Os que mais se adaptam
A saúde é o mais importante, diz-se. Mas nem sempre ter boa saúde se relaciona com ter satisfação com a vida. Por exemplo, as pessoas mais velhas, que em geral têm uma saúde mais débil do que as mais novas, tendem a ser mais felizes.
E à medida que envelhecem a sua felicidade tende a aumentar, refere um estudo da revista Perspectives on Psychological Science.
Outro estudo sugere que na população japonesa, e ao contrário do que acontece, por exemplo, na população americana, não há uma relação estatisticamente significativa entre emoções positivas, como por exemplo o rir e o sorrir, e indicadores de boa saúde. Isto parece contrariar a ideia de que as emoções positivas estão associadas a uma boa saúde; de notar, no entanto, que a generalidade dos estudos que apontam neste sentido foi realizada no mundo ocidental.
O quadro cultural valorativo das emoções é diferente no Ocidente e na Ásia. Será ligeiramente diferente, pelo menos, de país para país. Na Ásia, as boas emoções não são vistas como necessariamente desejáveis; nem as más emoções são necessariamente a evitar.
Os últimos dados sobre a esperança média de vida da Organização Mundial de Saúde parecem confirmar este entendimento. Qual o país em primeiro lugar? O Japão, que valoriza menos as emoções positivas. Os EUA, que as valorizam bem mais, estão em 31.º lugar. Por outro lado, a Noruega que é hoje "o país mais feliz do mundo", segundo o "World Happiness Report", está em 15.º na esperança de vida.
Não são as emoções em si mesmas que influenciam uma boa saúde; mas sim o bom ajustamento entre as emoções da pessoa e o tipo de emoções valorizadas no ambiente cultural em que cada um vive. É este ajustamento, esta adaptação, diria Darwin, que pode levar a uma vida mais saudável e por isso mais longa.
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