João Sousa Mendes
João Sousa Mendes 24 de junho de 2019 às 13:35

Guerra comercial entre EUA e China: caso Huawei

Desde a Segunda Guerra Mundial que a supremacia dos EUA não é posta em causa. Hoje, a economia chinesa veio desestabilizar o sistema. E agora que o “mal está feito”, o que fazem os EUA para salvaguardar a sua posição?

No mês passado, a administração de Trump proibiu as empresas norte-americanas de exportar tecnologia para um conjunto de empresas consideradas "de risco", entre elas a Huawei. As razões que motivaram o sucedido prendem-se, alegadamente, com preocupações relativamente à segurança dos produtos vendidos por estas empresas. Mas serão estes os únicos motivos da Casa Branca?

 

Desde a Segunda Guerra Mundial que a supremacia dos EUA não é posta em causa. Hoje, a economia chinesa veio desestabilizar o sistema. O funcionamento da economia internacional permitiu que um país em desenvolvimento se transformasse, primeiro, na "fábrica do mundo" e, mais tarde, no seu polo tecnológico. E agora que o "mal está feito", o que fazem os EUA para salvaguardar a sua posição? Começam uma guerra comercial com a China e dificultam a vida a um conjunto de empresas consideradas "chave", particularmente a Huawei.

 

A Huawei, de nacionalidade chinesa, é um dos gigantes das telecomunicações a nível mundial. A sua liderança resulta, principalmente, do desenvolvimento das redes 5G, tendo esta empresa assinado já contratos com mais de 10 países e várias operadoras para fornecer as componentes para a próxima geração de internet móvel. Já as concorrentes, Nokia e Ericsson, têm apresentado resultados menos favoráveis devido, sobretudo, ao preço mais elevado que praticam no mercado.

 

Recentemente, nos EUA, a Huawei foi acusada de atividades criminais como fraude bancária, roubo de propriedade industrial e violação das sanções contra o Irão. Estas acusações culminaram na detenção da CFO do grupo, Meng Wanzhou, no dia 1 de dezembro de 2018. Trump pressionou a Huawei uma última vez, no dia 17 de maio, ao adicionar a empresa à "lista negra" do Departamento do Comércio. Isto significa que, de agora em diante, as empresas norte-americanas, tais como a Google, a Qualcomm e a Intel são obrigadas, por lei, a obter uma licença especial para vender produtos à Huawei.

 

Paralelamente, os EUA têm feito publicidade pejorativa às redes 5G da Huawei, tendo aconselhado vários países a não confiar nesta empresa. Isto porque, segundo eles, há uma possibilidade da Huawei deixar "portas abertas" nos seus sistemas, que podem ser usadas para aceder a informação sensível. Efetivamente, entre 2009 e 2011, a Vodafone encontrou vulnerabilidades em equipamentos da Huawei fornecidos para o mercado italiano. Contudo, não foi possível provar que estas vulnerabilidades foram propositadamente desenhadas. Ainda assim, os EUA protestaram contra o facto de a empresa ter ligações com o governo chinês, pondo em causa a legitimidade da mesma.

 

Não há dúvida que o futuro económico será delineado pelo desenvolvimento da tecnologia, tal como o 5G. Ora, quem detiver o controlo dessa tecnologia, certamente terá uma vantagem absoluta, muito dificilmente quebrada. Serão estas medidas dos EUA uma tentativa de salvaguardar a segurança da nossa informação ou esconderão elas um interesse em atrasar o avanço tecnológico chinês?

 

Membro do Nova Investment Club

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