Tensões no Médio Oriente voltam a aquecer e atiram ouro para perdas. Dólar recupera terreno
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta segunda-feira.
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Dólar recupera terreno com Irão e EUA em rota de colisão. Euro recua de máximos de dois meses
O dólar norte-americano está novamente a avançar contra os seus principais rivais, depois de ter apagado todos os ganhos registados desde o estalar do conflito no Médio Oriente na semana passada, numa altura em que as tensões entre EUA e Irão voltam a aquecer e os investidores mostram-se menos certos de que a guerra por ver o seu fim no curto prazo.
A esta hora, o índice do dólar da Bloomberg - que mede a força da "nota verde" face às suas principais concorrentes - acelera 0,11%, depois de ter chegado a avançar mais de 0,3% esta segunda-feira. A divisa norte-americana está a beneficiar de uma renovada escalada nos preços da energia, que despertaram os receios dos mercados de uma inflação descontrolada e, por conseguinte, de um aperto monetário por parte da Reserva Federal (Fed) - o que tende a beneficiar o dólar.
Durante o fim de semana, e após uma sexta-feira que parecia promissora para o fim do conflito, as tensões entre EUA e Irão voltaram a aquecer. A República Islâmica decidiu encerrar novamente o estreito de Ormuz, acusando Washington de violarem o acordo de cessar-fogo ao manterem o seu próprio bloqueio, e os EUA intercetaram um cargueiro iranino no golfo de Omã - "abrindo um buraco" na sua sala de máquinas depois de este ter ignorado as ordens para parar.
"O caminho para uma saída duradoura do conflito vai ser sempre complicado e a evolução dos preços demonstra-o", afirma Richard Franulovich, diretor de estratégia cambial da Westpac Banking Corporation, à Bloomberg. "Ainda assim, o rumo das negociações aponta, em última análise, para uma redução das tensões, pelo que não consideramos que o dólar americano tenha fundamentos para uma recuperação sustentável", acrescenta.
Neste contexto, o euro recua 0,09% para 1,1755 dólares, depois de ter chegado a tocar nos 1,1848 dólares na sexta-feira - o nível mais elevado desde 18 de fevereiro. Já a libra cai 0,1% para 1,3502 dólares, enquanto a "nota verde" consegue acelerar 0,2% para 158,96 ienes.
Tensões no Médio Oriente voltam a aquecer e atiram ouro para perdas
Após uma semana de recuperação, o ouro está de novo a negociar em território negativo, pressionado por um novo bloqueio no estreito de Ormuz e nas negociações entre EUA e Irão para pôr fim à guerra no Médio Oriente. Uma resolução a curto prazo estava a dar esperanças aos investidores de que os riscos para a inflação pudessem ter atenuados, mas a recusa do regime de Mojtaba Khamenei de participar na segunda ronda de conversações e a apreensão de um navio iraniano por parte de Washington está a fazer com que os preços da energia voltem a disparar.
A esta hora, o metal amarelo recua 0,72% para 4.798,78 dólares por onça, tendo chegado a afundar quase 2% durante a madrugada. O ouro está a ser penalizado por uma nova escalada nos preços do petróleo e do gás natural, que voltaram a despertar receios dos investidores de uma inflação descontrolada e, por conseguinte, de novos apertos da política monetária por parte dos bancos centrais dos maiores blocos económicos do mundo.
Várias embarcações que tentavam atravessar o estreito de Ormuz - por onde passa um quinto de todo o petróleo e gás natural consumido no mundo - foram forçadas a abandonar a travessia no sábado, menos de 24 horas depois de o Irão ter anunciado que iria retomar a livre circulação da via marítima. Teerão entende que a manutenção do bloqueio norte-americano a navios iranianos é uma violação do cessar-fogo e um grande obstáculo para alcançar a paz no Médio Oriente.
As tensões aqueceram ainda mais no fim de semana quando os EUA intercetaram um cargueiro iraniano no golfo de Omã, "abrindo um buraco" na sua sala de máquinas depois de este ter ignorado as ordens para parar. Estes últimos incidentes põe em causa as perspetivas de um entendimento entre as delegações dos dois países antes do fim do frágil cessar-fogo alcançado há cerca de duas semanas - e que expira já na terça-feira.
"[O recuo nos preços do ouro] reflete um revés no sentimento de risco na sequência da reviravolta geopolítica ocorrida durante o fim de semana", explica Christopher Wong, estratega da Oversea-Chinese Banking Corp, à Bloomberg. "Mas ainda persistem as expectativas de que ambos os lados estejam a reforçar a sua posição antes da próxima reunião", diz ainda.
Incerteza no Médio Oriente faz disparar preços do petróleo e gás natural
O estreito de Ormuz está novamente fechado e o bloqueio de uma das vias marítimas mais importantes do comércio global já se faz sentir nos mercados internacionais. Os preços do petróleo e do gás natural voltaram a disparar esta segunda-feira, após sessões de alívios com as tensões a recuarem no Médio Oriente, numa altura em que os investidores estão menos esperançosos em relação ao fim do conflito no Golfo Pérsico e o Irão mostra-se menos disponível para avançar com uma nova ronda de negociações.
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Os principais índices asiáticos ainda conseguiram fechar a primeira sessão da semana em alta, mas o otimismo não deve chegar à Europa, numa altura em que os investidores estão a tentar avaliar os avanços e recuos nas negociações entre EUA e Irão. As tensões voltaram a aquecer durante o fim de semana, com Teerão a voltar a encerrar o estreito de Ormuz e a abandonar as conversações com Washington - depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter ameaçado destruir infraestrutura iraniana e ter mantido o bloqueio na via marítima.
"Parece, de certa forma, que estamos a andar às voltas", afirma Kerry Craig, estratega de mercados globais da JPMorgan Asset Management, à Bloomberg. Os mercados "estão a antecipar o que poderá ser o fim ou, pelo menos, o início do fim deste conflito", acrescenta, numa altura em que o cessar-fogo entre EUA e Irão está prestes a acabar e a possibilidade de existir uma nova ronda de negociações é ainda incerta.
Apesar de toda a indefinição, os investidores não se afastaram completamente do mercado acionista. O japonês Nikkei 225 conseguiu crescer 0,48%, tendo chegado a valorizar mais de 1% esta segunda-feira, enquanto os chineses Hang Seng e Shanghai Composite aceleraram 0,75% e 0,57%, respetivamente. Também o sul-coreano Kospi - um dos índices mais bem sucedidos do ano passado - saltou 0,68%, elevando os ganhos de 2026 para mais de 44%.
O otimismo manteve-se na sessão asiática, mesmo depois de Pequim ter revisto em baixa as suas previsões de crescimento este ano, apontando para um aumento do PIB entre 4,5% e 5% - a meta menos ambiciosa desde os anos 1990. Mesmo assim, no primeiro trimestre do ano, a economia chinesa conseguiu crescer 5% em termos homólogos, acelerando dos 4,5% registados no período anterior.
Pela Europa, a incerteza do conflito no Médio Oriente deve acabar por pesar na negociação, com os futuros do Euro Stoxx 50 a apontarem para uma queda superior a 1,3%. Os preços do petróleo voltaram a disparar esta segunda-feira, com o Brent - de referência para o continente - a negociar acima dos 95 dólares por barril, depois de o Irão ter voltado a encerrar o estreito de Ormuz.