O governador Álvaro Santos Pereira e o príncipe Vassíli
A leitura maximalista que o governador do Banco de Portugal tem feito da sua magistratura de influência, num tempo de alta fragmentação e virulência política, é um risco para si e para a instituição que lidera.
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Na cena inicial de Guerra e Paz, passada numa soirée, uma aristocrata russa caída na pobreza tenta meter uma cunha junto do influente príncipe Vassíli. O príncipe era pouco abordável porque sabia que “a influência é um capital que é preciso guardar bem para que não desapareça”. Queria guardá-la para momentos em que tivesse de defender os interesses dos seus e, por isso, usava-a “poucas vezes”. A influência, aqui, era do tipo que abre portas, mas a leitura também é válida para a influência da palavra, incluindo na política. A expressão “magistratura de influência” é utilizada habitualmente sobre o poder da palavra pública do Presidente da República. Outro titular de um cargo largamente não-executivo tem uma magistratura assim, embora com outros contornos: o Governador do Banco de Portugal (BdP).
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