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Vladimir Putin lança a sua agência de rating

A ACRA, agência de ratings formada em Moscovo, já está operacional e prepara-se para ocupar o espaço deixado pela Standard&Poor’s, Moody’s e Fitch, cada vez mais pressionadas pelo Kremlin.

Em primeiro lugar surge o presidente russo Vladimir Putin, que “continua a provar que é um dos poucos homens no mundo poderoso o suficiente para fazer o que lhe apetece – e sair impune disso”, escreve a Forbes, fazendo referência ao conflito da Crimeia e aos ataques conduzidos contra o autoproclamado Estado Islâmico na Síria
Bloomberg
Inês F. Alves inesalves@negocios.pt 18 de Março de 2016 às 12:41
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A Rússia está a limitar a actividade das agências de rating internacionais desde que estas diminuíram a perspectiva para o país, decisões que o Kremlin acredita serem politicamente motivadas. Ao mesmo tempo que as agências internacionais recuam, o espaço é ocupado pela recém-criada Analytical Credit Rating Agency (ACRA), nascida em Moscovo.

Escreve a Bloomberg que o objectivo do ministério das Finanças e do Banco Central é substituir os serviços da Standard&Poor’s, da Moody’s e da Fitch pelos da ACRA na sua avaliação de créditos e investimentos.

Nas últimas três semanas, a Moody’s e a Fitch anunciaram o propósito de parar de emitir "ratings" locais de empresas russas, preferindo isso a terem de submeter a sua actividade à regulação do governo.

A partir de 2017, a lei obriga as três agências de rating a emitir as suas avaliações para empresas locais através de uma subsidiária russa regulada pelo Governo. A Standard&Poor’s (S&P) está em conversações com o banco central sobre como manter a presença no país sob as novas regras.


Ao mesmo tempo, a ACRA submeteu o pedido de licenciamento para operar em território russo.

A ideia não é nova, em Julho do ano passado, depois de a S&P e a Moody’s cortarem o rating do país para lixo face à queda dos preços do petróleo e às sanções impostas por causa do conflito com a Ucrânia, o Banco Central da Rússia avançou com a intenção de criar uma agência imune a "riscos geopolíticos".

Escreve ainda a Bloomberg que, de acordo com informações avançadas pela responsável de mercados financeiros, Elena Chaikovskaya, o banco central deixará efectivamente de usar as três grandes agências de rating (S&P, Moody’s e Fitch) para tomar decisões.

Uma alternativa às três grandes agências "pode oferecer transparência e em último caso ajudar os investidores no processo de tomada de decisão", diz Suki Mann, ex-funcionário do UBS Group, citado pela Bloomberg. "Não se deve confiar numa única fonte de informação para decidir sobre um investimento, mas pode ser algo bom de ter no inventário", acrescentou o agora responsável pelo blog CreditMarketDaily.com, que consulta agências de ratings locais nas suas análises.

Investidores externos tendem a ver a ACRA como uma tentativa da Rússia fazer frente aos adversários estrangeiros, disse à Bloomberg o gestor Paul McNamara, da GAM UK.

"Qualquer agência russa será certamente ser vista como estando sob a alçada do Kremlin", disse, acrescentando que esta "é a resposta standard de um corte do rating. Ninguém no mercado quer saber", desvalorizou.

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