Jorge Marrão
Jorge Marrão 15 de maio de 2019 às 19:55

Estão a ir longe de mais?

Como vão os eleitorados reagir às posições naturais de esquerdas tomadas por partidos de direita, e às decisões de uma agenda de direita tomadas por partidos de esquerda?

A FRASE...

 

"Marcelo não se opõe a que Conselho das Ordens reavalie condecorações a Berardo."

 

Jornal de Negócios, 15 de maio de 2019

 

A ANÁLISE...

 

Como vão resistir as instituições democráticas aos julgamentos sumários da comunicação social, às destemperadas opiniões das redes sociais, aos impasses das Comissões de Inquérito parlamentares, que se pretendem esclarecedoras, mas que ofuscam pelas agendas explícitas e implícitas de deputados e partidos, pela busca de factos sem meios e preconceituosas nos argumentos? Como vai a democracia resistir às inconsistências do tribunal da opinião pública, do parlamentar, e o judicial, por si mesmo lento, a transparecer uma inclinação justiceira e ligada a uma agenda mediática? Como vão os eleitorados reagir às posições naturais de esquerdas tomadas por partidos de direita, e às decisões de uma agenda de direita tomadas por partidos de esquerda?

 

Como vão resistir a política e os políticos à avaliação das comendas dadas aos atores criados pelo regime, e que agora se confronta com um revisionismo de si próprio, mas recusa-se a aceitar que errou nas políticas públicas que determinaram a conduta das pessoas e das empresas, e pretende transferir todas as responsabilidades para indivíduos e agentes, para encontrar o bode expiatório bíblico exterior a si próprio? Como podem os eleitorados compreender as elites que participaram, por ação ou omissão, na falência económica de um país e impediram a preparação do país para a moeda única e globalização dos mercados, mas que se recusam a pedir perdão pelos erros e faltas? Como é que os leitores avaliam as agendas da comunicação social, cada vez mais polarizadas à esquerda e direita, criando fanáticos de um lado e de outro, com apologias de regulação do Estado em toda a vida pessoal, retirando permanentemente a liberdade do indivíduo, arbitrando minorias contra minorias, influenciados pelo politicamente correto e pelo modernismo das causas? Como é que as pessoas vão avaliar os políticos que aceitam menorizar-se constantemente pela opinião pública e publicada, e que em vez de liderar estrategicamente uma nação, seguem a berraria dos "soundbytes" e dos fazedores de opinião? A decadência chegou. Falta-nos um cangalheiro, e naturalmente a renovação.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

pub

Marketing Automation certified by E-GOI