Eyal Edery
Eyal Edery 04 de novembro de 2018 às 18:25

Estado atual e visão futura do cinema em Portugal

O clima é de otimismo mas sabemos que ainda há muito trabalho pela frente! É necessário continuar a criar oportunidades para trazer para as salas novos públicos, aqueles que estão mais afastados e ainda não colocam o cinema nas suas agendas culturais.

Hoje assinala-se o Dia Mundial do Cinema e é uma boa ocasião para fazer um balanço do estado do Cinema em Portugal. Nos últimos anos, temos vindo a assistir a um aumento do número de espetadores nas salas de cinema. Entre 2015 e 2017 este crescimento foi muito acentuado, pois a recuperação económica fez-se sentir fortemente. As pessoas estavam ávidas de entretenimento, de lazer, cultura e voltaram às salas.

 

O ano de 2018 tem vindo a apresentar um decréscimo face ao ano anterior mas este facto prende-se essencialmente com a oferta de filmes em cartaz e com o calendário dos mesmos - é quase impossível ter todos os anos um cartaz imbatível, como o que tivemos no ano passado.

 

O ano vai com um decréscimo de cerca de 12% face ao anterior mas ainda temos pela frente aqueles que são dois dos meses mais fortes do ano e onde se concentram as estreias mais aguardadas, pelo que consideramos possível que ainda venhamos a recuperar espetadores e fechar o ano em linha com os anteriores.

 

Iniciativas como a Festa do Cinema, que realizou no final do mês de Outubro a sua quarta edição, também são fundamentais porque envolvem todo o mercado no sentido da criação de oportunidades para os vários públicos. Nos 3 dias da iniciativa, acorreram às salas cerca de 246 mil pessoas, o que é um feito incrível.

 

O clima é de otimismo mas sabemos que ainda há muito trabalho pela frente! É necessário continuar a criar oportunidades para trazer para as salas novos públicos, aqueles que estão mais afastados e ainda não colocam o cinema nas suas agendas culturais.

 

Aqueles que ainda privilegiam as televisões, os tablets, os computadores para assistirem aos seus filmes e ainda não perceberam que essa é uma experiência incompleta, diminuída, que nada supera a experiência de assistir a um filme numa boa sala de cinema, com uma tela gigante, com um sistema de som de qualidade e assim partilhar as emoções com aqueles que nos rodeiam: partilhar o riso contagiante de uma boa comédia, a adrenalina de um filme de ação, a magia da animação.

 

Neste momento, vemos que as sagas têm vindo a ocupar um espaço cada vez maior nas salas de cinema: os super-heróis, a animação, os filmes de ação e mais recentemente também os filmes de terror têm lugar nesta premissa. Vamos aguardar para ver qual será a próxima tendência da área de mercado.

 

O cinema precisa de constante investimento e inovação - não só das salas mas também da própria produção. É preciso criar novas histórias e novas formas de o contar, que continuem a surpreender e a apaixonar as audiências. Novas histórias que contribuam para esta máquina de sonhos e de dispersão do stress e dos problemas, que é o cinema.

 

O cinema é lazer, mas é também cultura! E não conseguimos deixar de lamentar a discriminação que esta área de negócio está a sofrer por parte dos nossos dirigentes. Num momento em que o OE para 2019 segue para aprovação, aplaudimos a baixa de IVA da cultura para 6%. Mas o cinema fica de fora - a que propósito? Não é o cinema uma experiência cultural que queremos incutir nos nossos públicos? Não tem vindo a ser realizado um trabalho no sentido de trazer os jovens para as salas de cinema? De apoiar a produção nacional? Então porquê esta penalização para o público de cinema? É verdade que o cinema ainda é uma das opções de entretenimento mais baratas que o público pode encontrar, mas é também uma área com muita renovação e que acaba por solicitar um grande esforço financeiro das famílias.

 

Consideramos a manutenção dos 13% de IVA nos bilhetes de cinema injusta e penalizadora.

 

Trabalhamos diariamente para nos superarmos, para termos um melhor serviço, para oferecermos boas experiências ao nosso público, para termos em cartaz o cinema mais comercial mas também o mais independente, tanto europeu como nacional, para que tenhamos uma oferta o mais completa possível, que os façam voltar uma e outra vez, consumir um e outro filme.

 

O nosso foco e o nosso empenho estão garantidos mas também precisamos da ajuda de quem governa.

 

Diretor geral dos Cinema City em Portugal

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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