Tecnológicas e mineiras deixam Europa no vermelho. Ouro cai 5% e petróleo também dá tombo
Juros agravam-se na Zona Euro mas com movimentações reduzidas. Reino Unido destoa
Recuperação do dólar pressiona ainda mais os metais preciosos
Metais preciosos derretem. Ouro afunda mais de 5% e prata perde quase 8%
Petróleo afunda cerca de 5% com Trump a recuar nas ameaças ao Irão
"Efeito dominó" derruba praças asiáticas após "sell-off" nos metais preciosos. Europa aponta para o vermelho
Tecnológicas e mineiras atiram Europa para o vermelho
As principais praças europeias arrancaram a primeira sessão de fevereiro maioritariamente no vermelho, com Madrid e Frankfurt a escaparem às perdas, num dia marcado pelas quedas acentuadas no preço dos metais preciosos, que estão a pesar sobre as ações das empresas do setor mineiro. Também as tecnológicas enfrentam turbulência, após o Wall Street Journal ter noticiado que o acordo para a Nvidia investir 100 mil milhões de dólares na OpenAI está em risco de se não materializar na totalidade.
A esta hora, o Stoxx 600, "benchmark" para a negociação europeia, recua 0,23% para 609,58 pontos, mantendo-se no intervalo limitado em que tem negociado nas últimas semanas. Os investidores continuam à procura de novos catalisadores para levar o principal índice do Velho Continente a quebrar os máximos históricos atingidos em meados de janeiro, mas uma época de resultados aquém das expectativas e o nervosismo que se sente nos mercados tem impedido o Stoxx 600 de ganhar terreno.
Com os metais preciosos a entrarem no segundo dia consecutivo de grandes quedas, as mineiras estão a exercer a maior pressão sobre o "benchmark" europeu: a britânica AngloAmerican cai quase 4% esta manhã, com a BHP Billiton e a Rio Tinto a acompanharem a empresa nas perdas, com recuos de 2,27% e 1,04%, respetivamente. Também as energéticas estão a agravar as perdas do Stoxx 600, num dia em que os preços do petróleo desvalorizam mais de 5%, após Donald Trump ter decidido dar um passo atrás nas suas ameaças ao Irão.
"Os mercados europeus vão enfrentar um dia e uma semana difíceis", explica Joachim Klement, diretor de estratégia da Panmure Liberum, à Bloomberg. "Antecipamos que, à medida que as chamadas de margens [quando uma corretora solicita fundos adicionais para cobrir a desvalorização de certos ativos] precisam de ser respondidas, a pressão de venda se espalhe para o mercado acionista em geral", acrescenta.
Entre as principais movimentações de mercado, a Airbus cai 0,36% para 192,70 euros, depois de o Jefferies ter revisto em baixa a recomendação da fabricante de aeronaves devido à forte valorização do euro.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX sobe 0,03% e o espanhol IBEX 35 avança 0,30%. O italiano FTSEMIB desvaloriza 0,02%, o francês CAC-40 recua 0,23%, ao passo que o britânico FTSE 100 regista perdas de 0,23% e o neerlandês AEX desliza 0,89%.
Juros agravam-se na Zona Euro mas com movimentações reduzidas. Reino Unido destoa
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro arrancaram a sessão desta segunda-feira com ligeiros agravamentos, num dia em que as principais praças da região também negoceiam em território negativo e o mercado dos metais preciosos continua em modo "sell-off".
A "yield" das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a região, acelera 0,6 pontos-base para 2,847%, enquanto os juros das obrigações francesas com a mesma maturidade ganham 1,2 pontos-base para 3,436%. Por Itália, e apesar de a Standard & Poor's até ter revisto em alta o "outlook" do país para "positivo", os juros das obrigações a dez anos saltam 0,8 pontos para 3,462%.
Pela Península Ibérica, a "yield" da dívida portuguesa na maturidade de referência agrava-se em 0,6 pontos-base para 3,199% e aproxima-se dos juros das obrigações espanholas a dez anos, que sobem apenas 0,5 pontos para 3,214%.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas a dez anos contrariam a tendência, ao cederem 1,7 pontos-base para 4,503%, isto depois de a confianças das empresas na economia do Reino Unido ter atingido o valor mais elevado em oito meses.
Recuperação do dólar pressiona ainda mais os metais preciosos
O dólar continua o processo de recuperação face a outras divisas, depois de nas últimas duas semanas ter vivido uma fase marcada por alguma turbulência. A "nota verde" chegou a registar uma queda pronunciada quando o Presidente dos EUA disse que a divisa estava a comportar-se "lindamente" no mercado cambial, numa fase de queda, o que só pressionou ainda mais a moeda americana.
Uma intervenção pública do secretário do Tesouro, Scott Bessent, e já no final da semana passada a confirmação de Kevin Warsh à frente da Fed ajudaram o dólar a recuperar parte do terreno perdido.
Já neste segunda-feira, o efeito parece prolongar-se, com o índice do dólar americano (DXY), que compara o valor da moeda norte-americana com outras divisas, avança 0,15% para 97,1370 pontos.
A subida do dólar acontece também numa altura em que os mercados estão a ser abalados por uma derrocada no preço dos metais preciosos. Tipicamente, um dólar mais forte pressiona a negociação dos metais preciosos, que ficam mais caros para investidores que usam outras divisas.
A esta hora, o euro segue a valorizar 0,05% para 1,1857 dólares e a libra também segue a avançar 0,05% para 1,3693 dólares. O dólar avança 0,09% para 0,7737 francos suíços. O dólar recupera 0,11% face à divisa japonesa, para 154,95 ienes.
Já noutros pares de câmbio, o euro cai 0,03% para 0,8660 libras e avança 0,16% para 183,73 ienes.
Metais preciosos derretem. Ouro afunda mais de 5% e prata perde quase 8%
É mais uma sessão de grandes perdas no mercado dos metais preciosos. Depois de terem levado o ouro e a prata a máximos históricos na sexta-feira, os investidores decidiram dar vários passos atrás e aproveitarem os mais recentes recordes para procederem com a tomada de mais valias - um movimento que acabou por ser exacerbado pela escolha de Donald Trump para liderar a Reserva Federal (Fed) norte-americana, Kevin Warsh.
Após ter chegado a perder mais de 12% no final da semana passada, o ouro continua em trajetória descendente e perde, a esta hora, 5,50% para 4.625,27 dólares por onça. O metal amarelo caiu quase para os 4.400 dólares esta madrugada, desvalorizando mais de mil dólares em relação ao máximo histórico atingindo na sexta-feira de 5.595,47 dólares. Também a prata está em modo "sell-off", recuando 7,84% para 78,52 dólares por onça, depois de ter chegado a perder mais de 36% na sessão anterior - a maior queda de sempre para o metal precioso, que tinha conseguido ultrapassar a barreira dos 120 mil dólares na sexta-feira.
"Isto ainda não acabou", vaticina Robert Gottlieb, antigo corretor de metais preciosos do JPMorgan, à Bloomberg, acrescentando que a relutância em assumir mais riscos está a restringir a liquidez do mercado. "Temos de ver se [os metais preciosos] vão encontrar algum apoio. O mercado estava muito saturado", adiciona ainda. O mercado dos metais preciosos arrancou o ano em grande euforia, após um 2025 "brilhante", e o aumento das tensões geopolíticas acabou por dar força a um "rally" sem precedentes no ouro e na prata.
No entanto, a escolha de um nome mais "hawkish" do que antecipado para liderar os destinos da política monetária dos EUA acabou por desencadear um "sell-off" no mercado. Apesar de advogar por uma redução das taxas de juro, Kevin Warsh é a figura mais moderada da "short-list" que a Casa Branca fez para a corrida à presidência da Fed. A decisão deu força ao dólar, após várias sessões de quedas, e reduziu o apetite por metais preciosos.
O ouro e a prata estão ainda a ser pressionados pela decisão do CME Group, uma empresa de serviços financeiros que opera várias corretoras de metais preciosos, de aumentar as margens de negociação - uma decisão que entra em vigor após o fecho de sessão desta segunda-feira. Um aumento nas margens tende a ser negativo por os metais preciosos, uma vez que o maior desembolso de capital pode diminuir a participação especulativa, reduzir liquidez e levar os investidores a liquidar posições.
Petróleo afunda cerca de 5% com Trump a recuar nas ameaças ao Irão
O barril de petróleo está a viver a pior sessão em quase seis meses ao afundar cerca de 5% esta segunda-feira, após Donald Trump, Presidente norte-americano, ter indicado que os EUA estão a "negociar a sério" com o Irão - um sinal de aproximação entre os dois países, depois de uma semana atribulada nas relações diplomáticas de ambos.
A esta hora, o West texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – perde 5,18%, para os 61,83 dólares por barril, enquanto o Brent – de referência para o continente europeu – segue a desvalorizar 4,93% para os 65,90 dólares por barril. Em janeiro, os dois crudes de referência registaram o melhor mês desde 2022, apoiados numa escalada das tensões internacionais entre os EUA e uma série de país.
No entanto, esse movimento parece estar a ser revertido neste arranque de fevereiro. Numa conversa com jornalistas este domingo, Donald Trump recuou nas ameaças que andava a fazer ao Irão e que culminaram com o supremo líder do país, Ayatollah Ali Khamenei, a admitir um novo conflito no Médio Oriente. O Presidente dos EUA já vê um acordo entre as duas potências a acontecer no curto prazo, apesar de Teerão continuar relutante em relação ao fim do seu programa nuclear - uma das reivindicações de Wasghinton para não escalar as tensões.
"A queda [nos preços do petróleo] parece mais uma redefinição de posicionamento do que uma mudança fundamental", explica Haris Khurshid, diretor de investimentos da Karobaar Capital, à Bloomberg. "Sem um novo choque de oferta, o petróleo está a devolver parte do prémio de risco, à medida que o mercado se recalibra após precificar uma disrupção [no abastecimento de crude] de curto prazo - que simplesmente não se concretizou", adiciona.
Os investidores estão ainda atentos às negociações para acabar com a guerra na Ucrânia, que entra este mês no seu quinto ano. Representantes do país liderado por Volodymyr Zelensky, dos EUA e da Rússia vão se encontrar em Abu Dhabi esta quarta-feira para discutirem um plano que agrade minimamente às três partes, mas a questão de cedência de territórios continua a ser bastante sensível para o líder ucraniano - que não quer ceder a região de Donbass a Moscovo.
"Efeito dominó" derruba praças asiáticas após "sell-off" nos metais preciosos. Europa aponta para o vermelho
As principais praças asiáticas arrancaram fevereiro em território negativo, com a Europa e Wall Street a apontarem para o vermelho, numa altura em que os investidores continuam a avaliar os impactos do "sell-off" do final da semana passada no mercado dos metais preciosos. As perdas estão a estender-se para esta segunda-feira com o nervosismo a ser o sentimento dominante da sessão, numa semana marcada por decisões de bancos centrais, dados económicos e resultados trimestrais que podem servir - ou não - de novos catalisadores.
"Os investidores estão nervosos com a turbulência observada na sexta-feira no mercado de metais preciosos", explica Tim Waterer, analista-chefe de mercado da KCM Trade, à Bloomberg. "As vendas neste mercado, a meio de um aumento das margens [por parte do grupo CME], estão a levar à liquidação de outros ativos. Portanto, a queda no ouro e na prata está efetivamente a causar um efeito dominó no mercado", acrescenta.
A turbulência levou o sul-coreano Kospi - um dos índices que mais "brilhou" no ano passado e que tinha arrancado o ano em grande força - a afundar 5,5%, o pior dia para a praça asiática desde o impacto do anúncio das tarifas "recíprocas" de Donald Trump, em abril de 2025. Por sua vez, os chineses Hang Seng, de Hong Kong, e o Shanghai Composite deslizaram 3,2% e 2,5%, respetivamente.
Ambas as praças foram pressionadas tanto pelo "sell-off" no mercado dos metais preciosos, como também por uma redução da exposição das carteiras dos investidores às tecnológicas. Os "traders" estão, mais uma vez, receosos com uma possível "bolha" na inteligência artificial e os alertas reiterados de várias figuras proeminentes do setor, em conjunto com os resultados da Microsoft, só estão a adensar as preocupações.
Pelo Japão, o Nikkei 225 conseguiu aguentar-se melhor do que os seus pares, ao perder 1,25%, tendo mesmo arrancado a sessão em território positivo. O índice foi inicialmente suportado por sondagens que dão uma vitória esmagadora ao Partido Liberal Democrático da primeira-ministra Sanae Takaichi nas eleições da próxima semana. Se se confirmar, Takaichi fica com o caminho livre para aprovar políticas de estímulo económico agressivas, que podem vir, por sua vez, a pressionar o iene e os juros das obrigações nipónicas.
Na Europa, e depois de o Stoxx 600 ter fechado a maior série de ganhos mensais desde 2021, a negociação de futuros aponta para uma abertura em queda, com o Euro Stoxx 50 a cair mais de 1%. A época de resultados segue com toda a força no Velho Continente e, só esta semana, empresas que representam 30% da capitalização bolsista do continente vão apresentar contas ao mercado.
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