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Quanto valem as recomendações de venda e de compra?

As análises que sugerem a compra ou a venda de acções da bolsa portuguesa têm impactos diferentes consoante a entidade que dá a recomendação.

Reuters
Rui Barroso ruibarroso@negocios.pt 19 de Maio de 2016 às 19:52
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As recomendações de compra ou de venda aparentam ter impactos diferentes consoante as entidades que os produzem. Há entidades em que o mercado tem uma reacção mais positiva quando recomendam comprar e outras em que o selo de "vender" leva a um comportamento mais negativo das acções.

A CMVM analisou a reacção das acções da bolsa nacional às recomendações feitas pelas várias entidades de análise financeira e conclui, no Relatório Anual da Actividade de Supervisão da Análise Financeira, que os resultados parecem "sugerir que os investidores distinguem os relatórios de análise financeira de acordo com a sua proveniência". A análise do regulador teve como base um período temporal que foi de Outubro de 2014 a Setembro de 2015.

As entidades com maior impacto ao dizer "comprar"

Fidentiis, Credit Suisse e JP Morgan são as entidades em que os investidores mais aparentam levar as recomendações de compra à letra. "Considerando o impacto imediato, isto é, entre a data de divulgação da recomendação e as duas sessões de negociação posteriores, apenas as recomendações de compra de três intermediários financeiros (Fidentiis, Credit Suisse e JP Morgan) obtiveram retornos anormais acumulados médios iguais ou superiores a 1% e estatisticamente significativos", refere a CMVM.

Já nos seis intermediários financeiros portugueses, apenas as recomendações de três são sucedidas de comportamentos positivos das acções. E, ainda assim, o retorno anormal acumulado é inferior a 1%. "Somente BPI, BESI e Santander registam retornos anormais acumulados positivos (conquanto inferiores a 1%) estatisticamente significativos nas cinco sessões de negociação posteriores à divulgação da recomendação de compra", revela o estudo do regulador.

Contabilizando todos os intermediários financeiros "em média, o efeito de recomendações de compra é de 0,4% após dez sessões de negociação".

As recomendações de venda com maior impacto

Da lista das entidades aparentemente mais influentes a recomendar a compra, apenas o Credit Suisse está no lote das mais temidas quando emitem análises que indicam a venda dos títulos. Além do banco suíço, as entidades que produzem recomendações de venda a que se segue uma queda das acções são o Barclays e a Macquarie. "Barclays, Credit Suisse e Macquarie são os únicos intermediários financeiros analisados que registam retornos anormais acumulados médios negativos e estatisticamente significativos quando analisadas janelas de curto prazo e mais dilatadas", refere a CMVM.

E existem mesmo entidades que apesar de darem recomendações de venda, após a análise negativa as acções conseguem subir. "No caso do Millennium I.B., esse tipo de recomendações está associado a desempenhos bolsistas positivos dos títulos". Entre as entidades portuguesas, as recomendações de venda atribuídas pelo BPI aparentam ser as que têm maior impacto negativo.

No total dos intermediários financeiros analisados "em média, o efeito de recomendações de venda é de -0,9% após dez sessões de negociação".

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