Wall Street não sai do vermelho, S&P caminha para quinta perda semanal. "É tudo petróleo"
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta sexta-feira.
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Wall Street não sai do vermelho, S&P encaminha-se para quinta perda semanal. "É tudo petróleo"
Os principais índices norte-americanos abriram a negociar no vermelho, numa altura em que a guerra do Irão se arrasta - com mais um adiamento do prazo para a reabertura do estreito de Ormuz - e pesa no sentimento de risco. O Presidente norte-americanio disse na quinta-feira que adiou para 6 de abril o prazo para o Irão deixar passar os navios, caso contrário arrisca a destruição das suas centrais energéticas. Este alargamento do prazo acontece depois de Teerão ter rejeitado o plano de 15 pontos inicialmente apresentado pela Administração Trump para negociações de paz.
A esta hora, o S&P 500 recua 0,62% para 6.437,04 pontos, encaminhando-se para a sua quinta queda semanal, o período semanal de perdas consecutivas mais longo desde 2022. Já o tecnológico Nasdaq Composite cede 0,83% para 21.231,19 pontos, enquanto o industrial Dow Jones perde 0,85% para 45.553,08 pontos. Com as tecnológicas a serem das ações mais penalizadas, o Nasdaq 100 caiu para território de correção, tendo já desvalorizado mais de 10% desde os máximos mais recentes.
Os preços do petróleo não dão sinais de abrandar, com o Brent a negociar a esta hora nos 110 dólares por barril e o West Texas Intermediate (WTI) nos 97 dólares. Ao mesmo tempo que os EUA parecem empenhados em negociações de paz, o Wall Street Journal noticiou que o Pentágono está a equacionar enviar um contigente de 10 mil tropas para o Médio Oriente.
"É tudo petróleo. O Brent está a subir outra vez e a pressionar as ações", comentou Ohsung Kwon do Wells Fargo & Co, em declarações à Bloomberg.
Entre as principais movimentações do mercado, a AstraZeneca salta 3,79% para 190,55 dólares, após o seu medicamente experimental ter conseguido, num estudo, reduzir significativamente os impactos da doença pulmonar obstrutiva crónica. Já a Tripadvisor acelera 3,22% para 10,27 dólares, depois de o Bank of America ter subido a recomendação de "manter" para "comprar", citando um aumento das opções estratégicas em todo o pertfólio e maior envolvimento dos investidores ativistas.
Europa ruma para nova semana de perdas com guerra no Irão. Astrazeneca pula 3%
Os principais índices europeus negoceiam em baixa, com a incerteza em torno das negociações entre os Estados Unidos (EUA) e o Irão a levar a um aumento dos preços do crude, fator que está a abalar o apetite pelo risco durante a sessão desta sexta-feira, numa altura em que o Brent avança para perto dos 110 dólares por barril.
O índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – cai 0,82%, para os 576,07 pontos.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX perde 1,04%, o espanhol IBEX 35 recua 0,80%, o italiano FTSEMIB desvaloriza 0,89%, o francês CAC-40 cede 0,79%, ao passo que o neerlandês AEX cai 0,90% e o britânico FTSE 100 regista perdas de 0,34%.
O “benchmark” europeu caminha agora para uma nova semana de perdas, sendo que já recua mais de 2% até agora no conjunto da semana. Só desde o início do mês, o Stoxx 600 já fixa perdas superiores a 9%, espelhando o efeito que a guerra no Médio Oriente está a ter sobre os ativos de risco.
Durante o dia de ontem, a presidente do Banco Central Europeu (BCE) defendeu a possibilidade de existir um excessivo otimismo face à reação dos mercados à guerra no Médio Oriente e falou num "verdadeiro choque" em matéria de energia. "Estamos perante um verdadeiro choque - que provavelmente vai para além do que podemos imaginar neste momento", afirmou Lagarde, referindo-se à destruição da infraestrutura energética.
Em entrevista ao The Economist, acrescentou que "nesta crise estamos a aprender, quase dia após dia, quais serão as consequências reais, quais os países mais afetados e quais as 'commodities' que terão maior procura", sublinhou a líder da autoridade de política monetária.
Já sobre as negociações em curso entre EUA e Irão, "a questão é que são precisos dois para chegar a um acordo, por isso aconselho cautela contra um otimismo prematuro”, disse à Bloomberg Emma Moriarty, da CG Asset Management. “Os acontecimentos desta semana mostraram que existe uma grande distância entre as duas partes nas negociações e uma vontade significativamente menor de dialogar por parte do Irão”, acrescentou. Estes fatores, assim como notícias de que o Pentágono estará a avaliar o envio de 10 mil soldados para o golfo Pérsico, estão mesmo a levar os investidores a apontar para um conflito mais prolongado do que o esperado anteriormente.
Entre os setores, todos negoceiam no vermelho, à exceção do da saúde (+0,24%) e dos químicos (+0,22%). Do lado das perdas, o industrial e o dos bens e serviços caem mais de 1,30%, enquanto o dos media regista as maiores perdas com uma desvalorização de 1,80%.
Quanto aos movimentos do mercado, a AstraZeneca soma mais de 3%, depois de se saber que o medicamento experimental da farmacêutica para a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica ajudou a reduzir o agravamento dos sintomas em dois ensaios clínicos em fase avançada.
Juros com fortes agravamentos em toda a linha na Zona Euro
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro negoceiam nesta sexta-feira com fortes agravamentos em toda a linha, seguindo a tendência dos últimos dias, à medida que a escalada dos preços da energia ameaça alimentar uma subida da inflação, que poderá obrigar o banco Central Europeu (BCE) a adotar uma política monetária mais restritiva. A presidente do BCE, Christine Lagarde, em entrevista ao The Economist, disse mesmo que há um excesso de otimismo dos mercados sobre a guerra no Irão, ao mesmo tempo que apontou para um “verdadeiro choque” energético.
Nesta medida, os juros da dívida portuguesa, com maturidade a dez anos, agravam-se em 6,6 pontos-base, para 3,612%. Em Espanha, a "yield" da dívida com a mesma maturidade segue a mesma tendência e sobe 6,9 pontos, para 3,672%.
Já os juros da dívida soberana italiana escalam 8,5 pontos, para 4,105%. Por sua vez, a rendibilidade da dívida francesa agrava-se em 7,6 pontos, para 3,874%, ao passo que os juros das "bunds" alemãs, referência para a região, sobem 5,7 pontos, para os 3,125%.
Já fora da Zona Euro, os juros das “gilts” britânicas, também a dez anos, avançam 8,7 pontos-base, para os 5,055%.
Euro e libra desvalorizam pela quarta sessão consecutiva face ao dólar
O dólar negoceia sem grandes alterações nesta sexta-feira, enquanto os “traders” pesam um adiar dos ataques norte-americanos a infraestruturas energéticas do Irão contra uma possível escalada no conflito.
O índice do dólar - que mede a força da “nota verde” face às principais concorrentes – chegou a perder terreno, mas avança agora 0,08%, para os 99,976 pontos.
O Pentágono estará a ponderar enviar até 10 mil soldados adicionais para o Médio Oriente, segundo noticiou o Wall Street Journal na quinta-feira, o que pouco contribuiu para reforçar as esperanças dos investidores de que a guerra estará próxima do fim, fator que manteve a procura pelo dólar enquanto ativo-seguro, à medida que os investidores aumentam as expectativas de um aumento nas taxas de juro nos EUA até ao final do ano, devido ao impulso inflacionista que resulta de preços da energia mais elevados por mais tempo.
Face ao iene, o dólar negoceia praticamente inalterado com um avanço de 0,01%, para os 159,830 ienes, com a “nota verde” a fixar-se perto dos seus níveis mais fortes desde 2024, à medida que a rendibilidade das obrigações do Estado japonês com maturidade a dois anos atingiu o nível mais elevado em quase três décadas.
Já pela Europa, o euro negoceia de forma estável e desliza 0,03%, para os 1,152 dólares. Já a libra perde 0,10%, para os 1,332 dólares, caminhando para o seu quarto dia consecutivo de quedas, movimento acompanhado também pela moeda única.
Ouro avança mais de 1% mas caminha para nova semana de perdas
O ouro e a prata estão a negociar com ganhos nesta manhã, impulsionados por um dólar mais fraco, enquanto “traders” aproveitam a forte queda dos metais neste mês par reforçar posições. Ainda assim, o ouro caminha para uma quarta queda semanal consecutiva, à medida que a subida dos preços da energia alimenta os receios de uma escalada da inflação.
A esta hora, o ouro avança 1,34%, para os 4.434,600 dólares por onça. No que toca à prata, o metal precioso soma 1,49%, para os 69,075 dólares por onça.
Até agora nesta semana, o metal amarelo regista uma queda de cerca de 0,50% e a prata segue o caminho inverso, já que soma mais de 1,50% no conjunto da semana.
Os preços do ouro já caíram cerca de 16% desde que a guerra entre os EUA e Israel contra o Irão começou, com o ouro a ser pressionado neste mês por um dólar mais forte, que valorizou mais de 2% no mesmo período.
Devido ao conflito, os preços mais elevados do petróleo ameaçam fazer subir os custos de transporte e de produção, agravando as pressões inflacionistas. Embora a inflação normalmente aumente o apelo do ouro enquanto ativo-refúgio, as taxas de juro elevadas pesam sobre a procura por este ativo, que não rende juros.
Ainda assim, a derrocada do metal ao longo deste mês, aliado ao facto de a “nota verde” ter perdido algum terreno, estão a impulsionar a procura por estas “commodities”.
Ásia fecha sem rumo. Investidores pesam negociações contra possível escalada do conflito
Os principais índices asiáticos fecharam a última sessão da semana sem rumo definido, depois de Trump ter concedido ao Irão mais tempo para chegar a um acordo para pôr fim à guerra que já dura há um mês. Ainda assim, “incerteza” parece manter-se como a palavra-chave neste momento, enquanto os investidores continuam a pesar as conversações entre os Estados Unidos (EUA) e o Irão contra uma potencial escalada do conflito. Por cá, os futuros do Euro Stoxx 50 seguem a avançar 0,40%, enquanto pelos EUA os futuros do S&P 500 sobem cerca de 0,50%.
Pelo Japão, o Topix ganhou 0,19%. O Nikkei seguiu a tendência inversa e caiu 0,43%. Pela China, o Hang Seng de Hong Kong valorizou 0,48% e o Shanghai Composite avançou 0,63%. Por Taiwan, o TWSE recuou 0,68%, enquanto pela Coreia do Sul o Kospi caiu 0,40%.
Donald Trump adiou por mais 10 dias os ataques norte-americanos a infraestruturas energéticas no Irão dando um prazo mais longo para Teerão concordar com um cessar-fogo. Isto já depois de a República Islâmica ter ontem respondido formalmente ao plano de 15 pontos enviado pela Administração dos EUA, mantendo as suas exigências para acabar com a guerra, incluindo manter a soberania e controlo sobre o estreito de Ormuz.
O Índice MSCI All Country World continua a caminho do seu pior mês em mais de três anos, à medida que o conflito no Médio Oriente alimenta preocupações com uma inflação mais rápida e um crescimento económico mais lento. Uma nova subida dos preços do petróleo - ainda que contida - pesou sobre o sentimento dos investidores.
“Ao [Trump] prolongar o prazo, está, na prática, a adiar a decisão, adiando qualquer resolução concreta sobre a reabertura do estreito de Ormuz”, escreveu à Bloomberg Tony Sycamore, da IG Australia, numa nota. “Isto, por sua vez, apenas prolonga a incerteza que pesa sobre os mercados e a economia global em geral”, sublinhou o especialista.
Trump afirmou que as negociações com o Irão estavam a correr “muito bem”. Mas Teerão tem uma série de condições para pôr fim ao conflito, uma das quais é a garantia de que os EUA e Israel não retomarão os seus ataques. Isto visto que, no final do mês passado, o Irão foi atacado num momento em que estava em negociações com os EUA sobre o seu programa nuclear. E Kyle Rodda, da Capital.com, refere à agência de notícias financeiras que “a situação atual parece muito semelhante, com os mercados a posicionarem-se para uma potencial escalada no fim de semana”.
Brent caminha para subida recorde em março. Negoceia acima dos 109 dólares
Os preços do petróleo negoceiam com valorizações na sessão desta sexta-feira, à medida que os "traders" se preparam para uma guerra mais longa do que o inicialmente esperado, que poderá prolongar-se além de abril, enquanto os ataques continuam em todo o Médio Oriente, com o tráfego no estreito de Ormuz ainda praticamente paralisado.
O Brent – de referência para a Europa – sobe 1,38%, para os 109,50 dólares por barril. Já o West texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – avança 0,65% para os 95,09 dólares por barril.
Noutras matérias-primas, o gás natural negociado no Velho Continente avança agora mais de 2,36%, para os 56,525 euros por megawatt-hora.
O Presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, adiou por 10 dias o prazo para atacar o setor energético do Irão, prolongando a incerteza sobre o curso da guerra que já dura há um mês. “O mercado está a perceber que não há um fim certo para o conflito”, disse à Bloomberg Carl Larry, da Enverus. “Estamos a entrar noutro fim de semana com o risco ainda a apontar para o lado positivo”, acrescentou.
A prorrogação de Trump dá mais tempo para as negociações entre Washington e Teerão, mas também permite que os EUA reúnam forças adicionais na região. O Wall Street Journal afirmou que o Pentágono está a considerar enviar até 10 mil soldados adicionais para o Médio Oriente.
Nesta linha, a decisão do republicano “alivia um pouco a pressão no mercado a curto prazo, mas os riscos continuam a apontar para uma subida”, de acordo com Ewa Manthey, do ING Groep. Com cerca de 8 milhões de barris por dia de oferta já fora do mercado e um volume muito maior de fluxos através do golfo Pérsico ainda vulnerável, “é improvável que o prémio geopolítico diminua significativamente”, afirmou a mesma especialista.
Embora houvesse uma probabilidade de cerca de 60% de a guerra terminar até ao final de março, há agora 40% de probabilidades de um conflito mais prolongado, possivelmente até junho, de acordo com analistas do Macquarie Group citados pela Bloomberg. Este último cenário pode mesmo levar o petróleo a escalar para os 200 dólares por barril.
O Brent está a caminho de um ganho mensal recorde em março, com uma subida de mais de 50% desde o arranque do mês, à medida que a guerra entre os EUA, Israel e o Irão abala o Médio Oriente, região rica em petróleo e gás.