Arnaldo Araújo
Arnaldo Araújo 02 de maio de 2018 às 20:06

Cuidados domiciliários de saúde, que futuro? 

A problemática dos Cuidados Domiciliários está cada vez mais na ordem do dia, nomeadamente em Portugal, onde é elevada a taxa de doenças crónicas e incapacitantes na população.

"Integração de Cuidados - Cuidar em Casa" é o tema da conferência que a RedeMut - Associação Portuguesa de Mutualidades e as Residências Montepio vão promover na próxima segunda-feira, dia 7, pelas 15 horas, no auditório do Montepio, em Lisboa, e que terá como conferencistas os professores Constantino Sakellarides (ex-diretor-geral da Saúde e professor jubilado da Escola Nacional de Saúde Pública) e Manuel Lopes (coordenador da Rede Nacional de Cuidados Continuados e Integrados).

 

A problemática dos Cuidados Domiciliários está cada vez mais na ordem do dia, nomeadamente em Portugal, onde é elevada a taxa de doenças crónicas e incapacitantes na população e que, em boa verdade, só excecionalmente carecem de internamento hospitalar de elevados custos.

 

Por outro lado, além daquelas doenças crónicas, também o aumento da esperança de vida, com o consequente aumento da população de idosos, e o défice de camas hospitalares impõem uma abordagem diferente da prestação de cuidados.

 

Temos mais idosos cada vez mais dependentes, o que acarreta um aumento dos custos da saúde; os internamentos são caros e, muitas vezes, a vida profissional dos familiares não lhes permite acompanhar os doentes como seria desejável.

 

Surgem então os cuidados no domicílio que, além de assegurarem a qualidade dos tratamentos e ajudarem a reduzir a despesa, proporcionam conforto e bem-estar a quem deles necessita - tratados em casa, os doentes sentem-se melhor, mais acompanhados, e a sua recuperação é francamente melhor.

 

Os cuidados prestados aos indivíduos e às famílias, nas suas residências, têm por finalidade promover, manter ou recuperar a saúde, maximizando o nível de independência e minimizando os efeitos da dependência ou da doença terminal.

 

Além de cuidados curativos e de resolução de problemas centrados em aspectos biológicos, os cuidados domiciliários proporcionam, também, uma abordagem física, psicológica e social, encarando o indivíduo como um ser biopsicossocial.

 

Com efeito, estes cuidados, prestados por profissionais treinados, dão resposta a necessidades que podem ser de reabilitação, apoio de enfermagem em procedimentos técnicos ou acompanhamento, bem como apoio nos serviços domésticos e necessidades básicas.

 

Em recente conferência de imprensa, Hans Kluge, especialista em saúde pública e representante da Organização Mundial da Saúde no grupo de peritos que a pedido do Governo português avaliou as nossas políticas de saúde, recomendou que "Portugal deve direcionar para o apoio domiciliário" muitos dos serviços que são prestados em ambiente hospitalar.

Segundo este especialista, "muitos doentes, nomeadamente crónicos, não precisam de ser curados, mas antes terem qualidade de vida".

 

A RedeMut engloba 22 associações mutualistas, algumas destas disponibilizando já aos seus associados serviços de apoio domiciliário na área social, conscientes de que estes apoios podem ser alargados à área da saúde. Esta conferência surge, exatamente, como um fórum de discussão e dinamização deste tipo de cuidados.

 

Confederação da Economia Social Portuguesa

 

Realizou-se, ontem, a assembleia constitutiva da Confederação da Economia Social Portuguesa, no seguimento do compromisso assumido, em 15 de novembro de 2017, no Congresso Nacional da Economia Social. Participaram as entidades representativas do setor: Confagri, Confecoop, CNIS, Associação Portuguesa de Mutualidades, União das Mutualidades Portuguesas, União das Misericórdias Portuguesas, Animar, Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto e Conselho Português das Fundações.

 

Doravante, a economia social portuguesa tem mais condições para alcançar o reconhecimento público correspondente à sua importância económica e social.

 

32.º Congresso Internacional do CIRIEC

 

Já está disponível o programa completo do 32.º Congresso Internacional do CIRIEC, que irá decorrer, entre 30 de maio e 1 de junho, em Liège (Bélgica), sobre o tema "A economia pública, social e cooperativa na revolução digital".

 

No Congresso, será abordada a temática da transformação digital e os seus efeitos nos modos de propriedade, produção, distribuição e consumo, através das análises e reflexões de 50 especialistas e responsáveis políticos, económicos e sociais de 18 países.

 

Encontram-se inscritos mais de 300 participantes, de 42 países, estando ainda abertas as inscrições. Para mais informações, ver https://events.uliege.be/ciriec2018.

 

Médico de Saúde Pública. Assessor da APM - Associação Portuguesa de Mutualidades

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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