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Próximo capítulo da crise do petróleo: o fecho de portas do setor

Em teoria, os primeiros cortes da produção de petróleo deveriam vir da aliança OPEP+, que no início de abril fecharam um acordo para reduzir a produção a partir de 1 de maio. No entanto, após a queda catastrófica dos preços, quando o WTI caiu para 40 dólares negativos por barril, é o segmento de produção de petróleo de xisto dos EUA que lidera agora o movimento de corte da oferta.

Reuters
Bloomberg 02 de Maio de 2020 às 11:00
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Preços do petróleo negativos, navios com cargas indesejadas e operadores a terem de usar a criatividade sobre onde armazenar a matéria-prima. O próximo capítulo da crise do petróleo é agora inevitável: grandes áreas da indústria podem começar a fechar.

 

O impacto económico do coronavírus atingiu o setor de petróleo em drásticas fases. Primeiro, destruiu a procura, pois as medidas mundiais de confinamento fecharam fábricas e trancaram os condutores em casa. Em seguida, a capacidade de armazenamento começou a esgotar, e operadores recorreram a navios-tanques (os superpetroleiros) para armazenarem petróleo, na esperança de melhores preços pela frente.

 

Agora, os preços das remessas sobem para níveis estratosféricos com a falta de superpetroleiros, um sinal do nível de distorção do mercado.

 

O espectro das paralisações – e o impacto que terão nos empregos, empresas, bancos e economias locais – foi uma das razões que levou líderes mundiais a unirem forças para cortarem a produção de maneira ordenada. Mas, à medida que a escala da crise enfraquecia os esforços, sem conseguir evitar que os preços caíssem abaixo de zero, as paralisações tornaram-se uma realidade. É o pior cenário para produtores e refinarias.

 

Em teoria, os primeiros cortes da produção de petróleo deveriam vir da aliança OPEP+, que no início de abril fecharam um acordo para reduzir a produção a partir de 1 de maio. No entanto, após a queda catastrófica dos preços, quando o WTI caiu para 40 dólares negativos por barril, é o segmento de produção de petróleo de xisto dos EUA que lidera agora o movimento de corte da oferta.

 

Os cortes da produção não se limitarão aos EUA. Do Chade, um país africano pobre e sem, ao Brasil, as petrolíferas estão já a reduzir a sua produção ou planejam fazê-lo.

 

"Eu não gostaria de ser sensacionalista, mas sim, claramente, pode haver risco de paralisações", comentou Mitch Flegg, presidente da Serica Energy, uma petrolífera do Mar do Norte, em entrevista. "Em certas partes do mundo, é um risco real e presente".

 

A Arábia Saudita, a Rússia e os restantes países da OPEP+ vão unir-se nos cortes de produção de 9,7 milhões de barris por dia. A estatal Saudi Aramco já está a reduzir a produção para atingir a meta. E as petrolíferas russas anunciaram que as exportações do Ural (crude da Rússia) devem cair em maio para mínimos de 10 anos.

 

Ainda assim, pode não ser suficiente. A cada semana estão a ser armazenados 50 milhões de barris de petróleo, o suficiente para abastecer a Alemanha, França, Itália, Espanha e Reino Unido juntos. A esse ritmo, o mundo ficará sem capacidade de armazenamento até junho. O que não é armazenado em terra é armazenado em navios-tanque. A Guarda Costeira dos EUA disse na sexta-feira passada que havia tantos petroleiros ancorados na Califórnia que estava a monitorar a situação.

(artigo original: The Next Chapter of the Oil Crisis: The Industry Shuts Down)

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