Será que as "redes sociais" ganham eleições?
Não há hoje quem não seja influenciado pela informação que circula nas "redes sociais", tal a facilidade de contacto que as novas formas de comunicação móvel abriram. Mesmo que o leitor não seja um utilizador frequente, haverá sempre alguém próximo de si que o é.
A mensagem chega sempre. Seja ela verdadeira, inventada, inofensiva ou destinada a prejudicar alguém.
Num mundo em que a informação circula a uma velocidade alucinante, os filtros praticamente deixaram de existir. O que antes passava pelo crivo de um jornalista amarrado a um estatuto editorial e a princípios deontológicos, hoje surge sem qualquer intermediação.
Multiplicam-se os estudos sobre os impactos desta nova forma de comunicar e bem assim as propostas de maximização dos seus efeitos, seja para efeitos comerciais, solidários, reivindicativos, de contestação ou de mera difamação. Estamos no domínio do "vale-tudo". O que é bom e o que é mau. O que é correto e o que não o é. O que é importante e o que é fútil.
Esta nova forma de vida não nos conduz um melhor conhecimento da realidade. Leva-nos apenas a uma perceção da realidade. Tendemos a ficar muito mais despertos para o que é social ou politicamente incorreto. Mesmo que o façamos de forma inconsciente, a verdade é que temos os olhos mais abertos para o escândalo, para o acidente, para a tragédia.
Conhecendo o enorme afastamento que hoje existe entre os povos e aqueles que os representam, fácil será perceber a importância destes canais de comunicação para todos quantos pretendem recolher a simpatia e o apoio dos eleitores. Não há político que não o saiba. O segredo está em saber como fazer chegar a mensagem de forma eficaz.
Até ver, são mais frequentes as situações de destruição do que de construção, em que se consegue denegrir em vez de elogiar, em que se corroem os alicerces mais rapidamente do que se fortalecem os pilares. Estimula-se o voto contra. Neste sentido, as redes sociais não ganham eleições. Fazem com que muitos as percam. Quanto mais forem os líderes que surjam da destruição digital e virtual de adversários, maior será o descrédito que cairá sobre os agentes da política e mais amplo o afastamento dos eleitores. Será isto inevitável? Penso que não. Mas para isso terão de surgir mensagens suficientemente fortes, mobilizadoras, frescas e de esperança. Oxalá as redes sociais ajudem. Bem precisamos.
Jurista
Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico
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