Santiago Iniguez de Onzono
Santiago Iniguez de Onzono 22 de junho de 2018 às 18:59

Arquitetos das estruturas sociais

Uma forma alternativa de inovar é reduzir os custos e aumentar a produtividade — iniciativas vulgarmente implementadas em situações de crise, que também refletem uma visão empresarial.

Atualmente, e mais do que nas últimas décadas, o mundo carece de bons dirigentes e empreendedores. Desse modo, é preciso restaurar o valor social do bom empresário e da atividade empreendedora, pois só assim se propicia a resolução de qualquer crise e promove o crescimento económico. A melhor forma de combater a intransigência, o choque entre culturas, as más políticas a nível internacional ou a ascensão do populismo e do nacionalismo exclusivista é desenvolver bons negócios, criar empresas novas, inovar, gerar riqueza e promover o valor social.

 

Que conselhos daria a empresários e dirigentes para lidarem com as circunstâncias atuais de volatilidade e maior incerteza? Em primeiro lugar, que não descurem as questões fundamentais, as regras de ouro das boas práticas de gestão, que muitos terão aprendido nas escolas de negócios. São elas as questões relacionadas com a necessidade de formular estratégias a longo prazo para as suas empresas, de identificar fórmulas sustentáveis de geração de valor, de fazer avaliações ajustadas do risco, de adotar planos de contingência para prevenir cenários negativos, de apostar no ativo mais valioso da empresa — sem dúvida, o talento e as pessoas — e de procurar novas oportunidades para inovar e renovar as empresas que dirigem.

 

Uma forma alternativa de inovar é reduzir os custos e aumentar a produtividade — iniciativas vulgarmente implementadas em situações de crise, que também refletem uma visão empresarial. Mas, a par da tomada de medidas de contenção e poupança, é preciso tratar de outras questões-chave: como impulsionar o negócio, como renovar produtos e serviços, que novos mercados geográficos abordar, se é oportuno diversificar a atividade e se existem possíveis alianças estratégicas passíveis de reduzir o risco das nossas operações.

O modelo de líder empresarial que propus nos últimos anos é o do dirigente cosmopolita, que possui três atributos: é responsável, culto e competente.

 

A responsabilidade do empresário cosmopolita manifesta-se, desde logo, nas relações com as pessoas que dirige e que compõem a sua empresa. Tal como noutros âmbitos profissionais, os líderes sabem orientar as suas equipas para atingirem os objetivos da melhor forma possível. Mas a responsabilidade do dirigente também se projeta nos restantes "stakeholders", que incluem os agentes sociais de dentro e fora da empresa.

 

A atividade do líder empresarial não pode ser imune a uma avaliação por parte da sociedade, uma vez que as empresas são organizações essenciais para o desenvolvimento socioeconómico, a geração de valor e o emprego. É evidente que, e já expliquei isto muitas vezes, além das responsabilidades legais que possa ter no exercício da sua atividade, o empresário ou dirigente está sempre sujeito ao escrutínio social, no que respeita ao seu comportamento e às suas decisões.

 

A projeção global de muitas empresas, sejam elas de que tamanho forem, por vezes exige que os seus líderes tenham uma atitude de abertura, uma visão e compreensão abrangentes do mundo, bem como uma atitude tolerante e conhecedora das diferentes culturas, da diversidade humana e das várias formas de expressão da civilização: em suma, um dirigente cosmopolita tem de ser culto e deve ser ávido de novos conhecimentos sobre outros povos, as humanidades, as artes ou as ciências, durante toda a vida.

 

Por vezes, pensamos que, com a idade, já alcançámos um acervo cultural suficiente e que já não temos tanta necessidade de adquirir novos conhecimentos quanto nas primeiras etapas da nossa vida. Não obstante, os grandes sábios sempre se caracterizaram por uma permanente inquietude e vontade de continuar a aprender, uma humildade característica perante o novo e uma curiosidade insaciável por aquilo que é diferente. É essa atitude de persistente abertura às ciências e humanidades que permite continuar a desenvolver o espírito empreendedor nas etapas mais avançadas da carreira profissional do dirigente.

 

E, por fim, os empresários cosmopolitas também são competentes. Conhecem as bases da sua profissão e continuam a atualizar esses conhecimentos e as capacidades de que necessitam, ao longo de toda a sua carreira, uma vez que o ambiente empresarial está em constante mudança. A formação contínua — a procura de novas formas de inovação e de novo conhecimento empresarial — é uma das características fundamentais do dirigente cosmopolita.

 

Presidente da Universidade IE

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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