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Francisco Ferreira Pinto 01 de Setembro de 2020 às 10:40

Venture Capital em Portugal - o patinho feio que se transforma num cisne

A maioria dos fundos centram-se em empresas tecnológicas ou de saúde/ciências da vida, negócios que se destacam nos mercados mundiais, pelo que, quem investir em inovação está numa posição privilegiada para captar o potencial destes ativos.

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Aceder a capital em Portugal não é tarefa fácil e, em tempos de crise, a situação agrava-se, especialmente, se estivermos a falar de ativos em Venture Capital(1) (VC). O maior risco intrínseco do ativo, a menor liquidez, um track-record ainda recente em Portugal e um menor conhecimento da indústria são algumas das razões que dificultam o acesso a capital neste setor. Alguns destes fatores dependem da experiência e da capacidade dos gestores de conseguir gerar confiança junto dos investidores, mas existem argumentos estruturais que podem ajudar a mitigar parte do risco "adicional" percecionado.

 

O investimento em VC permite diversificar o portfolio a dois níveis: ao nível macro, pois, sendo um ativo com uma perspetiva de longo prazo, atravessa vários ciclos económicos o que, em parte, justifica uma menor correlação com outras classes de ativos(2); ao nível micro, na medida em que a estratégia dos fundos passa por investir em dezenas de empresas, de várias indústrias, com diferentes tecnologias e modelos de negócio.

 

Adicionalmente, este tipo de investimento obteve melhores performances em tempos de crise. Segundo o Pitchbook, a TIR de fundos nascidos após a crise "dot com" (2000/2003) esteve situada entre os 16-23% e, após a crise financeira (2008/2010), entre os 12-14%. Estas performances são significativamente superiores às dos períodos de 4/5 anos que as antecederam, verificando-se um aumento de 7-13 p.p. e de 5-7 p.p., respetivamente. Esta melhoria, deve-se, entre outros, ao facto de as crises serem catalisadoras de inovação, o que leva à redução do custo de oportunidade, havendo mais incentivos para empreender, e à descida das valorizações das empresas e, como tal, ao aumento do potencial de valorização futura.

 

Por último, o risco percecionado tem diminuído em virtude da transformação tecnológica. A maioria dos fundos centram-se em empresas tecnológicas ou de saúde/ciências da vida, negócios que se destacam nos mercados mundiais, pelo que, quem investir em inovação está numa posição privilegiada para captar o potencial destes ativos.

 

Em mercados mais maduros, a maioria dos portfolios dos investidores incluem, cada vez mais, ativos de VC. A diversificação, a performance e o foco em inovação explicam esse apetite que espero que se venha a intensificar em Portugal.

  

 

(1)Utilizo esta denominação por não existir uma correspondência perfeita em português, uma vez que a tradução mais utilizada "capital de risco" engloba normalmente outra classe de activos, o private equity, que tem estratégias e performances distintas.

(2)The case for venture capital da Invesco utilizando dados da Cambridge Associates Global 

 

Partner da Bynd Venture Capital

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