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Luís Todo Bom - Gestor de Empresas | Autor do livro “Manual de Gestão de Empresas Familiares”
03 de Julho de 2018 às 21:05

Um país inteligente e sustentável - os grandes desafios

É importante desenvolver um programa de educação para a cidadania, com intervenção directa da família e da escola, preparando os jovens para uma sociedade dinâmica, exigente, tolerante, com princípios e valores.

Participei, recentemente, num almoço-debate, no Clube Naval Militar, em que apresentei uma comunicação sobre "Transformar Portugal num País Inteligente e Sustentável - Os Grandes Desafios".

Os grandes objectivos que enumerei para atingirmos este objectivo englobavam as seguintes áreas de intervenção:

- Manutenção do equilíbrio macroeconómico do país, sem o qual não será possível preparar um programa estruturado de investimento e crescimento sustentado;

- Aumentar a competitividade da economia portuguesa através dum processo sistémico de intervenção nas empresas, em particular nas empresas exportadoras de bens transaccionáveis, para mercados exigentes, aumentando, gradualmente, o valor das exportações em relação ao PIB português;

- Desenvolver um programa de educação para a cidadania, com intervenção directa da família e da escola, preparando os jovens para uma sociedade dinâmica, exigente, tolerante, com princípios e valores;

- Aumentar a exigência e a diversidade do ensino em Portugal, permitindo diferentes escolhas, com qualidade, aos jovens portugueses e criando níveis de exigência e de trabalho que os acompanhem durante toda a sua vida profissional;

- Acelerar o ritmo e a eficiência da digitalização da sociedade portuguesa, integrando a inovação e a tecnologia nas preocupações constantes dos portugueses, com a consciência de que este é o único caminho para a criação e posterior distribuição da riqueza;

- Gerir a demografia, através dos vários mecanismos disponíveis, nos quais se incluem a extensão da actividade produtiva, face à evolução da medicina, uma política de apoio à natalidade e à imigração inteligente e controlada;

- Apostar no desenvolvimento do interior do país, invertendo a actual situação de desertificação progressiva e aproveitando as potencialidades económicas, turísticas e culturais do nosso interior;

- Construir um sistema justo de fiscalidade e distribuição de rendimentos, diminuindo os impostos sobre o rendimento do trabalho e sobre as empresas e eliminando os casos de leques salariais extremamente elevados e desajustados à dimensão das empresas nacionais;

- Melhorar a organização e a gestão das cidades, aumentando a sua competitividade internacional na atracção de investimentos, de novas sedes de empresas e de actividade turística e cultural.

Apresentei aos senhores generais e almirantes que tiveram a paciência de me escutar este guião, que considero adequado e indispensável para o desenvolvimento do nosso país no século XXI.

Tenho a noção da dificuldade de implementação dum conjunto alargado destas medidas estruturais que enunciei.

E que exigirão um esforço colectivo e um entendimento efectivo entre as várias forças políticas.

Mas não temos alternativa, se queremos, de facto, tornar Portugal um país inteligente e sustentável, nesta Europa, cada vez mais instável e vulnerável.  

Gestor de Empresas

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