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“Não há tempo a perder para se tornar digital”

“A crise também aguça a necessidade. Se alguém tinha dúvidas se deveria fazer um site e comércio online, esta crise mostrou que tem mesmo de fazer e quanto mais cedo o fizer melhor”, diz Alexandre Nilo Fonseca.

Filipe S. Fernandes 25 de Junho de 2020 às 15:45
João Torres, secretário do Estado do Comércio, e Alexandre Nilo Fonseca, presidente da ACEPI. João Bica
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O ponto de situação em abril, com dados pré-covid, mostrava que o programa Comércio Digital nas cidades onde se realizaram as primeira 50 sessões do roadshow, "se verificara um maior número de registos de domínio.pt e a criação de novos sites", refere Alexandre Nilo Fonseca, presidente da ACEPI. Adianta que "um número significativo de empresas, que não passou pelo roadshow, ouviu falar no programa, acedeu ao site, foi impactado pela publicidade, pela informação nos jornais, na televisão, na rádio", e "cerca de 25% das empresas de comércio e serviços conheciam o projeto".

"O projeto comércio digital teve uma vasta penetração nas micro, pequenas e médias empresas. Muitas manifestaram interesse depois de ouvirem falar do programa, ficaram mais sensíveis, perceberam a relevância de estar online, e a intenção de se digitalizarem tinha aumentado significativamente", explica Alexandre Nilo Fonseca. A conclusão era muito positiva, reforçava a ideia de que, tendo ainda um ano de projeto pela frente e 100 sessões por realizar, o modelo estava a funcionar e que era útil e relevante.

Estava planeado para 7 de abril de 2020 fazer o lançamento de 50 espaços de comércio digital em associações de comércio, mas "nos dias de hoje é impensável", sublinha Alexandre Nilo Fonseca, que admite que tudo mude dentro de quatro ou cinco meses e se possa reforçar de novo o modelo presencial.

Alexandre Nilo Fonseca considera que este período de confinamento devido à covid-19 alterou a forma como os consumidores utilizam a internet, com maior recurso às compras online, ao homebanking e aos serviços online. "Há mais portugueses a usar o digital e a fazer compras online", refere o presidente da ACEPI sublinhando que houve também uma transição em termos de maturidade, com os utilizadores básicos a desenvolverem competências mais avançadas de acesso a mais serviços, e a comprar mais em sites nacionais.

Do lado das empresas houve necessidade de preparar as operações, com a área alimentar e a eletrónica a crescer muito neste período. "Houve um aumento da oferta digital portuguesa e o desenvolvimento do comércio eletrónico de proximidade, com o aparecimento de market places setoriais e mais comerciantes a disponibilizar pagamentos eletrónicos", sublinha.

As voltas da pandemia

Com a pandemia de covid-19 foi necessário desmaterializar toda a operação do comércioeletrónico.pt. "Isto implicou, porque se trata de fundos públicos, a reprogramação do projeto, com a nova afetação das verbas, o redesenho do projeto, do site, desenvolvimento de novos tutoriais, novos conceitos, cursos na Academia Digital, preenchimento do diretório".

Este é o momento certo para recomeçar, refere Alexandre Nilo Fonseca, "até porque ainda temos muito tempo pela frente". Diz que ajustaram a mira e que os destinatários do programa são não só os empresários que não têm presença online, mas também os empresários que neste período de confinamento, criaram, à pressa e sem grande planeamento, a sua primeira presença digital. Estes podem ter formação na Academia Digital e acesso a webinars de grande qualidade, em que podem melhorar os seus conhecimentos".

"Este novo programa tem um nível de ambição e de especialização muito maior do que era anteriormente, porque não se limitou a retirar a parte física e presencial e a passá-la para o digital, o que era impossível de fazer, assumiu uma nova configuração", salienta Alexandre Nilo Fonseca. "Agora é muito importante que as associações regionais, locais e de comerciantes, juntamente com as campanhas de comunicação, consigam atrair os comerciantes para o programa mas também sensibilizar os consumidores que devem procurar sites de confiança."

"A crise também aguça a necessidade. Se alguém tinha dúvidas se deveria fazer um site e comércio online, esta crise mostrou que tem mesmo de fazer e quanto mais cedo o fizer melhor", diz Alexandre Nilo Fonseca. "Não há tempo a perder". Esta transição para o digital não é "fácil de fazer nem está ao alcance de qualquer um", admite.

É preciso não esquecer que havia dois milhões de portugueses que nunca tinham utilizado a internet, entre os quais estão, provavelmente, alguns comerciantes e prestadores de serviços. "Em muitos casos estamos perante pessoas sem experiência digital e a quem se propõe que crie um site, uma presença digital, uma página nos media sociais, compreender o que o SEO pretende, perceber isto tudo não é linear". Acrescenta que, mesmo pessoas que sabem utilizar o online para o quotidiano, "é um desafio passar para esta componente de negócio. Por isso é que a Academia Digital complementada pelos webinars e pelos tutoriais são tão importantes".

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