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Joaquim Aguiar
08 de Julho de 2013 às 00:01

A expulsão do paraíso

A Segurança Social seria sustentável se não tivesse os desvios distributivos que inevitavelmente iria ter. E teve, logo é insustentável.

A FRASE...

"A chave da sustentabilidade da segurança social está na riqueza produzida e nas relações laborais e não no actual quadro demográfico. (…) A segurança social é sustentável, e superavitária, se se impedir a sua descapitalização por parte do Estado e se se garantirem relações laborais-padrão, protegidas. A descapitalização da segurança social começou na segunda metade dos anos 80: a utilização do fundo da segurança social para gerir os programas assistencialistas decorrentes do desemprego (…); as pré-reformas, algumas aos 45 ou 50 anos, em que trabalhadores efectivos e com direitos (que contribuem) são substituídos por trabalhadores precários; as dívidas não cobradas (8 mil milhões de euros); a transferência dos fundos de pensões da CGD, PT, Marconi, ANA (valem hoje menos 1/3); a neblina opaca que encobre o valor real (não nominal) dos fundos de pensões da banca; os subsídios da segurança social a layoffs (triplicaram nos últimos 5 anos); a Formação Profissional e Políticas Activas de Emprego (1,4% do PIB)."

Raquel Varela, "A Segurança Social é sustentável", Expresso, 29 de Junho de 2013.    

A ANÁLISE...

Na teologia corrente, a expulsão do paraíso aconteceu quando o homem comeu o fruto da árvore do conhecimento, impulsionado pela serpente (que é a sigmóide, ou curva da vida, que leva da fase de vitalidade, ou da expansão competitiva, para a fase de maturidade, ou da estagnação distributiva).

Na teologia mais elaborada, a expulsão do paraíso aconteceu um pouco depois, quando o homem se aproximou da árvore da eternidade. Esse seria o interdito absoluto que a divindade não podia permitir que fosse violado.

Quando o dispositivo da previdência social (que é um seguro subordinado ao cálculo actuarial, onde os que não têm acidentes pagam para os que têm acidentes) se transformou no dispositivo do Estado Providência (que é uma distribuição eterna) tornou-se inevitável a expulsão do paraíso. A Segurança Social seria sustentável se não tivesse os desvios distributivos que inevitavelmente iria ter. E teve, logo é insustentável.

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