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Corina Popa 20 de Julho de 2020 às 17:25

Viagens espaciais: uma indústria em crescimento

O recente lançamento tripulado da SpaceX reafirmou o lugar das empresas privadas na indústria espacial, onde a inovação e a competição estão a aumentar, sendo o turismo a próxima meta a alcançar.

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No último dia de maio de 2020, os entusiastas do espaço e muitos millennials pararam para assistir em direto ao primeiro lançamento espacial privado a colocar humanos em órbita. Contratada pela NASA, a SpaceX lançou dois astronautas numa nave espacial americana pela primeira vez em 9 anos.

Este acontecimento reafirmou a posição das empresas privadas na indústria espacial, que costumava ser restrita a agências governamentais, e permitiu à SpaceX marcar o seu território no mercado. A empresa norte-americana foi a primeira a investir na tecnologia de foguetões reutilizáveis, que permite uma enorme poupança de custos em comparação com os métodos tradicionais. O objetivo é fazer das viagens espaciais um negócio sustentável, de modo a promover a exploração espacial.

O impacto revolucionário no mercado foi reconhecido em todos os continentes, tendo o Comissário Europeu Thierry Breton notado que "SpaceX redefiniu as normas para lançadores". Na Europa, a Agência Espacial Europeia (ESA) está a trabalhar no Ariane 6, cuja data de lançamento foi adiada para 2021 devido ao encerramento de fábricas e à mão-de-obra limitada na sequência das medidas de confinamento associadas à covid-19.

SpaceX é considerada a maior empresa de exploração espacial do nosso tempo, tendo lançado novos foguetões quase mensalmente durante os últimos anos. A empresa está rapidamente a desenvolver não só a sua tecnologia, como também a despertar muita atenção por parte dos meios de comunicação social, graças ao seu mediático CEO Elon Musk. Este pretende colonizar Marte e espalhar a vida humana entre as estrelas; já os seus críticos, rotulam-no como sendo demasiado ambicioso e alguém que não cumpre o prometido.

Musk pode ser um grande sonhador, mas não é o único, há várias empresas que lutam para liderar a indústria espacial, tal como Blue Origin, fundada por Jeff Bezos em 2000. Embora estejam ambos a desenvolver veículos reutilizáveis e a apostar na inovação, os dois multimilionários têm visões bastante diferentes. Musk tem como objetivo colonizar o planeta vermelho, enquanto Bezos ambiciona construir colónias espaciais para extrair recursos e energia necessários para a nossa vida na Terra. Quem será o vencedor? SpaceX parece ter assumido a liderança, com mais de 20 lançamentos bem-sucedidos nos últimos dois anos, enquanto que Blue Origin espera lançar o seu maior foguetão, New Glenn, apenas em 2021. Ainda assim, especialistas acreditam que embora Blue Origin tenha até à data demonstrado menos resultados, será um competidor digno.

 

Para além da exploração espacial, ambos os empresários estão também interessados no turismo espacial, aréa em que Virgin Galactic está mais avançada, com mais de 400 depósitos recebidos de futuros turistas espaciais. O foco da empresa de Richard Branson está nos voos de órbita baixa, por agora.

 

Os turistas não são os únicos entusiasmados com esta nova indústria. Os investidores têm também demonstrado bastante interesse, com as ações da Virgin Galactic a valorizar mais de 60% desde a IPO, até ao momento da redação deste artigo. De acordo com estimativas do UBS, o turismo espacial será um mercado de 3 mil milhões de dólares até 2030, sendo que, de acordo com o Pew Research Center, 63% dos millennials estariam interessados em férias no espaço.

 

Desta vez, a corrida espacial é entre empresas privadas que se mostram mais ambiciosas que nunca. É essencial a confiança dos governos e dos investidores para continuar a alimentar esta que é a nova era de exploração espacial

 

Membro do Nova Investment Club

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