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BVLP regista em 2000 maior queda dos últimos 10 anos

A Bolsa nacional terminou o ano de 2000, com os índices PSI20 e PSI30 a perderem 13,01% e 11,12% respectivamente, representando a maior queda dos últimos 10 anos, arrastados pelas empresas de telecomunicações e tecnologias.

Negócios negocios@negocios.pt 29 de Dezembro de 2000 às 16:36
A Bolsa nacional terminou o ano de 2000, com os índices PSI20 e PSI30 a perderem 13,01% e 11,12% respectivamente, representando a maior queda dos últimos 10 anos, arrastados pelas empresas de telecomunicações e tecnologias.

O índice PSI20 e PSI30 encerraram 2000 nos 10.404 e 4.694 pontos, respectivamente, a após terem iniciado o ano nos 11.846 e 5.232 pontos. Nos Estados Unidos o Nasdaq perdia 38,2% no ano, enquanto o Euro Stoxx 50, que engloba as 50 maiores empresas europeias em termos de capitalização bolsista, caía 3,88%.

«Os índices nacionais foram arrastados pela queda das empresas de novas tecnologias, uma vez que estas representam uma parte substancial dos índices PSI20 e PSI30», explicou Eduardo Caraça do Banco Finantia ao Canal de Negócios.

As fortes perdas das empresas de telecomunicações e de tecnologia influenciaram negativamente o PSI20, dado o seu peso de 31,147% no índice PSI20, depois das entradas da PTMultimedia.com e a Sonae.com e da inclusão da PT Multimedia.

Depois de um início de ano «fulgurante», onde os índices, puxados pelas TMT atingiram valores máximos, a Bolsa nacional apresentou uma trajectória descendente, acompanhando as restantes Bolsas mundiais, que este ano seguiram bem de perto o desempenho do índice tecnológico norte-americano Nasdaq.

Em 9 de Março, o PSI20 atingia o seu máximo histórico nos 15.080 pontos, mais 45% que o valor a que fechou hoje o índice de referência da Bolsa nacional.

Em 1999, depois de um início a perder, o «bom desempenho» do mercado de capitais no final de ano permitiu ao PSI20 terminar 1999 com uma valorização de cerca de 10%.

Somague com melhor performance em 2000; Jerónimo Martins com a pior

No final deste ano destacam-se pela positiva a Somague, a Cimpor e as empresas produtoras de pasta de papel, como a Portucel e a Soporcel, enquanto o Grupo Sonae, a Soluções Automóveis Global (SAG) e a Jerónimo Martins representam as maiores perdas entre as empresas cotadas mais representativas na Bolsa nacional.

A Somague, empresa que actua no sector da construção, registou a maior valorização entre as empresas nacionais incluídas no PSI30, ao terminar o ano 74,73% acima da cotação de início do ano.

«A Somague apresentou em termos de resultados uma significativa melhoria, face aos maus resultados de 1999. A entrada de capitais espanhóis na empresa, permitiu melhorar a estrutura financeira da empresa, associado ao facto de a família deter menos de 50% do capital e o Banco Privado Português a entrar no capital da Somague, despertou o interesse de outros investidores, podendo ter contribuído para a valorização da empresa», explicou Leandro Silva, analista da Caixa Valores, ao Canal de Negócios.

A SAG encerrou o ano com uma desvalorização de 23,71%, «apesar de ter registado um bom desempenho em comparação com os restantes operadores do sector automóvel, em particular no primeiro trimestre, foi vítima da conjuntura económica , como o aumento das taxas de juro e a diminuição da confiança dos consumidores», explicou Eduardo Caraça do Banco Finantia ao Canal de Negócios.

O sector cimenteiro terminou o ano a registar valorizações, com a Cimpor e a Semapa a subirem 61,21% e 12,11% respectivamente. «A Cimpor apresenta uma história de crescimento, com franca solidez, o que suscitou o interesse de investidores e operadores do sector estrangeiros pela empresa portuguesa de cimentos. A oferta pública de aquisição lançada pela Secil e a suíça Holderbank, inicialmente a 20,5 euros (4.110 escudos) e depois elevada para 23,5 euros (4.711 escudos) por cada acção, demonstra o verdadeiro valor da Cimpor», referiu Leandro Silva ao Canal de Negócios.

A desvalorização da Sonae SGPS, «deve-se principalmente aos maus desempenhos da Modelo Continente e a Sonae.com, que recuaram 28,84% e 22% respectivamente, que representam cerca de 70% do valor da Sonae SGPS, por outro lado o aumento de capital criou alguma confusão junto dos investidores. A Modelo Continente acompanhou a tendência de desvalorização da Jerónimo Martins, enquanto a Sonae.com foi penalizada pela queda do sector das TMT"s», disse Eduardo Caraça ao Canal de Negócio.

«O sector da pasta do papel teve um comportamento bastante positivo, com a Soporcel a ser alvo de uma OPA, os valores máximos registados no preços da pasta de papel e a reestruturação do sector, levaram as empresas do sector a serem alvo de alguma especulação», explicou um analista ao Canal de Negócios.

A Soporcel subiu este ano 38,36%, enquanto a Portucel ganhou 6,15%.

Segundo Leandro Silva, «o sector bancário teve um comportamento acima do mercado, com destaque para o Banco Comercial Português, que apresentou um projecto de concentração e internacionalização bastante interessante, com aquisição do Banco Pinto & Sotto Mayor e Banco Mello».

A Jerónimo Martins apresentou a maior queda entre as empresas do PSI30, ao perder 56,69%. O mau desempenho da empresa justifica-se principalmente com «o fraco desempenho e descontrolo registado no negócio da Polónia, e ampliada pela degradação da economia daquele país, como aumento da inflação e da subida da taxa de juro», explicou Leandro Silva.

«O facto de a Jerónimo Martins ter tentado esconder os vários problemas que afectavam o negócio da Polónia, levou os investidores a penalizarem bastante a empresa de distribuição», referiu outro operador ao Canal de Negócios.

Estreantes na BVLP caem; Novabase sobe 50%

Empresas como a Portugal Telecom, PT Multimedia, ParaRede e outras tecnológicas, as «grandes estrelas» do início de ano, perderam grande parte das valorizações na segunda metade de 2000. A PT Multimedia terminou mesmo o ano a perder 26,74%, registando novo mínimo histórico no último dia de negociação, nos 25 euros, ou seja, cerca de 19% da cotação máxima da empresa, atingida a 9 de Março de 2000.

O saldo para as quatro novas aderentes à Bolsa nacional também é negativo, excepto para a Novabase, que desde que foi admitida à negociação, valorizou cerca de 50%. Desde a sua estreia em Bolsa a Sonae.com desceu 22%, a PT Multimedia.com perdeu 20% e a Impresa caiu 38%.

Reflexo desta performance foi o adiamento de diversas ofertas públicas iniciais (IPO), como o da Finantel e Web-Lab, que preferiram esperar por melhores desempenhos do mercado de capitais para dispersar parte do seu capital em Bolsa.

Em baixo segue tabela com a performance das acções incluidas no PSI30:

Empresa
Empresas do PSI 30 Máximo do ano Mínimo do ano Variação Última cotação
Somague 6,50 3,49 74,73% 6,50
Cimpor 26,62 15,50 61,21% 26,60
Novabase 15,35 9,53 50% 12,80
Soporcel 18,20 11,72 38,36% 18,18
Brisa 9,99 7,12 24,67% 9,50
Efacec 10,90 5,62 21,78% 6,99
Teixeira Duarte 1,69 0,95 15,08% 1,17
Semapa 4,47 3,00 12,11% 3,85
ParaRede 9,58 1,82 10,64% 2,10
Portucel 8,37 6,23 6,15% 7,25
BCP 5,98 5,10 2,54% 5,65
EDP 4,22 3,10 1,56% 3,52
Sonae Imob. 14,60 11,70 -4,13% 12,55
BES 20,04 16,10 -5,53% 17,90
Banif 10,00 7,00 -6,53% 7,01
PT 16,85 8,83 -10,56% 9,74
BPI 4,31 3,25 -17,62% 3,34
PTM.Com 9,20 4,85 -20% 5,15
Sonae.com 11,83 7,70 -22% 7,79
C. Amorim 1,52 1,04 -22,16% 1,07
SAG 3,06 2,03 -23,71% 2,13
M. Continente 19,20 12,00 -28,84% 13,50
Inapa 8,21 5,08 -30,50% 5,65
Telecel 25,69 11,37 -32,99% 11,60
Cin 8,72 3,18 -33,50% 3,24
Impresa 12,74 6,44 -38% 6,44
Sonae 2000 2,01 1,16 -38% 1,17
Sonae Indústria 9,23 4,65 -41,75% 4,66
Sonae SGPS 3,02 1,19 -47,74% 1,20
PT Multimédia 133,79 25,00 -51,69% 25,00
J. Martins 26,10 9,83 -56,69% 11,00
PSI20 15.080,9 10.303,1 -13,01% 10.404,09
PSI30 6.619,07 4.649,93 -11,12% 4.694,32

Nota: Cotações em euros ajustadas de «stock splits» e aumentos de capital

Por Duarte Costa e Nuno Carregueiro

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