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Criptoativos estão cada vez mais expostos a conjuntura, alerta Goldman Sachs

O banco de investimento alerta que o aumento da adoção de criptomoedas não será sinónimo de subida nos preços dos ativos, podendo inclusive aumentar a exposição dos mesmos a fenómenos macroeconómicos, como a inflação.

O Goldman Sachs foi, entre os gigantes de Wall Street, o que mais gastou para reter talento. Ao todo, a instituição desembolsou 18 mil milhões de dólares em 2021, um aumento de 30% face a 2020. Se não fossem estes custos, a despesa do banco teria diminuído 9%, em termos homólogos, de acordo com as contas da Bloomberg Intelligence.

Para este ano, o CFO do banco, Denis Coleman, garantiu durante a conferência com analistas 'que iremos continuar a criar um ambiente de trabalho competitivo', ainda que não espere 'um aumento dos custos operacionais sobre esta matéria, nos próximos tempos.
Brendan McDermid /Reuters
Fábio Carvalho da Silva fabiosilva@negocios.pt 28 de Janeiro de 2022 às 13:25
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O aumento da adoção de criptomoedas não será sinónimo de subida nos preços dos ativos, podendo inclusive aumentar a sua exposição a fenómenos macroeconómicos, como a inflação. A conclusão é retirada de uma nota de "research" do Goldman Sachs, divulgada esta quinta-feira pela Bloomberg.

Os analistas Isabella Rosenberg e Zach Pandl defendem que "a adoção em massa de criptoativos pode ser uma espada de dois gumes", já que "embora possa aumentar a avaliação das cotações", por outro lado, tudo indica que "aumentem as correlações com outras variáveis do mercado financeiro tradicional", estando por isso mais sensível às perturbações macroeconómicas, como a inflação ou a subida das taxas de juro por parte dos bancos centrais.

Para o banco de investimento, nos últimos tempos, "a correlação dos criptoativos com outras classes de ativos intensificou-se".

O Goldman Sachs chega mesmo a explicar que neste momento existe uma correlação positiva da cotação das cripto  com o "aumento do risco da inflação, a subida dos preços do petróleo e as ações de teconologia", havendo uma "correlação inversa com as taxas de juro e o dólar".

O passado recente faz prova desta teoria do gigante de Wall Street. Por exemplo, a bitcoin, desde que bateu no patamar histórico dos 69 mil dólares em novembro já caiu 40%. Nos últimos tempos esta tendência negativa acompanhou a entrada em território negativo das ações tecnológicas, enquanto as taxas de juro sobre as dívidas soberanas agravaram e os principais índices do dólar subiram.


O próprio indicador de correlação da Bloomberg comprova esta teoria. O "coeficiente de 100 dias", construído pela Bloomberg Intelligence E, que correlaciona o comportamento da bitcoin e do Nasdaq através de uma moldura entre -1 e 1, subiu acima de 0,40 nos últimos dias, o que significa que a bitcoin está a acompanhar os passos do mais destacado índice de ações tecnológicas do mundo.

"Às vezes as respostas são simples e neste caso é um número, 0,40. O futuro da bitcoin está cada vez mais próximo do futuro das ações", observou esta sexta-feira Bem Emons, diretor do departamento de estratégia da Medley Global Advisors", em entrevista à Bloomberg TV.

Como previu Diogo Mónica, o português fundador do primeiro banco cripto do mundo e parceiro de Wall Street na oferta e custódia de tokens, em entrevista ao Negócios, "vai haver um dia em que a bitcoin não vai ser considerada um ativo de risco, porque já existe há 30 anos, e terá uma volatilidade muito menor, muito mais próxima de ações tradicionais e talvez de obrigações, porque será um ativo mais comum e testado".

Goldman está a trabalhar em stablecoins

Para além da nota de "research" inovadora, a semana ficou marcada por uma nota de imprensa enviada pelo Goldman Sachs à Bloomberg.

A agência norte-americana questionou o gigante de Wall Street sobre a possibilidade da criação de uma stablecoin global, ao que o banco respondeu que "não estamos para já a trabalhar nisso", no entanto, adiantou que "continuamos a trabalhar em estreita colaboração com instituições privadas que querem criar uma stablecoin global que atenda aos requisitos impostos pelos reguladores e que seja transparente". A instituição financeira não avançou com nomes das empresas em concreto.

O Goldman começou a trabalhar com stablecoins em 2020, tendo já investido na Circle, a empresa criadora da USD Coin.

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