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Cazaquistão prepara-se para distribuir petróleo pelo Azerbaijão em vez da Rússia

Depois de um tribunal russo ter ameaçado cortar a rota de petróleo, através do qual o Cazaquistão exporta ouro negro para o mundo, Astana prepara-se para enviar o seu crude a partir do maior oleoduto do Azerbaijão, já em setembro.

Riade diz não ter pressa em recuperar o milhão de barris/dia de corte adicional da sua quota de produção.
Karim Sahib/AFP
Fábio Carvalho da Silva fabiosilva@negocios.pt 12 de Agosto de 2022 às 13:02
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O mercado internacional de petróleo pode assistir a um novo reajustamento das rotas de ouro negro. O Cazaquistão prepara-se para exportar o seu petróleo através do maior oleoduto do Azerbaijão, de forma a contornar a ameaça da Rússia de fechar o porto de Novorossiisk, no Mar Negro.

 

Depois de um tribunal russo ter ameaçado cortar a rota de petróleo, através do qual o Cazaquistão exporta ouro negro para o mundo, Astana prepara-se para enviar o seu crude a partir do maior oleoduto do Azerbaijão já em setembro, segundo fontes próximas do processo, citadas pela Reuters.

 

Durante cerca de duas décadas, o petróleo cazaque, que representa 1% da oferta mundial de petróleo, era transportado pelo oleoduto do CPC (Caspian Pipeline Consortium), que tinha como destino o porto russo de Novorossiisk, no Mar Negro, a partir do qual o crude era enviado para o resto do mundo.

 

No entanto, em julho, um tribunal russo ameaçou fechar o oleoduto CPC ao Cazaquistão, levando o governo de Astana e as empresas estrangeiras que operam no setor petrolífero no país a realizar contactos com outros possíveis parceiros, de forma a assegurar que, caso a Rússia deixe de servir como ponte entre o petróleo cazaque e o mundo, possa haver outras hipóteses de transporte.

 

Assim, uma das fontes assegurou à Reuters que a petrolífera cazaque Kazmunaigaz (KMG) está a negociar com uma congénere do Azerbeijão, de forma a que sejam exportadas 1,5 milhões de toneladas de petróleo por ano, através do oleoduto Azeri, que transporta a matéria-prima para o porto de Ceyhan, na Turquia. O contrato deve ser assinado em agosto e o petróleo deve começar a fluir por esta via em setembro.

 

Ainda assim, estes acordos podem não ser suficientes para garantir que o mundo recebe o mesmo número de barris de petróleo do Cazaquistão, como acontecia antes do possível corte russo.

Segundo as contas da agência britânica, esta parceria irá garantir que deslizam até aos países compradores de ouro negro cazaque 30 mil de barris de petróleo por dia, uma quantidade muito pequena quando comparada com os 1,4 milhões de barris por dia que são atualmente transportados pelo CPC,

 

Além disso, outras duas fontes avançam que Astana está a negociar para que, a partir do próximo ano, sejam exportadas mais 3,5 milhões de toneladas de crude por ano, através de outro oleoduto até ao porto de Supsa, na região do Mar Negro da Geórgia. Contactada pela Reuters, a KMG recusou comentar o assunto.

 

Cazaquistão pode fazer a diferença num futuro incerto

 

Mais do que assegurar a sua própria vitalidade económica, ao procurar assinar estes acordos, o Cazaquistão pode garantir que não há um maior agravamento no desequilíbrio entre oferta e procura de petróleo no mercado internacional.

Segundo a Agência Internacional de Energia, publicado esta quinta-feira, o consumo de petróleo deve subir para 2,1 milhões barris por dia este ano, um aumento de 300 mil barris face à previsão anterior.

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