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Criação de valor: a terceira missão das Universidades

No Reino Unido, por cada libra gasta no ensino superior, há um retorno social de 13 Libras, das quais mais de três correspondem apenas ao impacto gerado por startups académicas. Basta pensar que a Google ou a BioNTech surgiram como spin-offs de universidades.

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Além do ensino e da investigação, as Universidades têm uma terceira missão: criar valor na sociedade através da inovação. Isto significa utilizar o conhecimento e a ciência para a criação de novas empresas de base tecnológica, implementar técnicas inovadoras em empresas já estabelecidas ou desenvolver novas soluções para problemas sociais.

Em Portugal ainda não foi possível avaliar o impacto da terceira missão das Universidades. Mas, estudos nos EUA indicam que o PIB gerado pela atividade de cada uma das Universidades de referência equivale ao de alguns países desenvolvidos. No Reino Unido, por cada libra gasta no ensino superior, há um retorno social de 13 Libras, das quais mais de três correspondem apenas ao impacto gerado por startups académicas. Basta pensar que a Google ou a BioNTech surgiram como spin-offs de universidades.

A inovação de alto impacto está frequentemente associada a tecnologia ou conhecimento inovador desenvolvidos nas Universidades. A criação de valor começa frequentemente no desenvolvimento tecnológico e na proteção da Propriedade Intelectual. As Universidades estão entre as entidades nacionais que mais pedidos de patentes submetem. No entanto, urge garantir que a estratégia de proteção é a mais adequada e que existem os meios necessários para facilitar o contacto com o mercado, assegurando a transferência tecnológica, adequando a linguagem e garantindo respostas céleres e profissionais a manifestações de interesse.

O florescimento de spin-offs académicas a nível internacional resulta de uma tendência de transferir o conhecimento para novas empresas, capazes, por um lado, de o desenvolver tecnicamente já com uma perspetiva de mercado e, por outro, de angariar financiamento que não está ao alcance das Universidades, tal como capital de risco.

O papel fundamental das spin-offs na transferência do conhecimento, bem como o papel dos estudantes universitários na criação de outras startups inovadoras justifica o desenvolvimento de programas dedicados ao empreendedorismo nas Universidades. Desde programas de formação multidisciplinares em empreendedorismo, passando por concursos de ideias e programas de mentoria ou até por iniciativas de reconhecimento de spin-offs, o esforço de algumas Universidades nacionais no desenvolvimento do empreendedorismo tem sido notável nos últimos anos.

A título de exemplo, na NOVA identificámos perto de 100 startups criadas nos últimos 15 anos por estudantes, investigadores ou ex-alunos, que, juntos, conseguiram mais de 500 milhões de euros de investimento. De salientar que um número crescente destas empresas atua nas áreas da inovação social, refletindo uma tendência das novas gerações para abraçarem os desafios da sustentabilidade ambiental e social.

Havendo ainda muito a fazer, designadamente ao nível da criação de massa crítica nacional para a proteção da Propriedade Intelectual, da comercialização das tecnologias desenvolvidas ou da criação de incentivos à inovação nas carreiras universitárias, as Universidades nacionais têm feito um esforço considerável para garantir a criação de valor. Contudo, faltam diretivas claras e incentivos estatais ou da Europa nesta área. O tema começa a ganhar espaço na discussão a nível europeu. Aguarda-se, com expetativa, a adoção de políticas que apoiem a vontade de muitas Universidades em transformar o potencial de inovação académico em valor económico e social.

 

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