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João Moura 30 de Julho de 2020 às 09:20

Futuro do real estate pós-covid-19: continuação, contração ou oportunidade?

Portugal irá manter-se atrativo ou até mesmo aumentar a sua atratividade como um destino para o investimento no imobiliário. Nova edição EY Attractiveness Survey Portugal 2020 revela as mega tendências que podem ditar a resiliência do país enquanto plataforma de captação de investimento estrangeiro.

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Em 2019, atingiram-se valores recordes no setor do imobiliário e na captação do investimento direto estrangeiro (IDE). Após cinco anos consecutivos de uma melhoria contínua dos indicadores de performance do imobiliário, somados os mais de 25 biliões de euros de transações de habitação e os três biliões de euros de investimento em commercial real estate, conclui-se que o montante total investido na aquisição de imobiliário terá ultrapassado os 30 biliões de euros - o dobro do montante observado em 2015 e o triplo do montante de 10 biliões de euros registado em 2012.

 

Registou-se um total de 250.000 transações, das quais 70% no segmento residencial, com as aquisições de habitação por não residentes a representarem quase 9% do número de transações e 14% do montante investido.

 

Em 2019, o montante de empréstimos a particulares para compra de habitação ascendeu a 10 biliões de euros, 41% do montante investido, estimando-se que mais de 50% das aquisições tenham sido realizadas com recurso exclusivo a capitais próprios.

 

Num cenário pré-covid-19, o setor do imobiliário e construção e o turismo eram apontados como dois dos três setores preferenciais para o crescimento de Portugal e atração do IDE. E num cenário pós-covid-19 o que vai acontecer?

 

Considerado pela revista Forbes como o melhor destino para se viver após a pandemia, a opinião geral é que Portugal irá manter-se atrativo ou até mesmo aumentar a sua atratividade como um destino para o investimento no imobiliário.

 

Se, por um lado, é evidente que uma crise económica global irá ocorrer, por outro lado, não é evidente que venha a afetar todos os países de forma igual e que alguns possam até sair mais beneficiados que outros, no que concerne à captação do investimento estrangeiro.

 

De um "survey" realizado em maio pela EY a 300 profissionais do setor, nacionais e internacionais, é unânime a opinião de que vamos entrar num período de contração, embora seja expectável uma recuperação entre 12 a 24 meses.

 

Os resultados apontam também que o efeito covid-19 não irá afetar todos os segmentos de forma igual, existindo três tipos de efeitos:

 

Efeitos permanentes, ou de longo-prazo, nos segmentos do "retail" e dos escritórios, com descidas na procura estimadas em 30% e 20%, respetivamente.

 

Efeitos temporários, nos segmentos do turismo e do arrendamento, em que para o turismo se estima uma queda na procura de 40% e uma recuperação de 24 meses até se atingirem os níveis de 2019. Contudo, apesar de uma queda esperada significativa, a procura pelo destino "Portugal Férias" irá continuar a existir e poderá beneficiar no futuro por um maior incremento de procura (medidas de prevenção e controlo da crise sanitária).

 

Efeitos nulos, no segmento do residencial, onde se verificará uma alteração das necessidades dos consumidores (a procura por habitação com mais área e fora dos centros urbanos); e nos segmentos da logística e industrial, onde será observada uma maior resiliência, em alguns casos sendo expectável um aumento de procura.

 

Representando Portugal uma percentagem pequena do investimento total no imobiliário na Europa (em alguns segmentos apenas 1% do total europeu), a sua posição geográfica enquanto ponto estratégico de comunicação com as Américas, a estabilidade política e social, a segurança do sistema nacional de saúde, serão sem dúvida alguns dos fatores que vão influenciar as decisões dos investidores e Portugal será um dos destinos preferidos.

 

EY SaT - Head of Real Estate, Hospitality, Construction & Infrastructure

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