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Rogério Cação 30 de Janeiro de 2019 às 19:54

Economia social e responsabilidade social: duas faces de uma mesma moeda? (I)

Toda a economia social é fundada no primado das pessoas, individual e coletivamente consideradas e, por conseguinte, a responsabilidade social é uma condição fundacional das organizações.

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Quando procuramos razões que nos situem no tema da responsabilidade social (RS), vista no universo da economia social (ES), parecemos estar perante uma redundância que não deslustraria ao senhor de La Palisse. De facto, toda a ES é fundada no primado das pessoas, individual e coletivamente consideradas e, por conseguinte, a RS é uma condição fundacional das organizações. No entanto, quando escavamos um pouco mais nos conceitos e, sobretudo nas práticas, que têm a ver com este domínio, torna-se claro que vale a pena refletirmos um pouco mais sobre estas coisas.

 

Na procura de vos situar na minha abordagem do tema, recorro a duas citações de pessoas completamente distintas, no tempo e no modo, que expressam duas ideias que me parecem consubstanciar um bom ponto de partida. Boaventura Sousa Santos, no seu livro "O Direito dos Oprimidos", refere que se deve "lutar pela igualdade sempre que as diferenças nos discriminem" e "lutar pela diferença sempre que a as igualdades nos descaracterizem". Se extrapolarmos esta visão do sociólogo português para o exercício da RS, percebe-se que este varia em função dos contextos em que acontece. Por outro lado, D. Hélder Câmara, que foi arcebispo emérito de Olinda e Recife, dizia com muita ironia "quando alimentei os pobres, chamaram-me santo, mas quando perguntei porque é que havia pobres, chamaram-me comunista". Esta afirmação remete-nos para os diferentes olhares que um mesmo ato ou intervenção podem merecer, em função do conteúdo político-social das questões que se colocam. Talvez faça sentido trazermos para o debate o conceito de ética.

 

Se há alguma coisa que torna distintas as organizações de ES é a existência de uma ética organizacional própria, fundada em valores e princípios que colocam a pessoa sempre no primeiro plano. E é exatamente no quadro alargado de uma ética organizacional para a ES que as particularidades do debate sobre RS no setor ganha efetivamente sentido. Isto torna-se mais fácil de entender se revisitar os princípios éticos de gestão na ES: as estratégias partem sempre da pessoa, seja ela o colaborador, o dirigente, o beneficiário ou cliente ou um "stakeholder"; os três pilares fundamentais são a qualidade, a sustentabilidade e a responsabilidade; o que poderá vir a acontecer é sempre mais importante do que já aconteceu, isto é, o passado apenas serve para sustentar o futuro; uma organização ética é comprometida com os contextos (ambiental, social, político, económico, cultural) e participa neles. Duma forma simplista, poderemos dizer que a RS tem a ver com o compromisso que uma entidade assume para além do seu objeto ou natureza específica, como contributo para uma sociedade mais igual, justa, equilibrada, solidária… No caso da ES o conceito parece redundante, já que está na essência das diferentes famílias que a integram… Mas talvez não seja bem assim… Afinal, a RS pode ter muitos contornos quando a abordamos do ponto de vista teórico, mas só se afirma efetivamente nas práticas, nos impactos que decorrem das ações assumidas, nas transformações que provocam. Enquanto para as organizações da ES o exercício da RS é uma consequência natural do seu ADN, para as empresas capitalistas, que há muito perceberam a visibilidade e credibilidade deste domínio, pode ser uma estratégia que permite alargar os seus negócios à esfera de ação da ES. E exemplos disso não faltariam…

 

Apresentação do "Código Cooperativo Anotado"

 

Realiza-se, no dia 6 de fevereiro, pelas 18h30, na Assembleia da República (Lisboa), a apresentação do livro "Código Cooperativo Anotado".

 

Esta obra, publicada no final de 2018, é coordenada pelas professoras Deolinda Meira e Maria Elisabete Ramos e contém os comentários e as anotações de mais de 30 autores sobre os 122 artigos da Lei n.º 119/2015 de 31 de agosto, que aprovou o novo Código Cooperativo.

 

A iniciativa é promovida pela CASES e insere-se no conjunto de ações evocativas do cinquentenário da morte de António Sérgio, a ocorrer ao longo de 2019, sob o lema "Tributo a António Sérgio".

 

XIII Congresso Nacional das Misericórdias

 

A União das Misericórdias Portuguesas promove o XIII Congresso Nacional das Misericórdias, entre 7 e 10 de fevereiro, em Albufeira, no Palácio de Congressos do Algarve.

 

Dedicado ao tema "Missão, Rigor e Compromisso", este encontro deverá reunir mais de 700 participantes e representantes de misericórdias de todo o país, e tem como objetivos a reflexão sobre o panorama e os desafios políticos, sociais e gestionários, a nível nacional, e a definição das principais linhas de orientação que irão nortear a estratégia de intervenção das misericórdias portuguesas nas suas diversas áreas de atuação.

 

Presidente da Direção da Confederação Cooperativa Portuguesa (Confecoop)

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