Ulisses Pereira ulissespereira@hotmail.com 27 de Setembro de 2010 às 10:03

O fantasma do FMI

O meu primeiro artigo de regresso ao Negócios, há quatro meses, começava com uma citação de José Mário Branco

"FMI, o heróico paranóico hara-kiri"

José Mário Branco

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O meu primeiro artigo de regresso ao Negócios, há quatro meses, começava com uma citação de José Mário Branco na sua histórica canção, de há mais de três décadas atrás, "FMI". Hoje, o tema volta à ordem do dia. Com a taxa de juro da dívida pública em valores máximos desde o aparecimento do euro, volta a pairar o fantasma do FMI.

Não quero entrar na discussão se isso seria uma boa ou uma má solução para o nosso país, mas não me quero furtar a comentar o impacto que isso pode ter na Bolsa portuguesa. Aliás, em bom rigor, esse fantasma já está a causar impacto no nosso mercado que não consegue acompanhar a subida dos seus congéneres estrangeiros.

Uma intervenção do FMI em Portugal teria um impacto psicológico forte nos investidores estrangeiros que, muitas das vezes, nestas situações, preferem vender primeiro e perguntar depois. Seria difícil imaginar que uma intervenção do FMI em Portugal não provocasse quedas no mercado accionista português, mesmo que essa intervenção até pudesse assumir o carácter de estabilização das condições económicas.

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E se o FMI nunca intervir, ficaremos eternamente à espera desse acontecimento para entrar no mercado? Não. Os mercados accionistas têm uma capacidade de antecipação e reacção invejável e é por isso que prefiro guiar-me pelos sinais dos mercados do que pelas declarações de políticos e economistas.

Há muito tempo que venho defendendo dois níveis de resistência que, caso sejam quebrados, podem dar importantes sinais em diferentes horizontes temporais. Até agora, essas resistências mantêm-se intactas, apesar de algumas tentativas de ruptura e, caso elas sejam quebradas, aí o mercado terá dado um verdadeiro sinal de compra, com maior relevância do que qualquer declaração ou fantasma.

Em termos de longo prazo, há cerca de dois anos que defendo que os 8900 pontos são a fronteira entre o "Bear Market" e o "Bull Market" e essa convicção reforçou-se ainda mais. Em termos de curto e médio prazo, a zona dos 7500 pontos é a resistência chave do PSI. Neste Verão já por duas vezes o índice tentou romper essa zona, mas sempre de uma forma ténue e sem sucesso. Uma ruptura consistente dessa zona, abriria espaço para subidas interessantes de uma Bolsa que há algum tempo parece anémica.

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O que me fará ficar optimista na Bolsa portuguesa não serão declarações tranquilizadoras dos responsáveis do FMI, não serão declarações sempre optimistas de José Sócrates, não serão declarações de um qualquer economista de renome a decretar o fim da recessão. O que me fará ficar optimista serão esses sinais de força do mercado. É por isso que eu sou um analista técnico. Há muito tempo que percebi que os gráficos não mentem nem têm ambições políticas. Mas neles está bem reflectido os sinais de força e de fraqueza do mercado.

Comente aqui o artigo de Ulisses Pereira

Os 7.500 pontos são a resistência chave do PSI-20

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Uma ruptura consistente da zona dos 7.500 pontos abriria espaço para subidas interessantes da Bolsa de Lisboa.

Eixo vertical: Pontos;

Eixo horizontal: Volume (Milhões de euros x 100)

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