e a pressão constante para corresponder aos princípios de ESG (práticas ambientais, sociais e de governança) vão ganhar visibilidade", pode ler-se na nota de "research" divulgada pelo banco. 

Acrescenta que "as preocupações ambientais crescentes estão já a forçar empresas do setor a ajustar as prioridades e agora o setor enfrenta um colapso dos preços do Brent (-40% em termos homólogos), atingidos pela guerra de preços (que tem desvanecido desde abril) e dúvidas sobre o impacto do confinamento em todo o mundo na procura pela matéria-prima".   

Quanto ao caso particular da Galp, os analistas do CaixaBank BPI dizem que, no Brasil, os projetos no "Bacalhau pode ser adiado e os resultados da exploração no Uirapuru vão demorar mais do que o esperado, enquanto que o potencial total de Iara continua dependente da visibilidade de Atapu". Adiantam que "Moçambique é um grande projeto, chave para a estratégia de transição de energia da Galp, mas há muitas dúvidas em termos económicos". 

A estratégia de dividendos da Galp deverá manter-se nos próximos tempos, apesar de os analistas anteciparem uma atualização no futuro. Em maio, a empresa distribuiu 31,625 cêntimos por ação pelos investidores, relativo ao exercício do ano passado, o que somado ao dividendo intercalar pago no ano passado corresponde a uma remuneração de 580,5 milhões de euros. 

A petrolífera manteve o compromisso assumido em 2019 de aumentar o dividendo total em 11%. 


Hoje, as ações da Galp caem 3,24% para os 10,45 euros por ação, o que representa um mínimo desde 26 de abril deste ano. Neste momento é a quinta empresa que mais desvaloriza dentro do setor, em toda a Europa (que perde 2,19%).

Em termos de liquidez, foram hoje transacionadas cerca de 1,1 milhões de ações, que compara com a média diária dos últimos seis meses de perto dos 2,5 milhões de ações de títulos que mudaram de mãos. A empresa liderada por Carlos Gomes da Silva tem 13 notas de analistas a recomendarem "Comprar" as suas ações, nove que aconselham a "Manter" e duas que dizem que o melhor será "Vender". O preço-alvo médio de todas é de 13,27 euros por ação.
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