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Juros da dívida caem, petróleo recua e euro valoriza

Acompanhe aqui o dia dos mercados.

Ana Batalha Oliveira anabatalha@negocios.pt 28 de Maio de 2020 às 17:05
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Bolsas sem rumo certo com tensões EUA-China a ganharem palco

Os mercados de capitais têm mostrado sucessivos ganhos, apoiados nos sinais positivos dados pela reabertura das economias, mas a sombra das tensões crescentes entre os Estados Unidos e a China, que tem ficado em segundo plano, acaba de ganhar forma.

A bolsa de Hong Kong desceu a níveis próximos daqueles testados no início da pandemia, com o índice Hang Seng a resvalar 1,8%, depois de a Casa Branca ter declaro que não já não pode certificar a autonomia política de Hong Kong, numa altura em que se levantam protestos na cidade contra uma nova lei de segurança que o Governo chinês quer implementar.

Os investidores receiam que estas declarações se desenvolvam no sentido de aplicar sanções à China e, nos Estados Unidos, os futuros do índice generalista de referência S&P500 já estão no vermelho, depois de na última sessão terem tocado um pico de 12 semanas.

Na Ásia, também o coreano Kospi desceu mais de 1% e o Compósito de Xangai caiu quase 0,5%. Contudo, O japonês Topix e o Australiano S&P/ASX 200 subiram, à semelhança do que acontece com os futuros do europeu Stoxx 50.

Ainda a dar alguma esperança estão as declarações do presidente da Reserva Federal do banco de St. Louis, James Bullard, que afirmou que a economia americana poderá já ter tocado no fundo. "Eventualmente veremos uma recuperação mas para ser honesto penso que os analistas estão ainda demasiado otimistas acerca dos lucros corporativos" afirmou David Kelly, da JPMorgan Asset Management, em declarações à Bloomberg.

Surpresa nas reservas reforça perdas do petróleo
Surpresa nas reservas reforça perdas do petróleo

O barril de petróleo está a reforçar as perdas da sessão anterior depois de ter sido lançado um relatório pouco animador: os inventários de crude nos Estados Unidos aumentaram pela primeira vez em três semanas, dando sinais negativos sobre o excesso de oferta.

Já há três semanas que o ouro negro não deslizava dois dias seguidos. Em Nova Iorque, as perdas são de 2,80% para os 31,89 dólares, enquanto em Londres se vê uma descida de 1,55% para os 34,20 dólares no barril de Brent.
O Instituto de Petróleo Americano reportou que as reservas aumentaram 8,73 barris na semana passada, de acordo com pessoas familiarizadas com estes dados, citadas pela Bloomberg. Caso o número seja confirmado oficialmente, ainda esta quinta-feira, seria a subida mais alta registada este ano.

O rally dos preços do petróleo começou a abrandar esta quarta-feira, depois de a Rússia ter sinalizado que pretende recuar nos cortes de produção que foram acordados entre os maiores exportadores de petróleo. Isto, apesar de mais tarde o presidente russo, Vladimir Putin, e o príncipe da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, terem acabado por reiterar o seu compromisso.

BCP impulsiona PSI-20
A bolsa nacional abriu em alta, com o principal índice, o PSI-20, a somar 0,69% para os 4.334,34 pontos. A contribuir estão 15 cotadas, contra apenas duas a descer e outra inalterada.

Lá fora, duas forças competem pela atenção dos investidores, mas é a primeira, mais positiva, que ganha. Por um lado, há um otimismo generalizado quanto à reabertura das economias, que para já apoia a esperança de que o pior da pandemia em termos económicos já passou. Por outro, as tensões entre os Estados Unidos e a China vivem mais um episódio, depois de Washington ter assinalado que, nas atuais condições, não poderia considerar Hong Kong uma região autónoma. Esta constatação aviva o receio de que a Casa Branca avance com sanções ao Governo chinês. 

Por cá, o BCP afirma-se no verde com uma subida de 2,51% para os 10,23 cêntimos.

Logo no encalço do BCP aparece a Altri, a somar 2,15% para os 4,46 euros, no dia em que esta cotada, à semelhança da Semapa, vai apresentar resultados.

Europa mantém semana imaculada com desconfinamento a abafar tensões

As principais praças europeias seguem no verde, num dia em que as tensões entre os Estados Unidos e a China sobem de tom mas o otimismo em relação à abertura das economias parece sobrepor-se na mente dos investidores.

O Stoxx600, o índice que agrega as 600 maiores cotadas do Velho Continente, está a avançar pela quarta sessão consecutiva, somando 0,76% para os 352,42 pontos. O setor do turismo mostra maiores ganhos, de mais de 2,5%.
Entre as principais praças, Amesterdão, Paris e Lisboa destacam-se na frente, com subidas de mais de 1%.

Os investidores continuam otimistas em relação à reabertura das economias. A dar força estão as declarações do presidente da Reserva Federal do banco de St. Louis, que afirmou que a economia americana já terá tocado no fundo, pelo que agora, resta recuperar.

Os mercados passam assim ao lado dos novos desenvolvimentos nas tensões entre os Estados Unidos e China. Washington afirmou que, na situação atual, não pode reconhecer a autonomia a Hong Kong, o que aviva receios de que a Casa Branca possa avançar com sanções a Pequim.

China trava queda do yuan

O chinês yuan estava a aproximar-se de um mínimo histórico na última sessão, uma quebra que surgiu uma vez que a depreciação da moeda pode ser a arma escolhida pela China para retaliar contra os Estados Unidos. Contudo, Pequim decidiu aparar a queda.

O Banco Popular da China fixou a referência diária nos 7,1277 na quinta-feira, colocando a fasquia acima do esperado. A moeda subiu 0,1% para os 7,1699 dólares.

Desta forma, a China sinaliza que não pretende, pelo menos para já, utilizar a desvalorização do yuan para apoiar as exportações.

Na Europa, a moeda única cai 0,11% para os 1,0994 dólares.

Juros de Portugal derrapam há nove sessões

Os juros da dívida a dez anos de Portugal estão a descer pela nona sessão consecutiva, desta vez, 0,03 pontos base para os 0,622%. A remuneração exigida pelos investidores está nos mesmos níveis que a 27 de março, os primórdios da pandemia.

O alívio chega numa altura de otimismo em relação à reabertura das economias, que se vive um pouco por toda a Europa. Esta quinta-feira, a vizinha Espanha também desce, mas, ainda assim, os juros portugueses mantêm-se abaixo dos do país vizinho, uma marca que já tinha sido alcançada na última sessão.

A referência europeia, a Alemanha, recua 1,1 pontos base nos juros, para se colocar nos -0,426%.

Ouro protege das tensões EUA-China

O ouro inverte hoje as perdas das últimas três sessões, ganhando 0,68% para os 1.721,10 dólares por onça.

As tensões entre os Estados Unidos e a China abalaram algumas bolsas asiáticas, nomeadamente a chinesa e a sul coreana, e estão a ditar uma quebra nos futuros das ações norte-americanas. Neste cenário, o ouro beneficia do estatuto de ativo refúgio e conquista mais investidores.

Wall Street com pouco fôlego pressionada por tensões com China e dados económicos

A bolsa de Nova Iorque abriu maioritariamente no verde mas com pouco fôlego numa altura em que forças opostas causam desequilíbrios. A empurrar para o vermelho está a crescente tensão entre os Estados Unidos e a China, assim como as revisão em baixa da evolução da economia americana nos primeiros três meses do ano, que desiludem. Por outro lado, a permitir algum alívio entre os investidores, estão os dados do emprego, assim como os estímulos na Europa.

O generalista S&P500 sobe 0,18% para os 3.041,60 pontos, o industrial dow Jones avança 0,32% para os 25.630,30 pontos e o tecnológico Nasdaq desliza uns tímidos 0,1% para os 9.404,94 pontos.

Wall Street consegue desta forma manter um registo maioritariamente positivo, numa altura em que os estímulos económicos na Europa estão mais perto de avançar e os pedidos de subsídio de desemprego registados na semana passada vão de encontro ao esperado, os 2,1 milhões. Ao mesmo tempo, pela primeira vez desde que rebentou a pandemia, o número de pedidos ativos reduziram-se para os 21 milhões.

A travar um melhor desempenho dos índices está a tensão entre Estados Unidos e China, depois de Washington ter asseverado que não poderá reconhecer a independência de Hong Kong nas condições atuais, lançando receios de que a Casa Branca avance com sanções à China.

Também a pesar pela negativa está a revisão em baixa do produto interno bruto (PIB) dos Estados Unidos relativo ao primeiro trimestre, que deverá ter sofrido uma quebra de 5% em vez dos 4,8% que eram esperados.

Já no que toca ao emprego, os novos pedidos de subsídio de desemprego cifraram-se em 2,1 milhões, em linha com o esperado, mas os pedidos desta prestação social por pessoas sem emprego há pelo menos duas semanas recuou pela primeira vez desde o início da pandemia.

Juros de Portugal caem há 9 dias, série mais longa em ano e meio
Os juros das dívidas públicas dos países que integram a Zona Euro voltam esta quinta-feira a beneficiar do otimismo quando à capacidade de resposta e resiliência das economias do bloco do euro relativamente aos efeitos da pandemia.

A taxa de juro associada às obrigações soberanas de Portugal a 10 anos afunda 8 pontos base para 0,538% (valor novamente inferior à "yield" espanhola no mesmo prazo) para mínimos de 11 de março na nona sessão consecutiva a aliviar (a mais longa série em queda desde 30 de novembro de 2018).

Sendo os dois países mais atingidos pela pandemia, Itália e Espanha serão também os maiores beneficiários do fundo de recuperação ontem proposto por Bruxelas. Não espanta que também os juros das dívidas de Roma e Madrid sigam a aliviar.

As "yields" correspondentes aos títulos de dívida com maturidade a 10 anos da Itália e da Espanha recuam respetivamente 6,9 e 6 pontos base para 1,427% e 0,579%, estando ambas em mínimos de 30 de março.

Também a taxa de juro associada às "bunds" alemãs cai 0,9 pontos base para -0,425%.
Forte aumento dos stocks nos EUA pressiona petróleo

As cotações do "ouro negro" seguem em baixa nos principais mercados internacionais, pressionadas pelo aumento – avultado e inesperado – das reservas de crude nos EUA.

O West Texas Intermediate (WTI), "benchmark" para os Estados Unidos, para entrega em julho recua 0,37% para 32,69 dólares por barril.

Já o contrato de julho do Brent do Mar do Norte, crude negociado em Londres e referência para as importações europeias, segue a perder 0,66% para 34,51 dólares.

Os preços estão a refletir o inesperado aumento dos inventários norte-americanos de crude, que na semana passada registaram um incremento de 7,92 milhões de barris, quando o mercado esperava uma redução de 1,94 milhões de barris – na semana anterior, os stocks tinham diminuído em 4,98 milhões, o que animou grandemente os investidores.

Esta subida, que além de ter sido uma surpresa foi também volumosa, está a dissipar as expectativas de uma retoma sustentada da procura de combustível numa altura em que as medidas de confinamento começam a ser flexibilizadas um pouco por todo o mundo.

Além disso, o crescente clima de tensão entre os EUA e a China poderá pesar nas empresas a nível mundial e na procura de petróleo – que já foi bastante penalizada pela pandemia de covid-19.

Ontem, a Câmara dos Representantes enviou para Donald Trump o projeto de lei que prevê sanções à China pela detenção e tortura de muçulmanos uigures.

Esta é apenas mais uma frente de tensão entre Washington e Pequim. No dia 21 de maio, o Senado aprovou um projeto de lei que visa obrigat as empresas chinesas a seguirem as regras contabilísticas dos Estados Unidos, sob pena de poderem ser expulsas de bolsa. Falta agora a proposta legislativa ser votada na Câmara dos Representantes – e se também aí tiver luz verde, segue para homologação do presidente.

Por outro lado, os senadores norte-americanos anunciaram na semana passada que pretendem apresentar um projeto de lei no sentido de sancionar os dirigentes chineses devido à nova lei de segurança nacional para Hong Kong.

Com esta nova lei de segurança nacional, Pequim visa apertar o controlo em Hong Kong, restringindo a atividade da oposição para conter novos episódios de confrontos dos ativistas pela democracia.

Por esta razão, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, notificou ontem o Congresso de que a Administração Trump já não considera Hong Kong um território autónomo da China continental.

A China e os EUA mantiveram um duro braço de ferro comercial durante cerca de ano e meio, com sanções impostas de parte a parte – e com a maioria ainda em vigor. Agora, nas últimas semanas, crescem as fricções noutras frentes.

Euro anima com proposta de Bruxelas e avança para máximo de dois meses
A moeda única europeia aprecia 0,47% para 1,1058 dólares na terceira sessões consecutiva a valorizar nos mercados cambiais contra a divisa norte-americana, o que permite ao euro transacionar no valor mais elevado em praticamente dois meses (desde 30 de março) face ao dólar.

A subida do euro está a ser potenciada pelo otimismo decorrente da proposta reforçada que a Comissão Europeia fez para o plano de recuperação da União Europeia.

A instituição liderada por Ursula von der Leyen avança um valor acumulado de 2,4 biliões de euros destinado a apoiar a recuperação com reformas orientadas para a transição ambiental e digital, assim como para proteger o mercado único europeu.

Por outro lado, dos 750 mil milhões que propõe para o fundo de retoma, a Comissão quer distribuir dois terços (500 mil milhões) através de subsídios a fundo perdido de modo a não agravar as condições orçamentais e de financiamento dos Estados-membros mais endividados. Apenas os restantes 250 mil milhões deverão ser atribuídos a título de empréstimos, segundo a proposta ontem conhecida.
Europa em máximos de março com reabertura da economia a animar
As principais praças europeias terminaram novamente em alta, com o Stoxx 600 - índice que reúne as 600 maiores cotadas da região - a subir 1,65% para os 355,47 pontos, o que representa um máximo desde 10 de março. 

A animar o sentimento dos investidores continuam os planos de reabertura das economias, um pouco por todo o mundo, que voltam a trazer a procura pelo consumo para níveis superiores. 

O cenário geral foi impulsionado também pelos declarações do presidente da Reserva Federal do banco de St. Louis, que afirmou que a economia americana já terá tocado no fundo, pelo que agora, resta recuperar. Hoje, Wall Street segue a negociar também em alta.

Este otimismo ofusca, o agudizar de tensões entre os Estados Unidos e China, após Washington ter afirmado que não pode reconhecer a autonomia a Hong Kong, o que aviva receios de que a Casa Branca possa avançar com sanções a Pequim.

Entre os setores na Europa, o do retalho foi o que teve o melhor desempenho com um ganho de 2,67%, enquanto que o da banca caiu 0,19%. 

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