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Futebol lava regimes

Os milhares de mortos nas obras para o mundial são o maior passivo deste evento

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Quando olhamos para as monumentais pirâmides egípcias com mais de 4 mil anos imaginamos que tenham morrido muitas pessoas na sua construção. No Qatar um pequeno território, com o tamanho do distrito de Beja, encravado na península arábica, que começou a ficar rico há poucas décadas , graças ao petróleo, também vemos novas obras monumentais, desde os estádios, que depois desta fogueira de vaidades do mundial de futebol vão ser desmantelados, até aos arranha-céus que imitam e ampliam Nova Iorque no golfo pérsico.

Mas por trás destas imponentes obras em Doha sabemos que há milhares de pessoas que morreram na sua construção. Maioritariamente pobres imigrantes do sul da ásia que perderam a vida em obras onde não se cumpriram as mínimas regras de segurança.

Ao contrário dos anónimos escravos egipcios, estes mortos têm nome, deixaram rasto nas redes sociais, com vídeos onde mostravam as duas condições de trabalho e de sobrevivência, num país que gastou neste mundial mais do que o PIB português gerado num ano.

Tendo em conta que o Qatar tem apenas 3 milhões de habitantes, dos quais pouco mais de 10 por cento têm o estatuto de cidadão nacional, os gastos deste mundial são faraónicos, apesar do petróleo que o mundo paga caro, financiar todas estas obras faraónicas.

Os milhares de mortos nas obras para o mundial são o maior passivo deste evento, mas no rol dos atentados aos direitos humanos há muito mais a apontar ao rico emirado, desde o sistema de castas que separa os direitos da minoria de cidadãos nacionais da maioria de imigrantes, ao total desrespeito pelas diferenças.

Alguém na FIFA ganhou muito dinheiro com a atribuição do mundial de futebol ao Qatar. Eles ficaram mais ricos, mas o futebol voltou a ser usado para branquear regimes pouco recomendáveis.
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