Taxas de juro Conheça a oferta dos bancos que dão melhor juro a quem domiciliar salário

Conheça a oferta dos bancos que dão melhor juro a quem domiciliar salário

O Negócios analisou a oferta dos bancos para depósitos a prazo e o que pedem para dar melhores juros. Veja o resultado para oito instituições.
Bloomberg Bruno Simão Rafael Marchante/Reuters
Raquel Godinho 17 de setembro de 2016 às 10:00
"Quer aumentar a sua taxa? Use o seu ordenado". É o BCP quem o diz no seu site. Mas não é o único. Vários bancos nacionais têm vindo a comercializar depósitos a prazo com uma taxa de juro mais elevada para os clientes que aceitem aumentar o seu envolvimento. Ou seja, se domiciliar o ordenado, por exemplo, pode conseguir uma remuneração melhor.

Uma pesquisa pelos sites dos 19 bancos a operar no mercado nacional permite constatar que oito instituições oferecem actualmente depósitos com remuneração dependente do número de produtos subscritos. ActivoBank, BIC, BPI, BCP, Popular, Bankinter, Montepio e até o recente Banco CTT têm na sua oferta estes depósitos a prazo. "É uma tendência crescente", explica João Sousa, economista da Deco.

"Percebe-se que há apetite por taxas de juro mais altas e, por esse motivo, os bancos utilizam-nas como chamariz", adianta Filipe Garcia. Em Julho, o juro médio das novas aplicações a prazo para as famílias igualou o mínimo histórico de 0,40% atingido em Maio, de acordo com os dados divulgados pelo BCE. "Os clientes, ao terem de cumprir determinadas condições, acabam por dar ao banco alguma rentabilidade, que depois lhe ‘devolve’ sob a forma de depósitos", acrescenta o economista da IMF.
  
O Montepio é o banco que oferece a taxa de juro mais elevada. Nos 12 meses do depósito, o "Montepio 4D" paga uma remuneração média de 1,3%. Para a conseguir, os clientes devem susbcrever, pelo menos, quatro de um conjunto de produtos: conta montepio ordenado, cartão de débito, cartão de crédito, seguro de protecção da Lusitania/Lusitania Vida, serviço Montepio24 e pelo menos duas autorizações de pagamento. Caso contrário, contam com uma remuneração média de 0,25%.

Mas, em alguns casos, os clientes podem mesmo não receber remuneração, por não cumprirem as condições acordadas. É o que acontece no "Poupança Ordenado" do BCP, um depósito com um prazo de 30 dias, renovável automaticamente. Neste caso, a taxa anual nominal bruta (TANB) é de 0,10%, sendo de zero quando nos meses em que o cliente não domiciliar o salário.  E, no caso do Popular, à taxa de juro base de 0,250% acrescem 0,2% a cada novo produto subscrito pelos clientes.

"Esta questão acaba por ser negativa, na nossa opinião, pois os bancos tentam aliciar os clientes oferecendo rendimento numa conta em troca da subscrição de outros produtos que podem acarretar o pagamento de encargos, nomeadamente comissões", sublinha João Sousa. Nesse sentido, o economista da Deco alerta que os clientes devem "comparar as várias instituições para conseguir a melhor taxa".

Filipe Garcia sublinha que esta já era uma estratégia seguida pelos bancos, "o que muda é o chamariz. Por vezes trata-se de juros mais altos, outras vezes de devolução de compras com o cartão, vales de hotéis, redução de ‘spreads’ em crédito etc, mas o objectivo é sempre o mesmo: reforçar e concentrar o envolvimento". "Com a importância crescente do comissionamento nas receitas dos bancos, é fulcral atrair e reter o cliente de forma a que recorram aos serviços apenas desse banco", conclui o economista.



Saber mais e Alertas
pub