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Maria Manuel Leitão Marques
10 de Fevereiro de 2013 às 23:30

Voltem depressa, estão perdoadas

Só lamento é o tempo perdido, a legitimidade retirada, as competências desperdiçadas, as energias desmobilizadas, as críticas fáceis e falsas, a estupidez que é desprezar o que está bem apenas porque foi marca de um governo anterior de outra cor política.

Voltaram à agenda, para consumo próprio ou para exportação, as energias renováveis, os "magalhães" e esta semana até o projecto do TGV. Voltou alterado, é certo, mas veremos ainda quanto.

Com jeito, regressarão os programas para a qualificação, com o nome de novas oportunidades ou qualquer outro; para a redução da burocracia, em especial para as empresas, chame-se Simplex ou tenha nova designação; para o incentivo à investigação científica e à inovação, em forma de plano tecnológico ou com diferente papel de embrulho; para o alargamento da rede das lojas do cidadão, como meio de racionalização dos serviços públicos existentes e não da sua replicação. Mesmo que tudo isto volte avaliado, corrigido e melhorado, como é óbvio deve sempre acontecer, mude o governo ou não, é um regresso de quem já andou por cá!

Nada disto é lamentável. Só lamento é o tempo perdido, a legitimidade retirada, as competências desperdiçadas, as energias desmobilizadas, as críticas fáceis e falsas, a estupidez que é desprezar o que está bem apenas porque foi marca de um governo anterior de outra cor política.

Lamento mais ainda que o Partido Socialista tenha, pelo silêncio, consentido um tal enjeitamento, em vez de ter sido o defensor das políticas que iam no bom sentido, as quais devia conhecer por dentro nos seus pontos fortes e nos seus pontos fracos (que tinha até a legitimidade de alterar).

Mais vale, portanto, que não se perca agora tempo em justificações não convincentes e se veja depressa o que é preciso mais "desenterrar". Portugal desceu no barómetro da inovação e precisa de subir, o que exige investimento público e não apenas privado. Será também por aí e pela qualificação das pessoas que podemos melhorar a nossa competitividade, sem a qual o crescimento será sempre uma miragem!

Professora Catedrática na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra

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