Petróleo alto veio para ficar. E pode atingir 200 dólares
Os preços do ouro negro voltaram a subir, com o Brent a superar uma vez mais o patamar dos 100 dólares por barril. Analistas do Citi veem a cotação a chegar aos 200 dólares se a guerra no Médio Oriente se prolongar até final de junho.
“Habituem-se a preços do petróleo acima dos 100 dólares por barril”. A recomendação, dirigida aos mercados, é feita pelos estrategas de matérias-primas do Citi, num relatório de 165 páginas sobre o panorama para as “commodities” a nível global , divulgado na terça-feira. Para os analistas do banco, o Brent do Mar do Norte – crude de referência para as importações europeias, negociado em Londres – deverá subir para “pelo menos” 120 dólares por barril no próximo mês, podendo mesmo atingir os 150 dólares - nível já apontado também por outras casas de investimento, como o Goldman Sachs.
Mas a estimativa não se fica por aqui. Neste relatório, os estrategas do Citi dizem que o Brent poderá chegar aos 200 dólares por barril se houver uma disrupção contínua da oferta de crude até ao final de junho.
Para chegarem a estes números, os autores do relatório, com Maximilian Layton à cabeça, basearam-se na típica relação entre inventários e preço, atendendo a que o mundo está atualmente com menos 13,5 milhões de barris por dia, o que significa cerca de 400 milhões de barris por mês, devido às disrupções no estreito de Ormuz. Esta via marítima, por onde passavam diariamente 20 milhões de barris de crude antes da operação Fúria Épica, está agora altamente condicionada, só passando quem o Irão decide – e, em vários casos já reportados, só com o pagamento de uma taxa a Teerão.
Se o petróleo chegar aos 200 dólares, será um nível sem paralelo e o Citi diz, citado pelo Morningstar, que “ainda não é demasiado tarde” para os investidores se prepararem. Recorde-se que os máximos históricos do petróleo foram atingidos a 11 de Julho de 2008, quando o Brent se fixou nos 147,50 dólares por barril e o WTI (“benchmark” dos Estados Unidos) nos 147,25 dólares.
Desde o lançamento, a 28 de fevereiro, da ofensiva coordenada entre os EUA e Israel contra o Irão, os mercados da energia têm sido alvo de um elevado “prémio de guerra” nos preços. Na sessão desta terça-feira, a cotação do Brent voltou mesmo a superar os 100 dólares por barril, à conta de novos dados que deixam mais receios no ar quanto à duração desta guerra, já que foi avançado que os países do Golfo aliados dos Estados Unidos, nomeadamente a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, poderiam vir a participar neste esforço de contenção do Irão. Além disso, foram atacados alvos energéticos de Teerão.
Ao final do dia, o Brent somava 4,39% para 104,31 dólares por barril, ao passo que o WTI avançava 4,68% para 92,25 dólares. As cotações chegaram a estar um pouco mais acima, mas a informação de que Washington planeava destacar 3.000 soldados para o Médio Oriente acabou por acalmar um pouco os ânimos.
No gás natural, o movimento foi feito ao contrário: com sinal vermelho. O preço do gás de referência para os mercados europeus, negociado no TTF (Title Transfer Facility) – “hub” em Amesterdão – , que na primeira sessão da semana perdeu 6%, manteve na terça-feira a tendência de queda e cedia 5,93% para 53,32 euros MWh ao final do dia. E não houve um motivo aparente para este desempenho negativo, com os observadores de mercado a apontarem para a grande incerteza decorrente dos muitos sinais contraditórios que vão surgindo relativamente à guerra com o Irão.