Joaquim Aguiar
Joaquim Aguiar 26 de agosto de 2019 às 21:02

O que for preciso

António Costa subordina-se voluntariamente ao que forem as suas circunstâncias e é esta limitação que o impede de governar, de ter um desígnio, de ter uma ideia para Portugal, de ser ele quem produz as suas próprias circunstâncias.

A FRASE...

 

"E o António Costa, até hoje não sei quem ele é." 

 

Alexandre Soares dos Santos, Entrevista ao Observador, 25 de fevereiro de 2019

 

A ANÁLISE...

 

Do talento de um empresário faz parte a sua capacidade para interpretar os outros - sejam colaboradores, clientes, concorrentes ou dirigentes políticos. Se a avaliação que faz de um primeiro-ministro é que não sabe quem ele é, está a identificar um ponto de incerteza fundamental, uma ameaça séria e uma incógnita sem solução que põe em risco as suas iniciativas empresariais. Como eleitor, é apenas um voto. Mas a sua avaliação é útil para todos os outros eleitores: será que sabem quem é aquele em que poderão ir votar?

 

É uma dúvida que se torna mais densa depois de algumas declarações recentes de quem se relacionou com António Costa nas suas funções governativas. Em declarações em 18 deste mês, Jerónimo de Sousa clarifica: "Não há nenhuma maioria parlamentar, nem nenhum governo de esquerda ou de maioria de esquerda, nem tão-pouco há governo apoiado pela CDU." E sobre o Bloco de Esquerda, é o próprio António Costa quem esclarece e clarifica. "Um PS fraco e um BE forte significa a ingovernabilidade", o que significa que o BE só é útil até um certo ponto, mas não além desse ponto. É ainda António Costa quem faz o que parece ser uma correcção retrospectiva ao informar que "toda a gente sabe (e os anos de crise eliminaram as dúvidas de quem as tinha) que as necessidades são ilimitadas e os meios, infelizmente, são limitados. O exercício da política tem sempre a ver com a alocação mais eficiente dos recursos que temos". Há poucos anos, só Passos Coelho dizia isto, para escândalo dos que, perante o excesso de défice orçamental e de dívida pública, exigiam "Não pagamos! Somos soberanos para decidir o défice e a dívida."

 

António Costa é o que faz o que for preciso para estar no poder e evidencia o código genético do PS ao actualizar a expressão de Afonso Costa "ninguém conseguirá governar sem o Partido Democrático". António Costa subordina-se voluntariamente ao que forem as suas circunstâncias e é esta limitação que o impede de governar, de ter um desígnio, de ter uma ideia para Portugal, de ser ele quem produz as suas próprias circunstâncias.

 

Artigo em conformidade com o antigo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências diretas e indiretas das políticas para todos os setores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

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