A discreta explosão da despesa com medicamentos
A despesa pública com medicamentos está a subir a um ritmo desbragado e sem precedente recente – é hoje um problema evidente para as finanças públicas, disfarçado até aqui pela conjuntura de excedente orçamental.
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Os poucos que ainda olham para as capas dos jornais em papel encontraram ontem um caso interessante. Enquanto o Público escolheu para manchete “Custo dos medicamentos para o cancro nos hospitais subiu 74% em cinco anos”, o Diário de Notícias foi por “Portugal reduz taxa de mortalidade no cancro”. O relatório que noticiaram, da Direção-Geral de Saúde, era o mesmo e as abordagens diferentes parecem retratar os dois lados da moeda, o lunar e o solar. Não sei dizer qual o contributo exato que o aumento da despesa pública com medicamentos teve para a redução da mortalidade do cancro, que também depende de fatores como o tempo de espera para a cirurgia. Consigo, no entanto, sublinhar que a despesa com medicamentos está a subir a um ritmo desbragado e sem precedente recente – é hoje um problema evidente para as finanças públicas, disfarçado até aqui pela conjuntura de excedente orçamental.
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