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Ouro reluz cada vez menos no braço de ferro com dólar

O metal amarelo tem vindo a perder terreno nos últimos três meses, muito à conta da robustez da nota verde. Também platina, paládio, prata e ródio estão com saldo negativo. Os metais preciosos não brilham este ano.

Preço do ouro está a cair há cinco semanas consecutivas.
Preço do ouro está a cair há cinco semanas consecutivas. iStockphoto
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 17 de Julho de 2022 às 20:30
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o metal amarelo, que é um valor-refúgio por excelência, não tem vivido dias risonhos nos mercados. Apesar dos receios de uma recessão global, à conta de um maior endurecimento das políticas monetárias dos bancos centrais para conter a inflação, o ouro não está a ser procurado como investimento seguro.

Uma das principais causas para este distanciamento dos investidores está no vigor do dólar – que na semana passada levou mesmo o euro a quebrar a paridade unitária, o que não acontecia desde dezembro de 2002. Atendendo a que o ouro é denominado na nota verde, quando o dólar valoriza o metal fica menos atrativo como investimento alternativo para quem negoceia com outras moedas.

Com este desinteresse pelo ouro, o metal acaba de registar a sua quinta perda semanal consecutiva, a maior série de quedas semanais em quase quatro anos. Entre segunda e sexta-feira recuou mais de 2% e neste momento já cede perto de 17% face ao pico de março - altura em que flirtou com o máximo histórico de 2.063 dólares atingido em agosto de 2020.

Na sexta-feira, o ouro encerrou nos 1,704,66 dólares por onça, depois de na sessão precedente ter quebrado o patamar dos 1.700 dólares – algo que não acontecia há perto de um ano. Isto enquanto o índice da Bloomberg para o dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana face a um cabaz de moedas, disparava para um recorde de 1.304,55 pontos, eclipsando o pico atingido durante a pandemia de covid-19.

Este fraco desempenho do metal dourado já está a desencadear revisões em baixa nas estimativas de preços. “Nos últimos três meses, o preço do ouro perdeu quase 300 dólares. Estávamos à espera que cedesse, mas isso está a acontecer a um ritmo mais rápido do que tínhamos antecipado”, sublinha o UBS numa nota de “research” a que o Negócios teve acesso.

Por isso mesmo, o banco suíço cortou as suas projeções para a cotação do ouro. “O nosso entendimento é o de que os preços devem cair no segundo semestre do ano, para depois começarem a recuperar nos primeiros seis meses de 2023”, refere. O UBS ajustou assim as suas estimativas, apontando para que o metal negoceie a um preço médio de 1.600 dólares no trimestre em curso e também no próximo.

Uma das questões-chave é a seguinte: se os riscos de uma recessão estão a aumentar, por que motivo é que o ouro cai? E não é apenas a força do dólar que justifica. “Historicamente, os preços do ouro costumam ficar sob pressão nos primeiros estágios de uma desaceleração da economia, dado que, por essa altura, é habitual os bancos centrais estarem ainda a endurecer a sua política monetária”, refere Giovanni Staunovo, analista de matérias-primas do UBS, no relatório.

Ainda assim, no leque dos principais metais preciosos, o ouro é o que menos perde no acumulado do ano, com um saldo negativo de 5,87%. A sua “irmã” prata, cuja evolução costuma seguir a esteira do ouro, desliza mais de 27%. Já o ródio e o paládio cedem em torno de 30%, ao passo que a platina se deprecia em 23,17% desde janeiro.

Sobre a platina, o UBS tem também uma palavra a dizer – e pouco otimista, para já. O banco suíço cortou em 200 dólares a sua previsão para os preços, devido à queda nas últimas semanas. “Em inícios de junho, o metal branco negociava perto de 1.050 dólares por onça e agora está abaixo do 850 dólares – o nível mais baixo desde 2018”, diz o relatório, sublinhando que há uma conjugação de fatores a pesar: a descida do preço do ouro e os elevados custos da energia, a par com um potencial corte das exportações russas de gás para a Europa – que aumenta o risco de o Velho Continente entrar em recessão, o que penalizará a procura por platina, dado que a Europa vale cerca de 20% do consumo deste metal.

Os analistas do banco dizem ainda que a probabilidade de uma subida dos juros diretores ainda mais agressiva por parte do banco central dos EUA também não sustenta o crescimento da procura por este metal do outro lado do Atlântico - onde representa igualmente cerca de 20% do consumo.

 

17%
Queda
Em março, ouro rondou os máximos históricos de agosto de 2020. Desde então já afundou perto de 17%.

 

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