Fernando  Sobral
Fernando Sobral 07 de agosto de 2018 às 21:12

Apitó comboio!

O secretário Guilherme W. pode saber muito de comboios. Pode até ser especialista em pistas de comboios em miniatura. Mas desconhece o que se passa na CP e nesse elefante branco que é a Infraestruturas de Portugal.

Pedimos desculpa por o secretário de Estado das Infra-estruturas, Guilherme W. d'Oliveira Martins, ainda não ter sido cancelado. Circula com uma hora e meia de atraso e dará entrada na linha 3. Se der. Ao fim de uns anos no seu emérito cargo governativo, Guilherme W. enganou-se na carruagem e o seu destino é o museu de memórias da CP. Se esta empresa subsistir ao seu mandato e ao do seu superior hierárquico, Pedro Marques. O país consegue sobreviver ao momento em que o secretário Guilherme W. fez um número de comédia e disse que na CP "não há colapso nenhum". Portugal é mesmo capaz de suster a respiração durante uns minutos, sem se engasgar, depois de o escutar a debitar que "há uma ideia errada de que não há comboios suficientes e que os passageiros estão a perder qualidade de serviço". Esta frase deveria ser transmitida como um rap no percurso do Alfa Pendular, no meio de uma versão mais ligeira de "Apitó Comboio!", para que os passageiros tivessem direito a um momento de humor enquanto destilam.

 

O secretário Guilherme W. pode saber muito de comboios. Pode até ser especialista em pistas de comboios em miniatura. Mas desconhece o que se passa na CP e nesse elefante branco que é a Infraestruturas de Portugal. É por isso que culpa o PSD e o CDS de todos os males do mundo nos caminhos-de-ferro. Como se, com a sua chegada ao nobre cargo de secretário de Estado das Infra-estruturas, tudo tivesse mudado. Não. A desgraça continuou. Não houve investimento no reequipamento da CP. O que estava ferrugento colapsou. O secretário Guilherme W. esquece-se de que as pessoas não querem que os comboios sejam armas de arremesso político. Querem apenas que funcionem. Não interessa agora se esta política seguida, há anos, de destruição da CP, tornando-a frágil e baratinha, só tenha como objectivo privatizar os seus percursos mais rentáveis. Essa é outra história. O que conta agora é que, na CP, não há comboios, nem horários cumpridos, nem oferta razoável, nem ar condicionado. Só há alguém que é acusado de ser secretário de Estado.

 

Grande repórter

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