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Manuel Falcão - Jornalista 22 de Março de 2019 às 09:30

A esquina do Rio

As Câmaras Municipais de Lisboa e Porto realizaram cerca de mil despejos de habitação social ao longo da ultima década, a maior parte por rendas em falta.

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Pensamentos acertados

"Fingir que a União Europeia é democrática, com aquele patético Parlamento e estas eleições, ou é inútil, ou é prejudicial."

António Barreto

Dixit

"A democracia portuguesa está a tornar-se um asilo de loucos." 

Vasco Pulido Valente

 

Back to basics

A aritmética consiste em saber contar até 20 sem ter de tirar os sapatos dos pés.

Rato Mickey


 

SEMANADA

• As Câmaras Municipais de Lisboa e Porto realizaram cerca de mil despejos de habitação social ao longo da ultima década, a maior parte por rendas em falta • o Governo anunciou redução dos preços dos transportes públicos para 85% dos eleitores • o presidente do Supremo Tribunal de Justiça reconheceu numa entrevista que não foi possível promover um pacto para a reforma da Justiça entre os partidos parlamentares • o Conselho Geral e de Supervisão da ADSE acusou

a instituição que fiscaliza de não dar suficiente importância à situação dos beneficiários nas zonas mais desfavorecidas • segundo o Presidente da República, "não há instituições europeias fortes com líderes fracos e não há líderes europeus fortes com líderes nacionais fracos" • no Hospital de Santa Maria, a falta de enfermeiros reduziu o serviço de neonatologia a metade • nos últimos dois anos, o número de pedidos de nacionalidade portuguesa aumentou cerca de 50%, atingindo 176.285 em 2018 • Nesta legislatura, os pedidos de levantamento da imunidade parlamentar aos deputados quase duplicaram em relação à anterior; Portugal continua bem acima da média europeia na incidência de casos de tuberculose • 1,9 milhões de portugueses têm o hábito de fazer apostas em jogos online.

 

 

AS OPORTUNIDADES E AMEAÇAS DO FUTURO 

Editada pelo Copenhagen Institute for Futures Studies, a Scenario é uma revista sobre tendências, ideias e perspectivas de futuro, publicada seis vezes por ano. A primeira edição de 2019 dedica a capa a Martin Rees, que criou e coordena um grupo de investigadores da Universidade de Cambridge no Centre for the Study of Existencial Risk (CSER). Este centro dedica-se a estudar as ameaças globais que podem colocar a humanidade e a civilização em risco. A entrevista com Martin Rees surge a propósito do seu novo livro, "On The Future: Prospects For Humanity", uma abordagem aos grandes desafios e oportunidades que irão moldar o nosso futuro colectivo. Outros temas de interesse nesta edição são um artigo sobre a quarta revolução industrial, caracterizada pela ascensão da inteligência artificial e da robótica. O impacto da inovação social na organização das empresas, desde os recursos humanos ao local de trabalho, é um dos temas abordados nesta área. A robótica e a inteligência artificial, sublinha a revista, colocarão cenários inesperados, muito para além do trabalho, entrando na vida de cada um - a nível do comportamento e até da sexualidade. No entretanto, algumas casas de alta costura, como a Balmain e a Fenty, começaram a utilizar modelos virtuais digitais em 3D em vez de pessoas nas suas campanhas publicitárias. Cameron James Wilson criou Shudu, o primeiro supermodelo digital, e a Scenario entrevistou-o. A revista está à venda na Under The Cover, Rua Marquês Sá da Bandeira 88b.

 

 

UM PIANO ENCANTADO 

O trio clássico de jazz (piano, bateria e contrabaixo) é uma das minhas formações preferidas e o piano é claramente o instrumento que muitas vezes move a escolha do que quero ouvir. Aaron Goldberg é um pianista de jazz norte-americano que, ao longo da sua carreira, iniciada em finais dos anos 1990, trabalhou com nomes como Joshua Redman ou Wynton Marsalis. O novo disco do trio do pianista norte-americano Aaron Goldberg, o seu sexto, chama-se "At The Edge Of The World" e foi editado no final do ano passado. Alem de Goldberg, tocam o baterista Leon Parker e o baixista Matt Penman. O disco começa com uma versão de "Poinciana", um "standard" composto por Nat Simon no final dos anos 1930, que teve numerosas versões, uma das mais conhecidas sendo a de Ahmad Jamal - aqui recriada de forma marcante, com uma intervenção vocal de Parker que ajuda a criar todo o ambiente do disco. O segundo tema, "Luaty" é um original de Goldberg dedicado ao activista angolano Luaty Beirão, composto enquanto ele esteve em greve de fome. Destaque também para o clássico brasileiro "Manhã de Carnaval" e, sobretudo, para a versão de um tema de McToy Tyner ("Effendi") e para as duas homenagens ao vibrafonista Bobby Hutcherson, "Isn't This My Sound Around Me" e "When You Are Near". "En La Orilla Del Mundo", do cubano Gonzalo Rubalcaba, popularizado por Charlie Haden, é o único tema onde Goldberg toca sozinho, ao piano. E, a finalizar, "Tokyo Dream" é uma abordagem do próprio Aaron Goldberg a um blues, proporcionando um dos pontos altos da participação do baterista Leon Parker. Disco Sunnyside, disponível no Spotify.

 

 

O LADO LUNAR DA METADE DO CÉU 

Qual é a metade do céu? Segundo Mao Tsé-Tung, é aquela que toda e qualquer mulher sustenta. Este foi o ponto de partida assumido por Pedro Cabrita Reis para criar a exposição que assinala os 25 anos de actividade do Museu Arpad Szenes - Vieira da Silva, escolhendo obras de 60 mulheres artistas portuguesas, simbolicamente com início numa natureza morta de Josefa D'Óbidos, do século XVII, até à maioria das obras apresentadas, produzidas entre meados do século XX e a actualidade. "A metade do céu" é pois um projecto de Pedro Cabrita Reis, que decorre entre 21 de Março e 23 de Junho e que, nas suas próprias palavras, é uma exposição que procura "trazer ao encontro de Vieira da Silva uma perspectiva singular - pessoal, afectiva, decerto apaixonada" de obras de outras artistas. E ainda: "Esta exposição perscruta o lado lunar de cada artista, dando a ver, sempre que possível, o que menos se espera dela - uma ou outra obra não tão frequentemente mostrada, talvez até desfasada, de algum modo inusitada." Uma outra sugestão adicional: por iniciativa do Sindicato dos Pintores, Pedro Calapez aceitou a ideia de pôr em contacto dois artistas de gerações diferentes e escolheu Carlos Correia. Sob o título "Sem Fim/Endless", apresentam-se cerca de 50 trabalhos sobre papel de Carlos Correia e um vídeo de Pedro Calapez. Na Box da Appleton, Rua Acácio Paiva 27, entre 23 a 30 de Março. E, no dia 29, pelas 18h, uma conversa junta Pedro Calapez com Alberto Caetano e Joaquim Sapinho, numa abordagem à obra de Carlos Correia, falecido no ano passado.

 

 

UM EXEMPLO QUE VEM DOS ANTÍPODAS 

Uma das séries da Netflix que mais me interessou nos últimos tempos foi "Secret City", um "thriller" político passado na Austrália e onde, ao longo das duas temporadas já disponíveis, o centro da história é a forma como membros do governo tentam iludir os eleitores, com a ajuda das agências de informação e serviços secretos, que repetidamente abusam do seu poder e violam direitos dos cidadãos. A série é uma crítica dura ao funcionamento do Estado. Acontece que a produção desta série foi financiada por um conjunto de entidades governamentais e departamentos oficiais da Austrália, uma política integrada de financiamentos e benefícios que são o elemento-chave da reviravolta que o audiovisual australiano sofreu nas últimas duas décadas e meia. Desde meados dos anos 90 a Austrália implementou, sem recuos, uma política e mecanismos de desenvolvimento da produção local que foi dando os seus frutos e agora está madura. O facto de uma série tão crítica em relação ao funcionamento dos responsáveis do Estado ser fortemente financiada por esse mesmo Estado mostra apenas que o sistema funciona muito bem. Em Portugal, infelizmente, passou-se o contrário, e a cedência a "lobbies" diversos, acompanhada por uma sistemática falta de empenho no desenvolvimento continuado e coerente de uma indústria audiovisual, tem os resultados que estão à vista. Por cá, raramente se leva um plano até ao fim. E, como se viu no Parlamento, o debate audiovisual preocupa-se mais com "futebóis" do que com outras coisas...

 

IGUARIAS FLUVIAIS DA ESTAÇÃO

 

Todos os anos, por esta altura, combino com um dos meus melhores amigos a estreia da época da lampreia. Às vezes, a partir de finais de Fevereiro já se consegue uma lampreia decente, mas este ano a falta de chuva não ajudou os rios e ainda menos as lampreias, que precisaram de mais algum tempo para estarem em boa forma. A estreia de 2019 ocorreu na semana passada num dos locais da minha confiança quando se trata de cozinha portuguesa - o Apuradinho, na Rua de Campolide. A lampreia que ali se serve é de confiança, não é importada nem congelada, como já me aconteceu nalguns locais. Além disso, a casa sabe preparar bem o ciclóstomo para que ele não fique contaminado com nenhum sabor estranho. Aquele arroz de lampreia é temperado no ponto, leva a dose certa de vinagre, retém o sabor do bicho e o preparo é feito de forma a que os nacos surjam no ponto de consistência. Convém encomendar o petisco e acertar uma data. Para quem goste, há vinho verde tinto, mas eu geralmente passo nesse capítulo. Se tudo correr como previsto, ainda há-de haver segunda lampreia este ano e, pelo meio, estou certo de que terei ocasião para provar o outro petisco da época - o sável frito em fatias finíssimas, acompanhado por uma açorda genuína - que no Apuradinho também é excelente. Apuradinho, Rua de Campolide 209, telefone 213 880 501. 

 

 

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