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Qual a taxa sem risco? Para uns 0,7%, para outros chega a 6,8%

A CMVM volta a criticar a forma como os analistas utilizam a rentabilidade do activo sem risco na avaliação das cotadas. Nota grandes disparidades entre relatórios, questionando mesmo a razoabilidade de taxas utilizadas.

Correio da Manhã
Paulo Moutinho 19 de Maio de 2016 às 19:45
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Há várias variáveis a considerar na avaliação de uma cotada. Entre elas, uma das que tem maior peso na definição do valor considerado justo para as acções de uma determinada empresa é a taxa de juro sem risco. E, à semelhança do que tem acontecido nos últimos anos, os analistas continuam a não saber defini-la. A CMVM identifica taxas de quase zero, mas outras de praticamente 7%.


"Muitos relatórios de análise financeira continuam a não apresentar os pressupostos utilizados nos modelos de avaliação. No caso da rentabilidade do activo sem risco apenas 139 relatórios identificaram uma percentagem para esse indicador, isto é, cerca de 23,3% da amostra (20,0% em 2014)", refere o Relatório Anual sobre a Actividade de Supervisão e Análise Financeira.


"Os analistas assumiram uma taxa de juro isenta de risco para os títulos cotados na Euronext Lisbon compreendida entre 0,7% e 6,8%", destaca o regulador, liderado por Carlos Tavares. "Tal amplitude, ainda que com fundamentos discutíveis, pode ter resultado de algumas das empresas analisadas terem unidades de negócios em vários países e de os intermediários financeiros utilizarem diferentes activos sem risco, nomeadamente ‘bunds’ alemães e obrigações do tesouro portuguesas", aponta.


"Não obstante, a dívida pública nacional ou de um outro qualquer país, não pode ser considerada isenta de risco. Os valores médios usados são em geral elevados e o maior valor registado (6,8%), bem como qualquer valor acima de 2%, parece pouco razoável pois não existem actualmente instrumentos financeiros que tenham uma taxa de juro isenta de risco desta ordem de grandeza", nota.


A CMVM nota que a "generalidade dos intermediários financeiros considerou taxas isentas de risco muito acima do que seria esperado". E "é ainda de salientar a grande diferença entre os valores mínimo e máximo considerados por cada intermediário financeiro para a taxa de juro isenta de rico: no caso do Deutsche Bank o mínimo foi 2% e o máximo foi 6%. Apenas o Nomura usou a mesma taxa de juro isenta de risco em todos os seus relatórios de análise financeira", diz.


Ainda assim, "o prémio de risco considerado pelos analistas nas suas notas de análise foi de um modo geral uniforme", refere a CMVM, mas houve excepções. "Saliente-se, contudo, o anormalmente elevado prémio de risco apresentado pelo Santander para a Galp Energia (13,5%) e o oposto pela Intermoney para a Novabase (2%)", nota. "Embora a Galp Energia tenha negócios em diversas latitudes do globo, designadamente em mercados emergentes, e muitos dos seus investimentos se basearem em opções reais, o valor apresentado por aquele intermediário financeiro distancia-se claramente do dos demais títulos", conclui.

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