Obrigações BCP paga juro de 9,25% para emitir 400 milhões em dívida perpétua. Procura duplica oferta

BCP paga juro de 9,25% para emitir 400 milhões em dívida perpétua. Procura duplica oferta

As obrigações que o BCP emitiu são passíveis de serem reembolsáveis ao fim de 5 anos. A procura duplicou a oferta e a taxa de juro foi fixada nos 9,25%.
BCP paga juro de 9,25% para emitir 400 milhões em dívida perpétua. Procura duplica oferta
 Bruno Colaço

O Banco Comercial Português decidiu mesmo avançar com a emissão de dívida perpétua, tendo como objetivo colocar 400 milhões de euros em instrumentos de fundos próprios adicionais de nível 1 (AT1), que têm um nível de risco superior aos outros títulos de dívida subordinada.   

 

De acordo com a Bloomberg, a operação arrancou esta manhã com uma taxa de juro indicativa de 9,5%, tendo a taxa de cupão final sido fixada em 9,25%, o que representa uma descida ligeira de 25 pontos base.

De acordo com a mesma fonte, a procura já atingiu os 825 milhões de euros, pelo que a colocação de 400 milhões de euros está garantida ao superar o montante inicial pretendido em mais de duas vezes.  

 

Os títulos (perpNC5 AT1) poderão ser reembolsados no final do prazo de cinco anos, caso o BCP o pretenda.

 

O banco liderado por Miguel Maya tinha revelado na terça-feira que estava a preparar uma emissão de dívida subordinada perpétua para reforçar os rácios de capital, tendo para o efeito contratado vários bancos para explorar essa possibilidade. Para tal mandatou o "Millennium BCP, o Credit Suisse Securities, o JPMorgan e o UBS Investment Bank para organizarem um conjunto de reuniões com investidores qualificados em Lisboa, Londres e Paris, a terem lugar a 23 de janeiro".

 

O banco acabou por avançar com emissão, que está esta quinta-feira no mercado, isto depois de a EDP ter ontem colocado mil milhões de euros em títulos de dívida verde híbridos. Na mesma semana, duas das maiores cotadas nacionais estão a lançar emissões de dívida exótica, aproveitando o apetite dos investidores por Portugal.


Dívida de maior risco

A emissão de dívida AT1 para reforçar os rácios de capital, como a que o BCP está a realizar, é considerada mais arriscada, por ser a primeira a enfrentar perdas em caso de resolução da instituição. E é, por isso, tendencialmente mais cara para as instituições financeiras, dai que a taxa de juro que o BCP está a oferecer aos investidores esteja próxima dos dois dígitos.

Até setembro do ano passado, o BCP apresentava um rácio de capital Common Equity Tier 1 de 11,8%, o que representou um reforço face aos 11,7% no período homólogo. 

Segundo tinha revelado o BCP na terça-feira, a operação conta ainda com o "mecanismo de redução temporária do respetivo valor nominal em caso de verificação de um nível de fundos próprios principais de nível 1 de 5,125%, que se pretende que venha a preencher os requisitos regulamentares para poder ser classificada como instrumento de fundos próprios adicionais de nível 1". 


Antes do BCP, também a CGD avançou com uma emissão de dívida AT1 para reforçar os rácios de capital.

No âmbito da sua operação de recapitalização acordada com Bruxelas, a CGD emitiu 500 milhões de euros de títulos AT1 em 2017, com uma taxa de juro de 10,75%. Estes títulos negoceiam atualmente com uma "yield" de 6,76%. Já o ano passado colocou mais 500 milhões de euros em títulos AT2 com uma taxa de 5,75%. 

De acordo com a Bloomberg, a taxa que o BCP está a oferecer aos investidores é a mais elevada em dois anos na banca europeia, precisamente desde a emissão da CGD. A emissão do BCP "é um bom teste ao apetite do mercado pelo risco", disse à Bloomberg Paola Biraschi, analista do CreditSights, que coloca nos 8% o valor justo dos títulos emitidos pelo BCP.

"O mercado de dívida e nomeadamente o mercado de dívida subordinada apresenta neste momento taxas de juro interessantes em relação ao risco de crédito implícito dos emitentes e em relação as taxas de juro de referência dos bancos centrais", explica Amit Maugi. gestor da IMGA. Os "investidores profissionais estão nesta fase do início do ano a demonstrar um interesse particular pelo mercado de dívida devido ao binómio risco/retorno desta classe de ativos", acrescentou.

(Notícia atualizada às 13:25 com indicação da taxa final)




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