Euro digital um passo mais próximo de avançar. Parlamento Europeu sinaliza apoio ao projeto
Ao contrário do que defendia inicialmente, o Parlamento Europeu sinalizou esta terça-feira o seu apoio à criação do euro digital tanto na versão online como offline - uma posição que é acompanhada pelo Banco Central Europeu (BCE). Apesar de o órgão legislativo da União Europeia (UE) ainda não ter realizado a votação final neste dossiê, que deverá acontecer apenas em maio, os eurodeputados acabaram por aprovar duas alterações à resolução do Parlamento sobre o relatório anual do banco central de 2025 referentes a este projeto.
A primeira defende a criação do euro digital nas suas duas formas, tanto online como offline, enquanto a segunda apela à sua utilização como uma forma de defender a soberania monetária da região e combater a fragmentação nos pagamentos de retalho. Embora Portugal já tenha um serviço que permite aos consumidores pagarem digitalmente produtos e serviços, vários países da Zona Euro, como a Irlanda, Croácia e Chipre, ainda não possuem estas ferramentas. Além disso, muitas das soluções privadas que foram criadas não podem ser utilizadas fora de fronteiras.
PUB
"A crescente digitalização dos pagamentos, se deixada exclusivamente a cargo de agentes privados e não pertencentes à UE, corre o risco de criar novas formas de exclusão tanto para os utilizadores como para os comerciantes", afirma o Parlamento Europeu em comunicado. Desta forma, na ótima de Bruxelas, o euro digital acaba por ser "essencial para reforçar a soberania monetária da UE, reduzir a fragmentação nos pagamentos de retalho e apoiar a integridade e a resiliência do mercado único".
O objetivo passa por reduzir a dependência dos pagamentos europeus de empresas que pertencem aos EUA, como a Visa e a Mastercard - um movimento que se torna ainda mais importante numa altura em que as relações transatlânticas deterioram-se, com a chegada de Donald Trump à liderança da maior economia do mundo e as consequentes ameaças à soberania de territórios como a Gronelândia.
PUB
Em dezembro, o Conselho Europeu já tinha dado o seu aval para avançar com o projeto nas duas dimensões. Na altura, Fernando Navarrete, relator do Parlamento Europeu para o euro digital, defendia apenas a criação da versão offline, argumentando que a forma online poderia ser uma ameaça à privacidade dos utilizadores e que a mesma deveria nascer através da iniciativa privada.
À espera da "luz verde" do Parlamento Europeu, a autoridade monetária da Zona Euro está confiante de que vai conseguir a aprovação necessária e prevê que o euro digital chegue à carteira dos europeus em 2029. Antes disso, o banco central espera arrancar com um exercício-piloto e transações iniciais em meados de 2027 - em claro contraciclo com os EUA, que bloquearam a emissão de um dólar digital e optaram pela solução encontrada pelos privados com as "stablecoins".
Embora os dados ainda não sejam finais, e esteja tudo dependente do desenho final do projeto, o BCE já estima um custo total para a criação da infraestrutura do euro digital e dos seus projetos anexos. Em resultado do trabalho preparatório, o banco central estima que os custos de desenvolvimento cheguem a cerca de 1,3 mil milhões de euros - ao que acrescerá 320 milhões para manter o projeto a correr todos os anos. A despesa ficará do lado dos bancos nacionais, como é o caso do Banco de Portugal, e também do supervisor europeu.
PUB
Saber mais sobre...
Saber mais Milhões Empresa Banco central Banca Parlamento Europeu União Europeia Estados Unidos Chipre República da Irlanda Bruxelas Donald Trump Fernando NavarreteMais lidas
O Negócios recomenda