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Jorge Fonseca de Almeida 28 de Julho de 2020 às 14:40

Em memória de Bruno Candé

Na sexta-feira, dia 31 de Julho haverá uma concentração no Rossio pelas 18 horas em memória de Bruno Candé. Todas as medidas de segurança e distanciamento estão previstas.

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O ator Bruno Candé foi barbaramente assassinado a tiro por um racista, o estudante Luís Giovani foi espancado até à morte por um bando de racistas, a trabalhadora Cláudia Simões foi selvaticamente agredida por um polícia usando técnica semelhante à que matou George Floyd porque a filha criança não levava o passe gratuito, felizmente sobreviveu.

 

Nenhum Negro, cigano ou membro de qualquer minoria étnica está em segurança neste país de brancos costumes. Todos se arriscam a morrer por dá cá aquela palha. A sua vida desvalorizada. É tempo de afirmarmos com firmeza que as Vidas Negras Contam.

 

O caso de Bruno Candé é particularmente revoltante porque já é a segunda vez que o Estado português falha a este cidadão. Da primeira vez foi atropelado enquanto andava de bicicleta e abandonado a morrer na estrada pelo motorista. Conseguiu salvar-se mas ficou com sequelas graves e paralisantes de todo o lado esquerdo. Atropelamento e fuga é crime grave.

 

Desta vez a própria polícia começou já a desvalorizar a sua morte espalhando que se não trata de crime racial procurando apagar uma agravante do crime. Quando foi público que dias antes o assassino foi ouvido por testemunhas a proferir ameaças e a gritar "Oh preto volta mas é para a tua terra". E que antes de disparar disse, de acordo com vários relatos, "Vai mas é para a senzala". 

 

Esta desvalorização também se verificou nos casos de Luís Giovani e Cláudia Simões. A polícia assume-se como parte do problema e não parte da solução. Tem de mudar. A começar de cima, que é de onde o exemplo tem de vir. A continuar nos métodos que têm de ser profundamente alterados. A continuar na sua própria composição étnica a todos os níveis hierárquicos e não só na base.

 

Que diferença entre o caso George Floyd em que os agentes assassinos foram em menos de um mês despedidos da polícia, presos e acusados de homicídio. Por cá o caso de Cláudia Simões arrasta-se. Afinal onde há mais racismo? Onde este é reconhecido e punido ou onde é negado e fica impune?

 

Alguns não querem confrontar o passado esclavagista do país, procurando substitui-lo por uma fantasia chamada epopeia dos Descobrimentos, não querem confrontar-se com o seu presente racista, preferindo juntar-se à infame ladainha de André Ventura. Mas esse não é o caminho no mundo atual. Esse foi o caminho que seguimos durante 40 anos e que nos atrasou civilizacionalmente.

 

Hoje quando todos os países, mesmo os mais poderosos, fazem esforços sérios para combater o racismo e a discriminação não podemos ficar fora do tempo, como lunáticos cegos, a repetir ridícula e febrilmente o estribilho salazarista hipócrita "Não há racismo em Portugal" e que significa apenas, como todos percebem, "Come e cala-te".

 

Na sexta-feira, dia 31 de Julho haverá uma concentração no Rossio pelas 18 horas em memória de Bruno Candé. Todas as medidas de segurança e distanciamento estão previstas.

 

Justiça para Bruno Candé.

 

Economista






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