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Manuel Falcão 16 de Novembro de 2018 às 11:05

A lição de Marcelo em Aljubarrota

Esta semana, destaco dois factos políticos. O primeiro é apenas curioso - o Bloco de Esquerda anunciou querer ser Governo, com o PS, claro, e apontou até nomes ministeriáveis.

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Não há regras absolutas de conduta, quer na paz quer na guerra. Tudo depende das circunstâncias.
Leon Trotsky

A lição de Marcelo em Aljubarrota
Esta semana, destaco dois factos políticos. O primeiro é apenas curioso - o Bloco de Esquerda anunciou querer ser Governo, com o PS, claro, e apontou até nomes ministeriáveis. A partir de agora, o suspense não é saber quem serão os próximos ministros após as eleições legislativas do próximo ano; o suspense é saber o que o PCP fará se o Bloco, ou alguma das suas margens, entrar para um futuro Governo de António Costa. O segundo facto político é importante, bem mais importante, e decorre de uma intervenção doutrinal do Presidente da República sob o tema "Portugal Independente - A partir da sua história, que futuro desejável para Portugal?". Tratava-se do primeiro encontro de reflexão promovido pela Fundação Batalha de Aljubarrota e nele Marcelo Rebelo de Sousa fez uma intervenção, escrita, cheia de alusões ao presente e carregada de recados diversos virados para o futuro próximo.

Numa alusão concreta a factos recentes, o Presidente da República, no contexto do enquadramento dos actos eleitorais de 2019 (Europeias e Legislativas), pediu aos partidos "clareza dos propósitos" e "verosimilhança da solidez da sua base de apoio político - para que as propostas não fiquem apenas como meras intenções sem capacidade de ser poder". Depois fez uma alusão a alguns protagonistas políticos que têm estado, digamos, apagados, numa frase que parece destinada a alguma oposição: "Quem se atrasar ou faltar mesmo à chamada para o encontro com os portugueses, não se poderá queixar do destino nem da penosidade do recomeço da caminhada nos idos mais próximos". Mas o Presidente não se ficou por aqui: reconheceu que existe um debate a aprofundar sobre o sistema eleitoral e aconselhou os partidos parlamentares a terem em conta o debate que sobre o tema já começou fora do Parlamento, na Sociedade Civil - uma discreta referência às ideias de um recente encontro da SEDES e da Associação Por Uma Democracia de Qualidade, onde Marcelo aliás esteve, e em que o tema central foi a revisão da Lei Eleitoral. E, finalmente, referindo-se à necessidade de manter a coesão do território, o Presidente da República foi claro a elogiar o trabalho desenvolvido nas Regiões Autónomas da Madeira e Açores, mas também claríssimo a deixar no ar que não será a criar novas regiões que o problema do desenvolvimento do país se resolverá. Sumário da lição parlamentar: partidos deixem-se de fantasias e sejam realistas, oposição faça o favor de trabalhar, Assembleia da República assuma a questão da revisão da Lei Eleitoral e senhores políticos desenvolvam a descentralização, mas não fragmentem o país. Marcelo pegou na pá da padeira de Aljubarrota e não foi brando.

Semanada
32% das crianças portuguesas entre os dois e os 10 anos têm excesso de peso  o movimento de passageiros nos aeroportos portugueses atingiu os 52,7 milhões em 2017 e Lisboa destacou-se com o maior número, 26,6 milhões de acordo com os dados de 2018 do Bareme Internet da Marktest, 526 mil lares de Portugal Continental possuem televisão com acesso à internet (smart TV) e a penetração deste equipamento duplicou nos últimos três anos segundo a Marktest, em termos musicais, em Portugal, as mulheres preferem o pop e os homens preferem o rock durante a Web Summit deste ano, registou-se, em Lisboa, um aumento de 20,5% no número de compras e levantamentos nas redes de caixas automáticas e terminais de pagamento os visitantes do Reino Unido foram os que mais operações efectuaram, seguidos dos cidadãos provenientes de França, Estados Unidos, Espanha e Alemanha efeito colateral do Web Summit: Lisboa foi citada em 8.195 notícias em meios online de mais de 110 países e, segundo um estudo da Cision, os Estados Unidos foram o país que mais destaque deu ao evento, seguido de Espanha, Reino Unido, França e Alemanha a greve dos estivadores do porto de Setúbal está a pôr em causa a capacidade de escoamento da produção da Autoeuropa no terceiro trimestre, a economia portuguesa cresceu ao ritmo mais baixo do ano  a diminuição das exportações é a explicação avançada pelo INE para explicar os sinais de abrandamento que a economia portuguesa está a dar na PSP há sindicatos com mais dirigentes que sócios.

Dixit
"Estaremos no Governo quando o povo quiser."
Catarina Martins

Uma história de Angola
Aí está a nova edição de "Teoria Geral do Esquecimento", um dos mais aclamados livros de José Eduardo Agualusa, editado originalmente em 2012, e que foi distinguido com o Prémio Literário Fernando Namora em 2013, finalista do Man Booker International em 2016 e vencedor do International Dublin Literary Award em 2017. "Teoria Geral do Esquecimento" relata, na personagem de Ludo - Ludovica Fernandes Mano -, a história de uma Angola sem rumo no fim da época colonial e nos primeiros anos da independência. No meio de tumultos generalizados, Ludo, uma portuguesa assustada pelo que vê passar-se à sua volta, decide proteger-se e isolar-se no seu apartamento, em Luanda, erguendo uma parede que separa o seu apartamento do restante edifício e do resto do mundo, e assim vive num universo só seu durante quase 30 anos, costas viradas à realidade que se desenha à sua volta e a tudo o que nessa época se passou - das lutas internas pelo poder à guerra civil, passando por negócios pouco limpos. A ficção desenvolve-se a partir de um imaginário de notas, poemas, desenhos e prosa que Ludo escreveu nesse período, conhecidos depois da sua morte, num hospital, aos 85 anos. Este é um exercício de ficção que se confronta com o recordar de uma dura realidade da Luanda desses tempos, assim evocada por José Eduardo Agualusa.

Artes de todos os tempos
Até dia 18 de Novembro, a Sociedade Nacional de Belas Artes acolhe, pela primeira vez, a nova Feira da Associação Portuguesa de Antiquários, que passa a coexistir, naquele espaço e nesta época, com a outra Feira da Associação, que decorre em Abril na Cordoaria e que ali se realiza há mais de duas décadas. No novo espaço estão presentes 15 expositores (na Cordoaria, este ano, estiveram 25). A ideia é proporcionar uma maior selecção das peças expostas, condições de montagem e iluminação mais interessantes e um espaço mais contido. O resultado é bom e a opção de incluir expositores de várias áreas cria um contraste interessante, proporcionando a descoberta de peças de todo o mundo, representativas de diferentes épocas, países e correntes artísticas, desde a arte antiga à contemporânea, passando pela moderna. Destaco a presença da Galeria Bessa Pereira, com peças de mobiliário moderno de referência, nomeadamente as desenhadas por Le Corbusier para alguns dos edifícios do seu plano de criação da nova Chandigarh, a capital do Punjabe na Índia, no início dos anos 50, em colaboração com Pierre Jeanneret. Mas existem outras peças, como as que estão na fotografia - uma magnífica secretária do arquitecto e designer brasileiro Sérgio Rodrigues, acompanhada por uma cadeira original de Gerrit Rietveld, da segunda metade dos anos 60. Destaque também para as peças de decoração e jóias expostas por Isabel Lopes da Silva, para as obras mostradas pela Galeria S. Mamede e para as preciosidades mostradas por Manuel Castilho. Esta nova Feira de Arte e Antiguidades da APA ficará na Sociedade Nacional de Belas Artes até dia 18 - hoje das 16h às 21h, sábado das 14h às 21h e domingo das 12h às 19h. Rua Barata Salgueiro 36.



Estatísticas lisboetas
Lisboa tem actualmente 7.230 edifícios "em mau ou péssimo estado de conservação", a par de um total de 2.626 imóveis total ou parcialmente devolutos.

Bolsa de valores
Hoje, amanhã e domingo são as últimas oportunidades para ver o magnífico "Worst Of" da companhia Teatro de Praga, na sala Garrett do Teatro Nacional D. Maria II, uma revisitação do teatro português feita com humor e uma encenação invulgar - bilhetes de 10 a 17 euros.



Revisitar a soul
O cantor de jazz norte-americano José James tem feito carreira introduzindo alguma inovação em repertórios antigos de grandes nomes - a sua reinterpretação de temas de Billie Holiday, editada em 2015 sob o título "Yesterday I Had The Blues", passou com distinção na sempre difícil tarefa de fazer versões de obra alheia. Mas é precisamente esse o território em que José James se sente mais à vontade. Reincidiu agora com "Lean On Me", que pega nos grandes clássicos de Bill Withers, um nome da soul music injustamente pouco recordado. Withers, que ainda vive, gravou entre 1971 e 1985, ano em que se retirou de cena, desgostoso com o caminho que a indústria discográfica levava. Pelo meio ficaram temas como "Ain't No Sunshine", "Grandma's Hands", "Lean On Me", "Use Me", todos retomados neste novo disco, no qual José James consegue duas coisas: prestar uma homenagem e, sobretudo, mostrar o talento de Bill Withers, bem exemplificado nas suas 12 canções aqui recriadas. Além dos temas já citados, destaque para as interpretações de "Who Is He" ou "Hope She'll Be Happier" e para os arranjos de "Better Off Dead" e de "The Same Love That Made Me Laugh", que são especialmente interessantes, assim como um dos pontos altos deste disco, o dueto de James com Lalah Hathaway em "Lovely Day".

Tinto outonal
À medida que o Outono entra pelo calendário apetece comida de conforto, acompanhada por um vinho honesto. Esta semana, recomendo um vinho facilmente disponível e com uma boa relação de qualidade/preço (cerca de 5 euros) - o Marquês de Borba Colheita, 2017, feito por João Portugal Ramos a partir das castas Alicante Bouschet, Aragonez, Trincadeira, Touriga Nacional, Petit Verdot e Merlot, fermentação dividida por lagar de mármore e cuba de inox, com controlo de temperatura e estágio de seis meses em meias pipas de carvalho francês. É um vinho tinto jovem e suave, recomenda-se que seja servido a uma temperatura entre os 14 °C e os 16 °C. Tem um bom aroma, com destaque para os frutos vermelhos, com equilíbrio entre fruta, acidez e taninos suaves. Acompanha bem carnes vermelhas, queijos intensos, pratos de bacalhau ou o tradicional cozido à portuguesa. João Portugal Ramos produz seis milhões de garrafas por ano de várias regiões do país, que têm como destino o Brasil, os Estados Unidos, a China e a Suécia, além de Portugal, e o Marquês de Borba é uma das suas marcas mais antigas e mais vendidas.


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