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Quem são e para onde vão as "crypto babies" portuguesas?

Desde junho, o Banco de Portugal já licenciou três plataformas de investimento e de transação de ativos virtuais. Do atendimento presencial às baixas comissões, são muitos os pontos de atração.

Reuters
Fábio Carvalho da Silva fabiosilva@negocios.pt 04 de Dezembro de 2021 às 12:00
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O Banco de Portugal licenciou, desde junho, três plataformas de investimento e de transação de ativos virtuais.

As duas primeiras empresas foram autorizadas em junho, depois de nove meses de espera: a Criptoloja, com sede no Estoril, cuja denominação é Smart Token, e a Guimarães & Matosa, com sede em Braga e designação comercial Mind The Coin.

Já a Luso Digital Assets, com sede no Funchal, na Madeira, foi a última a ser licenciada, tendo recebido em julho a luz verde do regulador liderado por Mário Centeno. Além de prestar "serviços de troca entre ativos virtuais e moedas fiduciárias", como o euro, à semelhança das outras duas plataformas, esta corretora foi ainda autorizada a "transferir ativos virtuais através de vários instrumentos", com especial destaque para as "chaves criptográficas". Este serviço adicional prestado pela Luso é explicado pelo amplo mercado em que a corretora opera.

Ao contrário da Mind The Coin e da Criptoloja, a Luso tem também licença para trabalhar em Espanha, gerindo e guardando ativos em toda a SEPA (Single Euro Payments Area) - que inclui 36 Estados europeus.

Criptoloja: O atendimento presencial é a "alma do negócio"

Pedro Borges, CEO da Criptoloja e corretor financeiro de longa data – tendo já trabalhado em Londres e Singapura - explica que os clientes da sua empresa são sobretudo investidores amadores, que querem experimentar este mercado.

O segredo da plataforma está no facto de, além do atendimento online, apresentar um serviço em formato presencial, essencial para este tipo de investidores. Atualmente, a plataforma conta com 270 utilizadores, em grande parte portugueses, "mas também brasileiros, ucranianos e uma pequena fatia de outras nacionalidades", descreve o executivo.

Para Pedro Borges, "o objetivo é chegar no próximo ano à meta das 12 a 18 mil contas". O CEO adianta ainda que, desde que a plataforma começou a operar, o volume de transações já chegou a um milhão de euros.

Os investidores desta plataforma estão sobretudo focados nas criptomoedas solana e mana, que nos últimos tempos registaram crescimentos exponenciais, deixando para segundo plano os ativos mais recorrentes, como a bitcoin e a ethereum.

A "exchange" também já disponibilizou o "fan token" do FC do Porto.

O executivo esclarece que a relação com o regulador é "cordial" e recorda que este" tipo de plataformas não pode ser comparada com as gigantes do mercado", como a Binance ou a Coinbase, mas prevê uma meta de expansão, alicerçada em pequenos passos.

Luso Digital Assets foca-se nos investidores profissionais e "stablecoins"

A Luso Digital Assets trabalha atualmente com 10 mil clientes e conta com um volume de negociação mensal, na ordem de um milhão de euros.

Dado que esta é uma empresa que trabalha sobretudo com investidores "mais profissionais", os criptoativos mais procurados são a Bitcoin e a stablecoin Tether, uma criptomoeda cuja cotação está intrinsecamente ligada à valorização ou desvalorização do dólar norte-americano, contornando assim o "calcanhar de Aquiles" das criptomoedas, a volatilidade.

A negociação, levantamento e compra são efetuados em formato "peer to peer", diretamente com a empresa, através do contacto realizado, por exemplo, pelo Telegram ou Whatsapp, não havendo por isso terminais físicos ou uma plataforma online.

"Assim que nos é dada uma ordem de transação, damos a cotação e fazemos", explica Ricardo Filipe, Compliance Officer da Luso Digital Assets.

Para o futuro, o gestor espera "duplicar ou triplicar o número de utilizadores", assim como aumentar o volume de transações para "três a quatro milhões de euros", por mês.

No próximo ano, a Luso lançará um "produto de estatuto descricionário", ou seja, a pedido dos clentes, receber o montante investido, aplicando-o nos ativos que a plataforma acha que são mais rentáveis, uma solução para investidores "amadores", que têm capacidade financeira para entrar no mercado, mas não têm experiência.

Mind The Coin: A empresa cripto com terminais "low cost"

A Mind The Coin é uma empresa com terminais de compra em criptomoedas que coloca espanhóis e franceses a "fazer contas à vida", já que as comissões são baixas quando comparadas com as praticadas noutros países europeus.

A plataforma começou a operar cerca de um mês após o Banco de Portugal ter emitido a licença. Atualmente, a empresa conta com terminais de compra em Braga, Maia, Faro e Alverca. Para o ano, a Mind chega a Lisboa e ao Porto.

A companhia trabalha com três criptomoedas: a Bitcoin e a Litecoin, justificadas pelo amplo volume de negociação, e a Monero, que, como explica o gerente Fernando Guimarães, "zela mais pela privacidade".

Se em Espanha ou França os utilizadores têm de pagar comissões de 20% a 30% para realizar compras com estes ativos virtuais, em Portugal, com a Mind The Coin, pagam apenas uma taxa de 5,9% se a transações for realizada através de Bitcoin e 4,9% se a compra for por Litecoin ou Monero.

Para o ano, a empresa espera duplicar o volume de transação e chegar aos 200 mil utilizadores.

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