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Estudo académico prova que experiência influencia a forma de investir

Dois professores de universidades norte-americanas demonstraram algo intuitivo: a experiência dos investidores influencia e forma como estes investem.

Hugo Paula hugopaula@negocios.pt 17 de Agosto de 2011 às 16:00
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No estudo em que demonstram que a actual crise pode alterar a forma como se vai gerir o dinheiro ao longo da vida, os académicos dizem que, até agora, “os economistas não faziam uma distinção entre conhecimento e experiência”.

Stefan Nagel é professor de Finanças na Stanford Graduate School of Business e Ulrike Malmendier é professor de Economia em Berkeley, na Universidade da Califórnia.

Para os dois académicos, nascidos na Alemanha, as ciências económicas não explicavam porque é que os familiares que atravessaram o período de hiper inflação, que assolou a Alemanha na década de 1920, tinham uma atitude diferente no que diz respeito a investir as suas poupanças.

“Os modelos económicos convencionais assumem que dados são dados – e que não importa se se atravessou o período da Grande Depressão ou se se leu acerca dela”, explica Stefan Nagel no comunicado publicado no site da universidade onde dá aulas. “Mas nós descobrimos que as experiências têm efeitos significativos – mesmo décadas depois do acontecimento”, acrescentou.

As conclusões do estudo atingiram resultados que podem não surpreender mas que nunca tinham sido provados cientificamente: as pessoas que atravessaram períodos de elevados retornos bolsistas são menos avessas ao risco, têm maior probabilidade de participar no mercado de acções e estão mais inclinados a investir uma maior percentagem do seu património na bolsa.

Investidores mais novos são mais marcados por experiências recentes

Já aqueles que sofreram os efeitos de inflação galopante têm tendência a diminuir a sua exposição a obrigações com retorno fixo, preferindo activos cujo valor se deteriora menos devido ao efeito da inflação. Por outro lado, os académicos concluíram que as experiências mais recentes têm maior efeito sobre o comportamento e que nos investidores mais novos este efeito é ainda mais acentuado.

“Porque a sua história é limitada, têm muito maior probabilidade de alterar o seu comportamento devido ao desempenho de um só ano nos mercados do que alguém mais velho, que pode ter várias décadas de experiência”, disse Stefen Nagel.

O estudo nota que os baixos retornos da década de 1970 tornaram os investidores mais avessos ao risco durante a década seguinte. Estes investidores foram mais rápidos a retirar o seu dinheiro do mercado de acções, quando os retornos declinaram. Mas os investidores mais velhos, que recordavam as décadas mais auspiciosas para os mercados, de 1950 e 1960, mantiveram as expectativas de melhores rendimentos.
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