Mercados Forte procura em leilão de dívida de Itália

Forte procura em leilão de dívida de Itália

Itália foi ao mercado para se financiar. Vendeu obrigações a cinco e dez anos, numa operação que despertou o interesse de muitos investidores.
Forte procura em leilão de dívida de Itália
Reuters
Rita Atalaia 30 de agosto de 2018 às 13:15

Itália foi ao mercado emitir obrigações, numa operação que atraiu forte procura. Este interesse dos investidores sinaliza um voto de confiança no país.

 

As taxas de juro das obrigações a cinco e dez anos tocaram o valor mais elevado desde Dezembro de 2013 e Março de 2014, respectivamente, neste leilão de Itália, o que reflecte os receios de que o orçamento para 2019 poderá incluir mais despesa e exercer uma maior pressão numa economia cuja dívida é muito elevada.

 

Contudo, este leilão de dívida – o primeiro teste ao apetite dos investidores por dívida italiana desde Julho – atraiu muitos investidores, com o Tesouro de Itália a conseguir alcançar o máximo do intervalo do financiamento previsto, avança a Reuters.

 

O país vendeu 7,75 mil milhões de euros de quatro obrigações – duas a taxa fixa e outras duas a taxa variável – num leilão realizado um dia antes de a Fitch Ratings avaliar o "rating" de Itália.

 

"[O leilão] sublinha claramente que os valores [das obrigações] alcançaram níveis nos quais os investidores se sentem muito confortáveis", afirma Christoph Rieger, responsável pela estratégia das taxas de juro do Commerzbank.

 

A dívida italiana tem sido abalada nas últimas semanas depois de o líder do executivo de coligação entre a Liga e o Movimento 5 Estrelas, Luigi Di Maio, ter afirmado que Itália vai opor-se ao próximo orçamento europeu.

 

"Nós vamos analisar todas as medidas em discussões no que toca ao orçamento europeu e vamos bloquear o que não for conveniente para nós", afirmou o político italiano, acrescentando que "os restantes Estados não estão a fazer o que não é conveniente para eles".

 

As "yields" das obrigações soberanas a cinco anos subiram 58 pontos base este mês, alcançando níveis que não eram registados desde Junho, quando o governo tomou posse. Os juros sobem agora 7 pontos base para 2,414%.




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