Iene em máximo de dois meses após defesa de Takaichi e rumores de intervenção
A perspetiva de os EUA se juntarem ao Japão numa intervenção cambial para reverter as grandes perdas do iene nos últimos meses acabou por castigar o dólar. A moeda norte-americana está a negociar em mínimos de setembro face a um conjunto das suas principais rivais, enquanto o iene conseguiu tocar em máximos de dois meses, numa altura em que a escalada nas tensões geopolíticas mundiais está também a pesar sobre a "nota verde".
Ao início da manhã, o dólar caía 1,06% para 154,04 ienes, enquanto o euro avançava 0,09% para 1,1839 dólares e a libra mantinha-se quase inalterada, crescendo apenas 0,01% para 1,3644 dólares.
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Já face à moeda suíça, vista como um dos ativos refúgio prediletos dos investidores, o dólar cede 0,12% para 0,7790 francos suíços - isto depois de já ter perdido cerca de 2% do seu valor na última semana.
Para muitos investidores, os sinais de que os EUA estão prontos para ajudar o iene abre caminho para uma possível intervenção no mercado que leve o dólar a desvalorizar contra as divisas dos países que representam a grande fatia das importações norte-americanas.
"Se a Reserva Federal (Fed) de Nova Iorque decidir juntar-se a esta iniciativa, isto irá amplificar ainda mais a recuperação do iene - e não apenas por razões simbólicas", explica Gareth Berry, estratega do Macquarie Group, à Bloomberg, acrescentado que uma intervenção conjunta "seria interpretada como um sinal de que Trump deseja um dólar mais fraco".
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A discussão sobre uma possível intervenção conjunta entre EUA e Japão no iene reacendeu-se na sexta-feira, quando vários "traders" informaram que a Fed de Nova Iorque tinha contactado instituições financeiras para perguntar sobre a taxa de câmbio da divisa nipónica. Seria apenas a terceira vez na história recente que algo assim aconteceria, com a primeira instância a ocorrer em 1985 com o Acordo de Plaza e a outra uma década mais tarde, em 1998.
O iene reage também à "defesa" da atual primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, que prometeu, neste domingo, durante um debate televisivo, agir em defesa da moeda japonesa. "Não me cabe a mim enquanto primeira-ministra comentar sobre assuntos que devem ser determinados pelo mercado, mas tomaremos todas as medidas necessárias para responder a movimentos especulativos e altamente anormais", garantiu Takaichi
Desde o arranque do ano, o índice do dólar da Bloomberg já caiu cerca de 9%, pressionado pelas ameaças à independência da Fed, pelas perspetivas de um novo presidente do banco central mais alinhado com a visão do Presidente norte-americano, bem como pela escalada nas tensões geopolíticas mundiais, que culminaram numa grande disputa diplomática entre EUA e Europa.
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