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Lisboa contraria maré vemelha na Europa. Ouro e petróleo em alta

Acompanhe aqui minuto a minuto o dia nos mercados e as informações mais relevantes na situação geopolítica e económica mundial.

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bolsas mercados europa, alta, subida Reuters
07 de Junho de 2022 às 17:22
Europa aponta para abertura a vermelho. Banco central da Austrália derruba praças asiáticas

Na Ásia, os mercados terminaram o dia maioritariamente em queda depois do anúncio de um aumento das taxas de juro em 50 pontos base por parte do banco central australiano - o maior em 22 anos.

A decisão reacendeu o receio dos investidores em relação a uma recessão, com os mercados atentos agora aos dados da inflação e à reunião do Banco Central Europeu (BCE).

Na Europa, os futuros do Stoxx 50 caem 0,7%. Pela Ásia, no Japão, o Nikkei terminou a sessão a ganhar 0,10%, enquanto o Topix subiu 0,41%. Em Hong Kong, o Han Seng caiu 0,9%. A bolsa de Xangai desceu 0,21%. Já o Kospi, na Coreia do Sul, desvalorizou 1,64%.

Esta semana o BCE deve iniciar uma nova fase de política monetária no Velho Continente, à medida que a inflação continua a aumentar. Os decisores políticos vão contar com dados atualizados da economia e devem assim considerar um aumento das taxas de juro em julho.

Em cima da mesa estão não só os preços do consumidor que viram um aumento de 8%, mas também a inflação que, ao que indica a Bloomberg, não deve diminuir abaixo do "target" de 2% até 2024.

Reabertura da China continua a provocar subida do preço do petróleo

O petróleo está a valorizar esta terça-feira seguindo a reabertura da economia chinesa que deverá aumentar a procura desta matéria-prima nos próximos dias.

"Podemos ver um aumento na procura de petróleo com os carros que vão estar de volta nas maiores cidades e os portos que gradualmente regressam às operações normais", disse a analista do CMC Markets, Tina Teng, sobre a segunda maior economia mundial.

Apesar de ter sido aprovado um aumento da produção por parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) continuam a existir dúvidas sobre a possibilidade real desse incremento, já que muitos países não têm capacidade de produzir mais.

O West Texas Intermediate – negociado em Nova Iorque – sobe 0,51% para 119,11 dólares por barril. Já o Brent do Mar do Norte, referência para as importações europeias, valoriza 0,66% para 120,14 dólares por barril, seguindo acima dos 120 dólares por barril.

Ainda hoje, o American Petroleum Institute (API) divulga os números relativos aos stocks de petróleo no país na semana que terminou a 3 de junho. Na semana que encerrou a 27 de maio, os Estados Unidos registaram uma queda de 1.181 milhões de barris de ouro negro.

Dólar regista maior valorização face ao yuan em 20 anos. Ouro sobe

O ouro está a valorizar nos mercados internacionais, ao mesmo tempo que o dólar se mantém firme depois de ter registado a maior valorização face ao yuan em vinte anos. O mercado tem vindo a acompanhar de perto os dados da inflação nos EUA e a política monetária da Fed.

O ouro continua a ser o ativo refúgio dos investidores por excelência e deverá também valorizar. Numa conferência sobre o ativo em Singapura, foram deixados alertas sobre a incerteza económica que poderá levar o preço do metal precioso acima dos dois mil dólares por onça.

"Os fundamentos da economia e da geopolítica apoiam mais o ouro em alta do que em baixa", indica à Bloomberg, a analista do StoneX Group, Rhona O’Connell.

O metal amarelo valoriza 0,22% para 1.845,44 dólares por onça. Nos outros metais o paládio sobe 0,82%, ao passo que a platina cai 0,99%.

Já o dólar segue a ganhar contra o yuan (0,59%), mas a depreciar-se face ao euro (-0,05%). Em relação à libra esterlina a divisa norte-americana ganha força (0,13%), isto depois do primeiro-ministro britânico ter conseguido ganhar uma moção de censura no parlamento.

Face ao franco suíço, o dólar valoriza 0,3%.

Juros aliviam. "Yield" portuguesa a 10 anos bate os 2,5%

Os juros das dívidas soberanas a dez anos na zona euro estão em tendência decrescente. Apesar disso, a "yield" da dívida portuguesa chegou a atingir esta manhã 2,5%, mas está agora a aliviar 3 pontos base para 2,465%.

As bunds alemãs a dez anos – "benchmark" para o mercado europeu — recuam 1,9 pontos base para 1,297%. Há mais de um mês que os juros da dívida germânica a dez anos estão acima de 1%. Em França, os juros da dívida abrandam 2,5 pontos base para 1,811%.

Os juros da dívida italiana são os que mais recuam, 6,8 pontos base para 3,334%, o alívio mais expressivo entre os 19 estados. Já a yield das obrigações espanholas subtrai 4 pontos base para 2,426%.

Já o Reino Unido segue a tendência europeia, mas é o país que regista o menor recuo do velho continente depois do primeiro-ministro, Boris Johnson, ter ganho uma moção de censura, mas continua a ser contestado por membros do próprio partido. A yield das obrigações britânicas recua apenas 0,4 pontos base para 2,241%.

Apesar da venda rápida de ações no mercado bolsista, a "yield gap" entre ações e obrigações é uma das mais baixas desde 2008. Ou seja, para acautelar os riscos existentes no mercado bolsista as ações vão precisar de ter ganhos mais elevados, adianta à Bloomberg um analista do Goldman Sachs, Christian Mueller-Glissmann.

Esta semana é esperado que o BCE valide o fim do programa de compra de ativos, já no início de julho, e que a primeira subida de juros aconteça também nesse mês.

Com olhos postos na reunião do BCE, Europa tinge-se de vermelho

As principais bolsas europeias estão a negociar no vermelho, à espera da reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), que vai decorrer esta quinta-feira.

O índice de referência para o continente europeu, o Stoxx 600, tem registado perdas nos quatro dos cinco meses deste ano, o que torna o mercado mais atrativo devido à diminuição do preço das ações. No entanto, num ano marcado pelo aumento da inflação e receios de uma recessão económica, os investidores não estão a querer correr riscos.

O Stoxx 600 perde 0,48% para 442 pontos. A liderar as perdas está o setor dos media, com as telecomunicações e a tecnologia a sustentarem o índice em terreno negativo. Do outro lado da barricada, estão apenas o setor dos recursos básicos e o petróleo e gás que vão registando ganhos pouco significativos, cerca de meio por cento.

 

Nas principais praças do Velho Continente, o alemão DAX é o que mais perde e regista um decréscimo de 0,82%, seguido do índice de Milão, FTSEMIB, a desvalorizar 0,75% e o AEX, em Amesterdão, a ceder 0,74%. Já o francês CAC-40 perde 0,67% e o espanhol IBEX subtrai 0,17%. A negociar na linha de água está o índice londrino FTSE 100 que perde 0,01%.

Em contraciclo com a Europa, está Lisboa, com o PSI a ganhar 0,15%.

Apetite pelo risco diminui. Wall Street arranca no vermelho
Apetite pelo risco diminui. Wall Street arranca no vermelho

Wall Street arrancou a sessão em território negativo, numa altura em que a atração do mercado pelo risco diminui, numa altura em que os investidores temem que a política monetária "falcão" possa abrandar a economia norte-americana.

 

O industrial Dow Jones derrapa 0,62% para 32.717,08 pontos, enquanto o "benchmark" mundial por excelência S&P 500 desvaloriza 0,63% para 4.095,51 pontos. Por sua vez, o tecnológico Nasdaq Composite perde 0,84% para 11.962,74 pontos.

 

Entre os principais movimentos de mercado destaca-se o tombo de 5,70% das ações da Target Corp, depois de a retalhista ter voltado a cortar, em menos de três semanas, as previsões de lucros para este ano e ter sido revelado que a companhia está a cortar nas encomendas aos fornecedores, devido a uma redução da procura. Em maio a empresa já tinha dado conta que o lucro tinha mergulhado 52% em termos homólogos.

 

Os investidores temem que a política monetária restritiva da Reserva Federal norte-americana trave o crescimento económico. "A conjugação de abrandamento económico, subida contínua das taxas de juro e o declínio da liquidez é muito má para as ações", alerta James Athey, diretor de investimentos da abrdn.

 

Paralelamente, o Goldman Sachs alerta numa nota de "research" citada pela Bloomberg, que além da incerteza perante a possibilidade de abrandamento económico, o aumento dos juros da dívida norte-americana a dez anos está a virar os investidores para o mercado obrigacionista. Os juros das obrigações dos EUA a dez anos negoceiam acima da fasquia dos 3%, três dias antes de ser divulgado o índice de preços no consumidor em maio.

Petróleo sobe com recuo do dólar
Petróleo sobe com recuo do dólar

Os preços do "ouro negro" seguem em terreno positivo, animados pela inversão dos ganhos da nota verde.

 

O facto de o dólar estar agora a desvalorizar, ainda que marginalmente, ajuda à tendência de subida da matéria-prima, uma vez que os ativos denominados na nota verde, como é o caso do petróleo, ficam mais atrativos para quem negoceia com outras moedas.

 

Em Londres, o contrato de agosto do Brent do Mar do Norte, que é a referência para as importações europeias, segue a somar 0,71% para 120,36 dólares por barril.

 

Já o West Texas Intermediate (WTI), "benchmark" para os Estados Unidos, cede 0,69% para 119,32 dólares por barril.

Estagflação aponta ouro para novo "rally" até aos dois mil dólares, antecipam especialistas
Estagflação aponta ouro para novo 'rally' até aos dois mil dólares, antecipam especialistas

O ouro segue a valorizar numa altura em que os analistas antecipam a possibilidade de um novo "rally" devido à possibilidade de um cenário de estagflação.

 

O metal amarelo soma 0,78% para 1.851,73 dólares por onça. Desde que alcançou um pico em meados de março, o "rei" dos metais já caiu cerca de 10%.  Os analistas antecipam que um cenário de estagflação pode levar o ouro a atingir a fasquia dos 2 mil dólares por onça.

 

"Estamos a caminho de um período de estagflação e neste tipo de cenário os ativos refúgio por excelência são a prata e o ouro", defende Gregor Gregersen, fundador da Silver Bullion, citado pela Bloomberg.

 

Gregor Gregersen antecipa que o metal amarelo pode alcançar os 2.000 dólares a onça já este ano e pode ir para além deste patamar se se verificar um fenómeno de "cisne negro", um evento inesperado que penalize ainda mais a economia. Já a prata deve, na ótica do especialista, tocar nos 26 dólares por onça até ao final do ano.

 

Também Rhona  O’Connell, responsável pelo departamento de "research" para o mercado asiático do StoneX Group, prevê em declarações à Bloomberg que se o ouro ultrapassar a linha de resistência dos 1.930 dólares pode chegar aos 2.000 dólares. "Os fundamentos económicos e geopolíticos são favoráveis ao ouro", justifica.

Dólar e euro negoceiam na linha d' água
Dólar e euro negoceiam na linha d' água

No mercado cambial, o índice do dólar da Bloomberg – que mede a força do "green cash" contra dez divisas rivais – negoceia na linha d’ água (-0,05%) para 102,384 pontos, depois de ter negociado no verde pelo terceiro dia consecutivo, à medida que os investidores procuram a moeda norte-americana como ativo refúgio, numa altura em que tem diminuído o apetite pelo mercado de risco.

 

Por sua vez, o euro negoceia também na linha d’água (0,048%) para 1,0696 dólares, numa altura em que o mercado se prepara para a reunião do Banco Central Europeu que decorre esta quinta-feira, e durante a qual a autoridade monetária irá indicar se sobe já as taxas de juro diretoras pela primeira vez desde 2011.

 

No Reino Unido, a libra cai 0,3% para 1,2493 dólares, um dia depois de os deputados do Partido Conservador críticos de Boris Johnson não terem reunido votos suficientes para aprovar uma moção de censura conta o primeiro-ministro britânico.

Lisboa brilha numa Europa pintada de vermelho
Lisboa brilha numa Europa pintada de vermelho

A Europa encerrou a sessão pintada predominantemente de vermelho com apenas Lisboa e Madrid em contraciclo, numa altura em que o apetite pelo risco diminui devido à expectativa do possibilidade de um abrandamento económico e ao advento de uma política monetária "falcão".

 

O Stoxx 600 terminou a sessão a perder 0,28% para 442,88 pontos, ainda que durante a tarde uma queda dos juros da dívida norte-americana a dez anos tenha trazido de volta os compradores, atenuando as perdas. Tecnologia e retalho comandaram as quedas, enquanto energia e mineração registaram as maiores subidas.

 

O "benchmark" europeu registou perdas em quatro dos cinco meses deste ano atraindo os "dip buyers", no entanto a inflação e a agressividade dos bancos centrais na condução de uma política monetária restritiva mantiveram o apetite moderado pelo risco.

 

Nas restantes praças europeias, Frankfurt perdeu 0,66%, Paris desvalorizou 0,74%, Londres derrapou 0,12%, Amesterdão caiu 0,38% e Milão recuou 0,81%. Já Lisboa renovou máximos de quase oito anos, tendo encerrado a sessão a somar 1,21%, enquanto Madrid fechou na linha d’água (0,06%).

 

"A questão chave [agora] para os mercados é saber se Chrstine Lagarde irá manter a porta aberta para um possível aumento das taxas de juro em 50 pontos base", comentou Laura Cooper, estratega sénior da BlackRock, citada pela Bloomberg. O Banco Central Europeu reúne-se esta quinta-feira.

Menos apetite pelo risco alivia juros na Europa

A dívida soberana dos países do euro está a revelar mais atratividade aos olhos dos investidores, que estão menos propensos a ativos de maior risco, como as ações, e privilegiam ativos mais seguros, como é o caso das obrigações soberanas – e a maior aposta na dívida faz descer os juros.

 

Os juros da dívida portuguesa a 10 anos seguem a recuar 6,2 ponto base para 2,433%.

 

Em Itália, na mesma maturidade, os juros afundam 12,5 pontos base para 3,278%, ao passo que em Espanha cedem 7,5 pontos base para 2,391%.

 

As "yields" das Bunds alemãs a 10 anos, referência para a Europa, seguem a mesma tendência, a perderem 3 pontos base base para 1,287%.

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